quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Breve História da Ética

Breve História da Ética

(Fonte: http://afilosofia.no.sapo.pt/etica.htm#1)

1 - Grécia Antiga
1.1 - Sofistas. Defendem o relativismo de todos os valores. Alguns sofistas, como Cálicles ou Trasimaco afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. O máximo prazer pressupunha o domínio do poder político. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes, corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos mais fortes.
1.2 - Sócrates (470-399 a.C). Defende o carácter eterno de certos valores como o Bem, Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser obtido através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O homem sábio só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos ignorantes (Intelectualismo Moral).
1.3 - Platão (427-347 a.C.). Defende o valor supremo do Bem. O ideal que todos os homens livres deveriam tentar atingir. Para isto acontecesse deveriam ser reunidas, pelo menos duas condições: 1. Os homens deviam seguir apenas a razão desprezando os instintos ou as paixões; 2. A sociedade devia de ser reorganizada, sendo o poder confiado aos sábios, de modo a evitar que as almas fossem corrompidas pela maioria, composta por homens ignorantes e dominados pelos instintos ou paixões.
1.4 - Aristóteles (384-322 a.C.). Defende o valor supremo da felicidade.A finalidade de todo o homem é ser feliz. Para que isto aconteça é necessário que cada um siga a sua própria natureza, evite os excessos, seguindo sempre a via do "meio termo" (Justa Medida). Ninguém consegue todavia ser feliz sózinho. Aristóteles, à semelhança de Platão coloca a questão da necessidade de reorganizar a sociedade de modo a proporcionar que cada um do seus membros possa ser feliz na sua respectiva condição. Ética e política acabam sempre por estar unidas.
2 - Mundo Helenístico e Romano
Com o domínio da Grécia por Alexandre Magno, e os Impérios que lhe seguiram, altera-se os contextos em que o homem vive.
As cidades-Estados são substituídas por vastos Impérios constituídos por uma multiplicidade de povos e de culturas. Os cidadãos sentem que vivem numa sociedade na qual as questões políticas são sentidas como algo muito distantes das suas preocupações. As teorias éticas são nitidamente individualistas, limitando-se em geral a apresentar um conjunto de recomendações (máximas ) sobre a forma mais agradável de viver a vida.
A relação do homem com a cidade é substituída pela sua relação privilegiada com o cosmos. Viver em harmonia com ele é a suprema das sabedorias.
2.1 - Epicuristas (Epicuro, Lucrécio ). O objectivo da vida do sábio é atingir máximo de prazer, mas para que isso seja possível ele deve apartar-se do mundo. Atingir a imperturbabilidade do espírito e a tranquilidade do corpo.
2.2 - Cínicos (Antistenes, Diógenes ). O objectivo da vida do sábio é viver de acordo com a natureza. Afastando-se de tudo aquilo provoca ilusões e sofrimentos: convenções sociais, preconceitos, usos e costumes sociais, etc. Cada um deve viver deforma simples e despojada.
2.3 - Estóicos (Zenão de Cítio, Séneca e Marco Aurélio). O homem é um simples elemento do Cosmos, cujas leis determinam o nosso destino. O sábio vive em harmonia com a natureza, cultiva o autodomínio, evitando as paixões e os desejos, em suma, tudo aquilo que pode provocar sofrimento.
2.4 - Cépticos (Pirro, Sexto Empírio).Defendem que nada sabemos, pelo nada podemos afirmar com certeza. Face a este posição de príncípio a felicidade só pode ser obtida través do alheamento do que se passa á nossa volta, cultivando o equilíbrio interior.
3 - Idade Média
O longo período que se estende entre o século IV e o século XV, é marcado pelo predomínio absoluto da moral cristã. Deus é identificado com o Bem, Justiça e Verdade. É o modelo que todos os homens deviam procurar seguir. Neste contexto dificilmente se concebe a existência de teorias éticas autónomas da doutrina da Igreja Cristã, dado que todas elas de uma forma ou outra teriam que estar de concordo com os seus princípios.
3.1 - Santo Agostinho (354-430). Fundamentou a moral cristão, com elementos filosóficos da filosofia clássica. O objectivo da moral é ajudar os seres humanos a serem felizes, mas a felicidade suprema consiste num encontro amoroso do homem com Deus. Só através pela graça de Deus podemos ser verdadeiramente felizes.
3.4 - St. Tomás Aquino (1225-1274). No essencial concorda com Santo Agostinho, mas procura fundamentar a ética tendo em conta as questões colocadas na antiguidade clássica por Aristóteles.
4 - Idade Moderna
Entre os séculos XVI e XVIII, a sociedade Europeia é varrida por profundas mudanças que alteram completamente as concepções anteriores.
Renascimento. Em Itália a partir do século XIV desenvolve-se um movimento filosófico e artístico que retoma explicitamente ideias da Antiguidade Clássica. O homem ocupa nestas ideias o lugar central (antropocentrismo). Este movimento acaba por ser difundir por toda a Europa a partir do século XVI.
Descobertas Geográficas. A aventura iniciada em 1415 pelos portugueses, teve um profundo impacto na sociedade europeia. Em consequência destas descobertas as concepções sobre a Terra e o Universo tiveram que ser alteradas. Copérnico foi o primeiro a retirar todas as ilações do que estava a acontecer. O universo deixa de ser concebido com um mundo fechado para ser encarado como espaço infinito. A terra, o Sol, mas também o Homem perderam neste processo a sua importância e significado. As descobertas revelaram igualmente a existência de outros povos, culturas, religiões até aí desconhecidas. A realidade tornou-se muitíssimo mais complexa e plural.
Divisões na Igreja. O século XVI é marcado por diversos movimentos de ruptura no cristianismo, que provocam o aparecimento de novas igrejas, cada uma reclamando para si a interpretação mais correcta da palavra divina. Não admira que este período seja marcado numerosos e sangrentos conflitos religiosos. O resultado global foi o aumento da descrença, o desenvolvimento do ateísmo.
Ciência Moderna. O grande critério do conhecimento deixas de ser a tradição, a autoridade e passa a ser a experiência.Facto que coloca radicalmente em causa crenças milenares.
É em resultado destes e muitos outros factores, que assistimos ao longo de toda a Idade Moderna ao desenvolvimento do Individualismo e a afirmação da razão humana. O grande sinal desta mudança foi a multiplicação das teorias éticas, muitas das quais em contradição com os fundamentos do próprio cristianismo.
4.1 - Descartes (1596-1650). Este filósofo simboliza toda a fé que a Idade Moderna depositiva na razão humana. Só ela nos permitiria construir um conhecimento absoluto. Em termos morais mostrou-se todavia muito cauteloso. Neste caso reconheceu que seria impossível estabelecer princípios seguros para a acção humana. Limitou-se a recomendar uma moral provisória de tendência estóica: O seu único princípio ético consistia em seguir as normas e os costumes morais que visse a maioria seguir, evitando deste modo rupturas ou conflitos.
4.2 - John Locke (1632-1704). Este filósofo parte do princípio que todos os homens nascem com os mesmos direitos (Direito á Liberdade, à Propriedade, à Vida). A sociedade foi constituída, através de um contrato social, que visava garantir e reforçar estes mesmos direitos. Neste sentido, as relações entre os homens devem ser pautadas pelo seu escrupuloso respeito.
4.3 - David Hume (1711-1778). Defende que as nossas acções são em geral motivadas pelas paixões. Os dois princípios éticos fundamentais são a utilidade e a simpatia.
Ilustração. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), concebe o homem como um ser bom por natureza (mito do "bom selvagem) e atribui a causa de todos os males à sociedade e à moral que o corromperam. O Homem sábio é aquele que segue a natureza e despreza as convenções sociais. A natureza é entendida como algo harmonioso e racional.
5 - Idade Contemporânea
Se quisermos estabelecer um começo para a Idade Contemporânea, temos recuar até aos finais do século XVIII. O que então se iniciou na Europa veio a contribuir de forma decisiva para formar o mundo em que vivemos.
Revoluções. A Revolução Francesa (1789) marcou uma ruptura deliberada e radical com o passado. Depois dela muitas outras ocorreram até aos nossos dias com idênticos propósitos. Quase sempre foram iniciadas em nome da libertação do povo da opressão (ditaduras, regimes colonialistas, etc). Prometeram criar novas sociedades e homens, mas o que produziram foi frequentemente novas matanças.
Guerras Mundiais. A partilha do mundo, a conquista de recursos naturais, o saques de riquezas acumulados foram sempre uma constante ao longo da história da Humanidade. A grande novidade na Idade Contemporânea assentou numa aspectos essencial: a crescente eficiência da barbárie praticada por poderosas máquinas de guerra passaram a operar numa escala cada vez mais global. A França napoleónica, no inicio do século XIX, mostrou o caminho que outros países ou alianças de países haviam de prosseguir na guerra e no saque de povos. A dimensão desta barbárie colocou os causa os fundamentos da racionalidade e moralidade do mundo ocidental.
Progresso científico e tecnológico. A ciência substituiu o lugar que antes era ocupado pela religião na condução dos homens. Os cientistas foram apontados como os novos sacerdotes. O balanço desta substituição continua a ser objecto de enormes polémicas, mas três coisas são hoje evidentes:
a) A ciência e a tecnologia mudaram o mundo possibilitando uma melhoria muito significativa da vida de uma parte significativa da humanidade. Apesar do imenso bem estar por proporcionado, a verdade é que as desigualdades a nível mundial não diminuíram antes se acentuaram. Uns não sabem o que fazer a tanto desperdício, outros lutam diariamente por obter restos que lhes permitam sobreviver.
b) Não parecem existir limites para o desenvolvimento da ciência e da técnica.Aquilo que era antes impensável tornou-se hoje banal: manipulações genéticas, clonagem de seres, inseminação artificial, morte assistida, etc. Valores tidos por sagrados são agora quotidianamente aniquilados por experiências científicas.
c) O progresso humano fez-se mais lentamente que o progresso científico e tecnológico, ou dito de outro modo, o progresso moral não acompanhou o científico. Ao longo de todo o século XX inúmeras foram as figuras do mundo da ciência e da técnica envolvidas em intermináveis de actos de pura bárbarie, em nada se distinguindo dos antigos "selvagens".
O século XIX e XX foi por tudo isto marcado pelo aparecimento de um enorme número de teorias éticas, mas também pela própria crítica dos fundamentos da moral. Esta pluralidade revela igualmente a enorme dificuldade que os homens têm sentido em estabelecer consensos sobre as normas em que devem de assentar as suas relações.
5.1 - Kant (1724-1804). Partindo de uma concepção universalista do homem, afirma que este só age moralmente quando, pela sua livre vontade, determina as suas acções com a intenção de respeitar os princípios que reconheceu como bons. O que o motiva, neste caso, é o puro dever de cumprir aquilo que racionalmente estabeleceu sem considerar as suas consequências. A moral assume assim, um conteúdo puramente formal, isto é, não nos diz o que devemos fazer (conteúdo da acção), mas apenas o princípio (forma) que devemos seguir para que a acção seja considerada boa.
Imperativos da moral kanteana:
"Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre e simultaneamente como um fim em si mesmo e nunca simplesmente como um meio".
"Age apenas seguindo as máximas que possas ao mesmo tempo querer como leis universais".
5.2 - Utilitarismo. Jeremy Bentham(1748-1832) e Stuart Mill (1806-1873) desenvolverão uma ética baseada no princípio da utilidade. As acções morais são avaliadas em função das consequências morais que originam para quem as pratica, mas também para quem recai os resultados. Princípio que deve nortear a acção moral: "A máxima felicidade possível para o maior número possível de pessoas". O Bom é aquilo que for útil para o maior número de pessoas, melhorando o bem-estar de todos, e o Mal o seu contrário. Esta concepção deu origem no século XX às éticas pragmatistas.
5.3 - Sartre. A moral é uma criação do próprio homem que se faz a si próprio através das suas escolhas em cada situação. O relativismo é total. Mas este facto não o desculpa de nada. A sua responsabilidade é total dado que ele é livre de agir como bem entender. A escolha é sempre sua. 5.4 - Habermas (1929). Após a 2ª.Guerra Mundial, Habermas surge a defender uma ética baseada no diálogo entre indivíduos em situação de equidade e igualdade. A validade das normas morais depende de acordos livremente discutidos e aceites entre todos os implicados na acção.
5.5 - Hans Jonas (1903-1993). Perante a barbárie quotidiana e a ameaça da destruição do planeta, Hans Jonas, defende uma moral baseada na responsabilidade que todos temos em preservar e transmitir às gerações futuras uma terra onde a vida possa ser vivida com autenticidade. Daí o seu princípio fundamental: "Age de tal modo que os efeitos da tua acção sejam compatíveis com a permanência da vida humana autêntica na terra".
Crítica.Ao longo de todo o século XIX e XX sucederam-se as teorias que denunciaram o carácter repressivo da moral, estando muitas vezes ao serviço das classes dominantes (Karl Marx, 1818-1883) ou dos fracos (Nietzsche,1844-1900).Outros demonstram a falta de sentido dos conceitos éticos, como "Dever", "Bom" e outros (Alfred J.Ayer), postulando o seu abandono por se revelarem pouco científicos. Sigmund Freud (1856-1939) demonstrou o carácter inconsciente de muitas das motivações morais. Um das correntes que maior expressão teve no século XX, foi a que procurou demonstrar que as raízes biológicas da moral, comparando o comportamento dos homens e de outros animais. Aquilo que denominamos por "ética" é apresentado como uma forma camuflada ou racionalizada de instintos básicos da nossa natureza animal idênticos a outros animais. Novas Problemáticas . As profundas transformações sociais, culturais e científicas das nossas sociedades colocaram novos problemas éticos, nomeadamente em domínios como a tecnociência (clonagem, manipulação genética, eutanásia,etc), ecologia, comunicação de massas, etc.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Gripe A

GRIPE SUÍNA - PERGUNTAS E RESPOSTAS:

1 - Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Até 10 horas.
2 - Porque o álcool é útil?
Torna o vírus inativo e o mata.
3 - Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?
A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.
4 - É fácil contagiar-se em aviões?
Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.
5 - Como posso evitar contagiar-me?
Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.
6 - Qual é o período de incubação do vírus?
Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.
7 - Quando se deve começar a tomar o remédio?
Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%
8 - De que forma o vírus entra no corpo?
Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.
9 - O vírus é mortal?
Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus, que é a pneumonia.
10 - Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?
Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.
11 - A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?
Não porque contém químicos e está clorada
12 - O que faz o vírus quando provoca a morte?
Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o que ocasiona a morte.
13 - Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?
Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas.
14 - Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?
De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno.
15 - Onde encontra-se o vírus no ambiente?
Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda extremar a higiene das mãos.
17 - O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?
Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe todos somos igualmente suscetíveis.
18 - Qual é a população que está atacando este vírus?
De 20 a 50 anos de idade.
19 - É útil a máscara para cobrir a boca?
Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente eficaz.
20 - Posso fazer exercício ao ar livre?
Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.
21 - Serve para algo tomar Vitamina C?
Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a resistir seu ataque.
22 - Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?
A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar, escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.
23 - O virus se move?
Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do organismo.
24 - Os mascotes contagiam o vírus?
Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.
25 - Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?
Não.
26 - Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?
As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.
27 - O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?
Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.
28 - Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?
Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.
29 - Serve para algo tomar antivirais antes dos síntomas?
Não serve para nada.
30 - As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?
SIM.
31 - Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?
NAO.
32 - O que mata o vírus?
O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em gel.
33 - O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não têm o vírus?
O isolamento.
34 - O álcool em gel é efetivo?
SIM, muito efetivo.
35 - Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?
Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.
36 - Este vírus está sob controle?
Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.
37 - O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?
A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou em mais de 3 países.
38 - Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?
SIM.
39 - As crianças com tosse e gripe têm influenza?
É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas.
40 - Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?
Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.
41 - Posso me contagiar ao ar livre?
Se há pessoas infectadas e que tosam e/ou espirre perto pode acontecer, mas a via aérea é um meio de pouco contágio.
42 - Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.
43 - Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?
Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tendências Pedagógicas no Brasil

Clique sobre o quadro abaixo e salve-o
Extraído de http://br.geocities.com/arteeducacaouniminas/arteeducacao/seminarios.htm

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

COMPRESSÃO DA HISTÓRIA DO UNIVERSO EM UM ANO TERRESTRE

Tabelas encontradas em: FREIRE-MAIA, Newton. Criação e evolução. Deus, o acaso e a necessidade. Petrópolis: Vozes, 1986.


TEMPO REAL____________TEMPO COMPRIMIDO
20 bilhões/anos___________1 ano
1,67 bilhão/anos___________1 mês
1 bilhão/anos_____________18 dias e 6 horas
55,55 milhões/anos_________1 dia
2,31 milhões/anos__________1 hora
1 milhão/anos_____________26 minutos 17segundos
38580 anos______________1 minuto
1000 anos_______________1 segundo 58 centésimos
643 anos________________1 segundo
100 anos________________106 centésimos de segundo

DIA E HORA_________________FATO
1 jan. (0:00h)_________________Criação do universo
8 maio______________________Via Láctea
1 out_______________________Terra
29 out______________________Vida
21 dez______________________Peixes
24 dez______________________Anfíbios
26 dez______________________Répteis
28 dez. (8h)___________________Mamíferos
28 dez. (18h)__________________Aves
31 dez.(17h27min)______________Ramapithecus
31 dez.(22h7min)_______________Australopithecus afarensis
31 dez.(22h41min)______________Australopithecus africanus
31 dez.(23h7min)_______________Homo habilis
31 dez.(23h27min)______________Homo erectus
31 dez.(23h55min)______________Homo sapiens neanderthalensis
31 dez.(23h58min)______________Homo sapiens sapiens
31 dez.(23h59min e 13 segundos)____Homem na América
31 dez.(23h59min e 54 segundos)____Abraão
31 dez.( 23h59min e 56,9 segundos)___Jesus Cristo
31 dez.(23h59min e 58,9 segundos)___Francisco de Assis
31 dez.(23h59min e 59,2 segundos)___Descobrimento do Brasil
31 dez.(23h59min e 59,69 segundos)__Revolução Francesa
31 dez.(23h59min e 59,74 segundos)__Independência do Brasil
31 dez.(23h59min e 59,80 segundos)__Darwin e a “Origem das espécies”
31 dez.(23h59min e 59,85 segundos)__Proclamação da República no Brasil
31 dez.(23h59min e 59,92 segundos)__Revolução Russa
31 dez.(23h59min e 59,96 segundos)__Brasília
31 dez.(24h)___________________Hoje

Linha do tempo

*Quase a totalidade das informações aqui descritas foram retiradas do site: http://www1.uol.com.br/bibliot/linhadotempo/

História da humanidade.
13.700.000.000 (Alguns falam em 15 ou 20 bilhões de anos atrás) Surge o universo.
5.000.000 Australopithecus (Macaco do sul).
2.000.000 Homo habilis.
150.000 Surge o homo sapiens.
35.000 Manifestações culturais do homem: linguagem, pintura e escultura.
4000 O homem se fixa territorialmente.
3400 Primeiro sistema escrito, pelos sumérios, no sul da Mesopotâmia (região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio).
2700 Início da construção de pirâmides no Egito.
2500 Comércio marítimo entre Egito e Biblos (atual Líbano). Surgimento das primeiras cidades na China.
2300 Império Acádio unifica cidades-estado da Mesopotâmia.
1500 Expansão do Império Egípcio até o Oriente Médio. Início do uso de metal e cobre no Peru. População mundial estimada em 28 milhões.
1200 Decadência do império egípcio. Surgimento da civilização olmeca no México.
1000 Fenícios desenvolvem o comércio marítimo, no Mediterrâneo oriental. David torna-se rei de Israel, com Jerusalém como capital. População mundial estimada em 70 milhões.
930 Primeiros textos hebraicos (salmos, eclesiastes). Primeira versão do épico hindu Mahabharata.
850 Surgimento dos poemas épicos Ilíada e Odisséia, atribuídas a Homero.
814 Data legendária da fundação da cidade de Cartago pelos fenícios.
776 Primeiros jogos olímpicos.
753 Legendária fundação de Roma.
594 Sólon começa as reformas da lei ateniense.
586 Chaldean Nebuchadnezzar (Nabucodonosor 2°) invade Jerusalém; israelitas são levados para o cativeiro da Babilônia. Gregos colonizam a Espanha.
539 Israelitas retornam do cativeiro da Babilônia.
509 Proclamação da República Romana. Império persa atinge a Índia. Pregação de Sidarta Gautama (Buda).
508 Clístenes proclama a constituição democrática ateninense.
499 Heráclito dá início à filosofia grega.
490 Pensamento de Confúcio começa a se propagar na China.
472 Atenas lidera a Liga de Delos.
450 Roma se expande pelo Lácio e ameaça os etruscos. Império persa em declínio
443 Péricles passa a governar Atenas. Heródoto escreve História. Invenção do calendário solar na China.
431 Início da Guerra do Peloponeso (Atenas vs. Esparta). Demócrito cria a teoria atômica.
405 Fim da Guerra do Peloponeso, com a vitória de Esparta.
399 Sócrates é condenado à morte, em Atenas.
371 Tebas derrota Esparta e domina a Grécia. Roma domina o Lácio, construindo estradas e aquedutos. Hipócrates desenvolve a medicina.
336 Início do reinado de Alexandre, o Grande (Macedônia).
334 Alexandre torna-se senhor do império persa; seus domínios se estendem até a Índia.
323 Morte de Alexandre e desintegração do seu império.
284 Inauguração da Biblioteca de Alexandria (norte do Egito), com 100 mil volumes. Invenção da catapulta como arma de guerra.
280 Surgimento da cultura maia na Guatemala.
264 Início das Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago.
210 Começa a construção da Grande Muralha da China.
146 Fim das Guerras Púnicas e consolidação de Roma sobre o Mediterrâneo ocidental.Budismo se espalha pelo sudeste asiático.
133 Caio e Tibério Graco iniciam reformas em Roma.
73 Spartacus lidera revolta de escravos contra Roma.
63 Liderados por Pompeu, romanos dominam a Síria e a Palestina.
45 César torna-se ditador romano.
44 César é assassinado.
31 Antônio e Cleópatra se suicidam. Otaviano torna-se o único governador de Roma.
27 Otaviano aceita o título de Augusto, marcando o início do Império Romano.
19 Romanos conquistam a Península Ibérica e criam três províncias, entre elas a Lusitânia, atual Portugal.
6 Nasce Jesus de Nazaré.
1 Começa a era depois de Cristo, exatamente à meia-noite de 31 de dezembro de 1 a.C. População mundial chega a aproximadamente 170 milhões.
14 Morte de Augusto.Tibério torna-se imperador, ficando no poder até 37. Ovídio escreve Metamorfose.
27 Jesus é batizado.
30 Jesus é crucificado.
37 Calígula torna-se imperador.
54 Império Romano sob Nero.
64 Cristãos são acusados e martirizados pelo incêndio de Roma.
70 Início da diáspora judaica após destruição do templo em Jerusalém. Surge o primeiro evangelho (S. Mateus).
75 Começa a construção do coliseu romano. Provável data da invenção, na China, do papel.
79 Erupção do vulcão Vesúvio destrói a cidade de Pompéia, na Itália.
98 Auge da expansão territorial romana. Cristianismo também se espalha.
100 População mundial: 180 milhões.
132 Surgimento da cultura Teotihuacán, no México.
200 População mundial: 190 milhões.
212 Cidadania é estendida a todos os homens livres do Império Romano.
235 Começo do declínio do Imperio Romano.
284 Princípio da civilização maia clássica.
300 População mundial em torno de 190 milhões.
306 Constantino torna-se imperador.
313 Edito de Milão legaliza o Cristianismo no Império Romano.
320 Início do império Gupta na Índia.
324 Bizâncio é reconstruída por Constantino.
326 Constantino declara domingo como dia sagrado para os católicos.
330 Renomeado de Constantinopla, Bizâncio torna-se capital do Império Romano.
378 Visigodos derrotam o exército romano.
391 Teodósio 1° proibe cultos pagães.
395 O Império Romano é dividido em dois, Ocidental e Oriental.
400 Agostinho publica Confissões. População mundial continua estável, em torno de 190 milhões.
410 Visigodos saqueiam Roma.
434 Átila torna-se o rei dos Hunos.
476 Deposição de Rômulo marca o fim do Império Romano. Começa a Idade Média.
500 Os bretões, sob a liderança do legendário rei Artur, derrotam os saxões, retardando o avanço destes sobre a Bretanha.População mundial em torno de 195 milhões.
525 Budismo, agora misturado ao taoísmo, alcança grande popularidade na China.
527 Justiniano, imperador bizantino, tenta restaurar a parte ocidental do Império Romano.
533 Começa o atual sistema de datas, iniciado por Dionysius Exiguus, fixando o ano de Cristo erroneamente.
537 A Hagia Sophia, catedral em Constatinopla, tem sua construção concluída.
550 Ataque huno encerra Império Gupta, na Índia.
570 Nascimento de Maomé (Muhammad).
600 População mundial: aproximadamente 200 milhões.
607 Unificação do Tibete, que se torna o centro da religião budista.
622 Auge do Império Maia, no México.
632 Maomé morre.
637 Jerusalém é conquistada por tropas muçulmanas.
641 Biblioteca da Alexandria é destruída pelos árabes.
680 Divisões internas no Islamismo criam os xiitas e os sunitas.
700 População mundial estimada em cerca de 210 milhões. Data aproximada em que os chineses inventaram a pólvora.
711 Árabes mulçumanos ocupam a Espanha.
732Carlos Martel derrota os árabes na batalha de Tours. Estabelecimento do reino de Gana, na África ocidental.
751 Pepino 3° encerra a dinastia Merovíngia e inicia a Carolíngia. Córdoba torna-se o centro da cultura muçulmana na Espanha.
768 Carlos Magno torna-se rei dos francos.
800 Carlos Magno é coroado em Roma pelo papa Leão III. População mundial: 220 milhões.
827 Árabes conquistam Sicília e Creta, derrotando os bizantinos.
833 Criação de um observatório em Bagdá.
870 Desenvolvimento da arquitetura romanesca na Europa.
885 Paris é cercada pelos vikings.
896 Declínio da civilização maia e ascensão da cultura tolteca.
900 População mundial: 240 milhões.
907 Fim da dinastia Tang na China leva à dissolvição do império.
925 Athelstan torna-se o primeiro rei de toda a Inglaterra. Pedra passa a ser usada no lugar de madeira em construções na Europa ocidental.
930 Islândia torna-se uma república, estabelecendo a mais velha assembléia legislativa da Europa.
936 Budismo se espalha na Coréia.
960 Início da dinastia Sung na China.
969 Fatimidas passam a dominar arábia ocidental, Egito e Síria. Primeiros jogos de cartas surgem na China.
986 Vikings estabelecem colônias na Groenlândia.
1000 População mundial: 265 milhões.
1016 Auge do Império Bizantino.
1054 Cisma da Igreja Católica.
1073 Papa Gregorio 7 ° é eleito.
1090 Relógio mecânico movido à água é inventado na China.
1095 Papa Urbano 2° convoca cruzada para reconquistar lugares sagrados.
1099 Cruzados conquistam Jerusalém. Auge do sistema feudal na Europa.
1100 População mundial: 270 milhões.
1138 Princípios da arquitetura gótica.
1150 Templo Khmer, Angkor Wat, é erguido no Camboja. Declínio dos toltecas no México.
1166 Astecas entram no México.
1167 Fundação da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
1170 Fundação da Universidade de Paris. Começa a música polifônica.
1193 Budismo Zen no Japão.
1200 Civilização inca se desenvolve, baseada na cidade de Cuzco.
1209 Fundação da Universidade de Cambridge. Criação da ordem franciscana.
1213 Genghis Khan dá início ao Império Mongol.
1215 Religião muçulmana chega ao sudeste asiático e a África.
1235 Início do Império Mali na África ocidental.
1236 Reino de Castela conquista Córdoba.
1261 Bizâncio reconquista Constantinopla.
1271 Marco Polo dá início à viagem a China.
1300 Surgimento de novo Império Maia em Yucatán. População mundial: 360 milhões.
1307 Início do reino do Benin no sul da Nigéria (África ocidental).
1309 Dante começa a escrever A Divina Comédia.
1328 Reconhecimento da independência escocesa.
1337 Começa a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra.
1347 Peste Negra chega à Europa.
1353 Turcos otomanos invadem a Europa.
1368 Fundação da dinastia Ming na China.
1400 População mundial: 350 milhões. Balé começa nas cortes renascentistas italianas.
1405 Mongol Tamerlane conclui a conquista da Pérsia, Síria e Egito.
1410 Início da pintura a óleo.
1413 Início das viagens marítimas portuguesas.
1420 Portugueses descobrem a ilha da Madeira.
1431 Joana d'Arc é queimada na França.
1432 Portugal chega ao arquipélago de Açores.
1434 Donatello pinta David.
1440 Começa a ser escrito As Mil e Uma Noites, em árabe.
1453 Turcos otomanos conquistam Constantinopla, marcando o fim da Idade Média. Termina a Guerra dos Cem Anos e começa, na Inglaterra, a Guerra das Rosas.
1455 Impressão da bíblia de Gutenberg.
1469 Fernando de Aragão e Isabel de Castela se casam, começando o processo de unificação da Espanha.
1478 Começa a Inquisição espanhola.
1492Árabes e judeus expulsos da Espanha. Cristóvão Colombo chega à América.
1494 Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas.
1498 Vasco da Gama atravessa o Cabo da Boa Esperança, na atual África do Sul.
1500População mundial: 400 milhões. Cabral chega ao Brasil.
1503 Leonardo da Vinci pinta Mona Lisa. Franceses chegam às costas brasileiras.
1508-12 Michelângelo pinta a Capela Sistina.
1509 O relógio é inventado em Nuremberg, na atual Alemanha.
1517 Começo da Reforma religiosa na Alemanha.
1519 Magellan cruza o Oceano Pacífico.
1521 Hernán Cortés conquista os astecas, no México.
1531 Expedição Martim Afonso de Souza marca o início da colonização.
1532 Fundação de São Vicente, primeira vila brasileira.
1533 Francisco Pizarro derrota o Império Inca, no Peru.
1534 Fundação da ordem dos jesuítas. Criação das quatorze capitanias hereditárias no Brasil, por D. João III.
1538 Primeiros escravos africanos chegam ao Brasil.
1542 Portugueses aportam no Japão.
1543 Nicolau Copérnico conclui a obra De Revolutionibus Orbium.
1545 Começa o Concílio de Trento.
1549 Chega ao Brasil o primeiro Governador-Geral, Tomé de Souza. Fundação de Salvador.
1551 Fundação da Universidade de Lima, a primeira na América.
1554 Fundação de São Paulo.
1558 Elizabeth 1a. se torna rainha da Inglaterra, governando até 1603.
1559 Tabaco é introduzido na Europa.
1565 Fundação do Rio de Janeiro.
1570 D. Sebastião concede liberdade aos índios.
1572 Camões publica o clássico Os Lusíadas.
1577 D. Sebastião desaparece na batalha de Alcácer-Quebir, no norte da África.
1580 Espanha ocupa Portugal (união das coroas ibéricas).
1583 Invenção do microscópio e do termômetro.
1594 William Shakespeare escreve Romeu e Julieta.
1603 Shakespeare escreve Hamlet.
1607 Virgínia, na América do Norte, é colonizada pelos ingleses.
1608 Franceses iniciam o povoamento de Quebéc (Canadá).
1609 Galileu inventa o telescópio.
1612 Franceses fundam São Luís, no Maranhão.
1614 Antônio Vieira chega ao Brasil.
1615 Cervantes publica Dom Quixote. Franceses expulsos do Maranhão.
1618 Guerra dos Trinta Anos começa na Europa.
1620 Navio Mayflower chega a Cape Cod, em Massachusetts, nordeste dos EUA.
1629 Bandeira de Raposo Tavares e Manuel Preto destrói missões jesuíticas no Paraná.
1630 Início do Quilombo dos Palmares. Holandeses ocupam Pernambuco.
1637 Descartes publica Discurso sobre o Método, marco da filosofia moderna. Maurício de Nassau chega ao Brasil.
1640 Portugal volta a se tornar independente da Espanha.
1643 Luís XIV chega ao poder na França.
1648 Primeira batalha dos Guararapes, contra os holandeses.
1649 Termina a construção do Taj Mahal, na Índia.
1651 Thomas Hobbes escreve Leviatã.
1654 Expulsão definitiva dos holandeses.
1656 Diego Velásquez pinta As Meninas.
1664 Molière escreve Tartufo.
1670 Concluída a construção do Palácio de Versalhes, na França.
1674 Bandeira de Fernão Dias Pais a Minas Gerais.
1680 Fundação pelos portugueses da Colônia de Sacramento, no Uruguai.
1687 Newton publica a lei da gravidade.
1688 Revolução Gloriosa irrompe na Inglaterra.
1695 Destruição de Palmares e morte de seu líder, Zumbi.
1698 Savery inventa o motor a vapor.
1707 Guerra dos Emboabas (Brasil).
1709 Surge o primeiro piano, na Itália.
1710 Guerra dos Mascates em Pernambuco.
1711 Criação da Capitania de Minas Gerais, separada de São Paulo.
1720 China conquista o Tibete.
1729 J.S. Bach compõe A Paixão Segundo São Mateus.
1741 Bering chega ao Alasca.
1742 Celsius desenvolve a escala em centígrados.
1750 Música sinfônica começa a se difundir pela Europa. Tratado de Madri. Marquês de Pombal torna-se secretário de estado.
1751 Diderot publica o primeiro volume de sua Enciclopédia.
1755 Terremoto destrói Lisboa.
1756 Começa a Guerra dos Sete Anos.
1757 Escola fisiocrata na França inicia a teoria econômica moderna.
1759 Britânicos conquistam a colônia francesa do Quebec. Expulsão dos jesuítas do Brasil. Voltaire publica Cândido.
1762 Rousseau lança Contrato Social, clássico do iluminismo.
1764 Mozart escreve a sua primeira sinfonia, aos 8 anos de idade.
1766 Cavendish isola o hidrogênio.
1774 Luís XVI chega ao poder na França. Goethe escreve Werther, clássico da literatura romântica. Priestley descobre o hidrogênio.
1775 Começa a Guerra da Independência nos EUA. Jenner descobre o princípio da vacinação.
1776 Adam Smith publica Pesquisa sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações.Assinada a Declaração de Independência, nos EUA.
1777 Cresce a indústria têxtil na Inglaterra.
1781 Kant publica Crítica da Razão Pura.
1783 Fim da Guerra da Independência. Irmãos Montgolfier realizam o primeiro "vôo humano", num balão de ar quente.Cavendish identifica a composição da água.
1787 Constituição norte-americana é assinada.
1789 Revolução Francesa: fim da Idade Moderna e início da Contemporânea. George Washington torna-se o primeiro presidente norte-americano. Lavoisier começa a química moderna Inconfidência Mineira.
1791 Revolta escrava no Haiti, sob o comando de Toussaint L'Ouverture. Thomas Paine publica Os Direitos do Homem.
1792 Proclamação da República Francesa. Julgamento dos inconfidentes e execução de Tiradentes.
1793 Começa o Regime do Terror na França.
1798 Conjura baiana estoura em Salvador.
1799 Napoleão assume o poder.
1800 Alessandro Volta fabrica a primeira bateria. População mundial estimada em 900 milhões.
1801 Thomas Jefferson é eleito presidente, nos EUA.
1803 Inglaterra declara guerra contra a França de Napoleão. Jefferson compra da França o território da Louisiana, duplicando o tamanho dos EUA.
1804 Haiti torna-se o segundo país independente da América.
1805 Batalha de Trafalgar, com vitória da esquadra inglesa.
1806 França declara o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, mas Portugal não adere.
1808 Começam os movimentos de independência nas colônias espanholas sul-americanas.Corte portuguesa chega ao Brasil fugindo de Napoleão; abertura dos portos brasileiros. No exílio em Londres, Hipólito da Costa publica o "Correio Brasiliense", primeiro jornal brasileiro.
1810 Goya começa a pintar Os Desastres da Guerra, retratando a ocupação napoleônica na Espanha.
1811 Paraguai e Venezuela tornam-se independentes.
1812 EUA declaram guerra à Inglaterra.
1814 Napoleão abdica do poder. Stephenson inventa a locomotiva a vapor.
1815 Napoleão retorna, mas sofre derrota definitiva em Waterloo. Brasil torna-se Reino Unido a Portugal e Algarves.
1816 Argentina declara independência.
1817 Estoura a Revolução Pernambucana.
1818 Mary Shelley publica Frankenstein.
1820 Primeira iluminação urbana, em Londres.
1821 México torna-se independente. Hegel publica Fundamentos da Filosofia do Direito.
1822 Independência do Brasil.
1823 EUA declaram a Doutrina Monroe.
1824 Peru independente. Beethoven compõe a Nona Sinfonia. Promulgada a 1a. Constituição brasileira.
1825 Guerra entre Brasil e Argentina pela província Cisplatina (Uruguai).
1830 Revolução liberal na França.
1831 D. Pedro 1° abdica do trono.
1835 A Guerra dos Farrapos irrompe no Rio Grande do Sul, contra o governo federal. Revolta dos malês na Bahia.
1840 Começam as Guerras do Ópio na China.
1843 D. Pedro II assume o poder moderador.
1846 Início da guerra entre México e EUA. Anestesia é usada pela primeira vez em hospital.
1848 Revoluções se alastram na Europa. Marx e Engels publicam O Manifesto Comunista.
1850 Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico de escravos.
1857 José de Alencar publica O Guarani.
1859 Charles Darwin publica A Origem das Espécies. Primeiro poço de petróleo é perfurado, nos EUA.
1861 Começa a Guerra da Secessão nos EUA.
1862 Abraham Lincoln liberta os escravos.
1864 Paraguai declara guerra ao Brasil. Lincoln é assassinado.
1867 Início da era Meiji no Japão.
1870 Fim da Guerra do Paraguai. Carlos Gomes compõe O Guarani.
1872 Primeiro recenseamento no Brasil.
1876 Alexander Graham Bell inventa o telefone.
1877 Thomas Edison inventa o microfone e o fonógrafo.
1880 Rodin esculpe O Pensador.
1884 Ceará (março) e Amazonas (julho) extinguem a escravidão.
1885 Gottlieb Daimler produzem o primeiro carro movido a gasolina.
1886 Pemberton, farmacêutico norte-americano, inventa a coca-cola.
1888 Lei Áurea abole a escravidão, no dia 13 de maio.
1889 Proclamação da República, em 15 de novembro.
1891 Promulgada a Constituição dos Estados Unidos do Brasil.
1895 Röentgen descobre o raio-X. Irmãos Lumière constroem o primeiro aparelho cinematográfico. Criação do Prêmio Nobel da Paz.
1896 Primeiros Jogos Olímpicos modernos, em Atenas Marconi inventa o telégrafo sem fio.
1897 Destruição de Canudos.
1898 Guerra entre EUA e Espanha.
1899 Machado de Assis publica sua obra-prima, Dom Casmurro.
1900 População mundial: 1.550.000.
1904 Vacinação obrigatória gera distúrbios no Rio de Janeiro.
1905 Einstein anuncia a Teoria da Relatividade.
1906 Santos Dumont voa com o 14 Bis.
1907 Auguste Lumière inventa a fotografia colorida. Picasso e Braque inventam o cubismo.
1909 Marinetti publica o Manifesto Futurista.
1910Revolução Mexicana. Revolta da Chibata eclode no Rio.
1913 Ford desenvolve a linha de produção nas suas fábricas.
1914 Começa a Primeira Guerra Mundial, na Europa.
1915 Griffith filma O Nascimento de Uma Nação, primeiro longa-metragem com características modernas.
1917 Começa a Revolução Russa. Greve operária pára São Paulo.
1918 Fim da Primeira Guerra Mundial, com a derrota da Alemanha e seus aliados.
1919 Assinatura do Tratado de Versalhes. Fundação das Ligas das Nações.
1922 Mussolini chega ao poder na Itália.Realização da Semana de Arte Moderna em São Paulo.
1924 São Paulo sofre bombardeamento aéreo durante a revolta tenentista de 1924. Começa a Coluna Prestes.
1926 Hirohito torna-se imperador do Japão.
1927 Lindenberg realiza a primeira travessia áerea do Atlântico. Getúlio Vargas é eleito presidente do Rio Grande do Sul.
1928 Stálin assume o poder na União Soviética.
1929 Quebra da Bolsa de Nova York.
1930 Revolução de 1930 marca o início da Era Vargas.
1932 Franklin Roosevelt torna-se presidente dos EUA. Início da Guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia. Salazar torna-se presidente do Conselho em Portugal. Revolta Constitucionalista, em São Paulo.
1933 New Deal tem início nos EUA. Hitler torna-se o 1° ministro alemão.
1936 Guerra Civil Espanhola. Roosevelt é reeleito. Primeira transmissão televisiva, na Inglaterra.
1937 Japoneses ocupam Pequim, Xangai e Nanquim. Picasso pinta Guernica. Instalação do Estado Novo.
1939 Hitler invade a Polônia: começa a Segunda Guerra Mundial.
1940 Paris é ocupada pelos alemães.
1941 Ataque japonês a Pearl Harbour precipita a entrada dos EUA na Guerra.
1942 Brasil entra na Segunda Guerra.
1944 Desembarque aliado na Normandia (Dia D).
1945 Morte de Roosevelt coloca Truman na presidência. Fim da guerra na Europa, em 8 de maio. EUA explodem bombas atômicas no Japão. Capitulação do Japão, no dia 15 de agosto.Vargas renuncia à presidência.
1946 Péron é eleito na Argentina.
1947 EUA lançam o Plano Marshall. Independência da Índia e Paquistão.
1948 Criação do Estado de Israel.
1949 Soviéticos explodem sua primeira bomba atômica. China torna-se comunista. Simone de Beauvoir lança O Segundo Sexo. Assinado o Tratado do Atlântico Norte.
1950Começa a Guerra da Coréia. Vargas é eleito presidente.
1951 Primeiro computador comercial, UNIVAC I, é lançados nos EUA.
1954 Vargas comete suicídio.
1955 Começa a Guerra do Vietnã.
1957 União Soviética dá largada à corrida espacial, lançando o Sputnik.
1959 Castro lidera a Revolução Cubana.
1960 Kubitschek inaugura Brasília.
1961 Jânio Quadros renuncia à presidência.
1962 Crise dos mísseis envolve EUA, União Soviética e Cuba.
1963 Kennedy é assassinado nos EUA.
1964 João Goulart é deposto do poder pelos militares.
1966 Começa a Revolução Cultural na China.
1968 Protestos estudantis em vários países.
1969 Homem chega à Lua.
1973 Allende é derrubado por Pinochet no Chile.
1974 Richard Nixon renuncia.
1981 Cientistas isolam o vírus da AIDS.
1983 Internet é criada.
1985 Tancredo Neves morre após eleição.
1989 Queda do muro de Berlim. Collor é eleito presidente.
1991 Fim da União Soviética.
1992 Collor renuncia.
1994 Fernando Henrique Cardoso é eleito presidente.
1999 Cientistas escoceses produzem clone de uma ovelha.
2000 Bug do ano 2000.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

SENTIMENTO E RAZÃO EM PLATÃO E ARISTÓTELES

Para que se entenda o pensamento ético de Platão faz-se necessário considerar que para ele ética não se separa de política, e política por sua vez não se separa de justiça, pois em sua teoria política ele realiza uma busca pela conduta justa na pólis. É, portanto, o conceito de justiça que guia o pensamento platônico e unifica a obra A República.
O motivo que levou Platão a escrever esta obra parece estar mais ligado ao sentimento que a razão, pois ele encontrava-se profundamente decepcionado com a condução da vida política ateniense à qual permitiu que seu mestre fosse levado à morte. Como membro da aristocracia de sua cidade, Platão estaria previamente destinado a desempenhar papel relevante na vida pública, mas as circunstâncias o encaminharam em outra direção. Platão se decepciona e se distancia da política ao presenciar a injusta condenação de Sócrates e por perceber que as “intrigas dos bastidores” têm reflexo na condução do exercício político, o que o leva a criticar a retórica sem fundamento e o discurso vazio. O resultado disto será seu afastamento da política e sua reclusão na esfera da teoria, pois um fosso havia sido criado entre teoria e práxis, entre filosofia e política. Foi a tirania que o levou a indagar sobre a melhor forma de governo e a procurar uma saída para o governo da cidade. Parece-nos que a intenção de Platão seria influir no mundo político sem ser propriamente um político ativo. Ele fará isto preparando os filósofos na academia e mostrando-lhes que justiça e educação deverão ser os pilares do sistema político e que para cada função na cidade corresponderá um tipo de educação.
Notemos, no parágrafo acima, que é justamente o amor, a amizade o elemento que impulsiona Platão rumo à elaboração desta importante obra, a qual apresentará inicialmente a preocupação de Sócrates em saber o que é a justiça. Num primeiro momento a justiça é apresentada como verdade (ou melhor, dizer, proferir a verdade) e a restituição ao outro daquilo que se pegou (segundo o velho e experiente Céfalo: “justiça resume-se em proferir a verdade e em restituir o que se tomou de alguém”). O comerciante Polemarco irá representar o senso comum ao afirmar que justiça é “restituir a cada um, o que convém”... “benefícios aos amigos e prejuízo aos inimigos” (331-336). Ainda seguindo esta linha de apresentar a justiça como uma forma individual de se comportar, o sofista Trasímaco irá afirmar que a justiça se liga ao interesse dos mais fortes e questionará se é melhor ser justo ou injusto. Glauco apresenta as três formas de bem, a saber: o bem por si mesmo (prazeres e alegrias); o bem por si e suas conseqüências (sensatez, saúde e justiça) e os bens penosos, mas úteis (ginástica e medicina). Glauco afirma que a justiça é praticada para se evitar os castigos impostos aos injustos e neste sentido fará referência ao “anel de Giges”.
Contrapondo estas três formas individuais de justiça, Sócrates apresenta uma forma geral: o equilíbrio interno (harmonia). A cidade ideal mostra-se com a mesma estrutura interna presente na alma de cada cidadão, pois a justiça é precisamente esta norma ordenadora, sendo que seu fundamento último é a idéia de bem. Para bem conviver na pólis é mister que o interesse desta esteja acima dos interesses individuais. Não possuindo propriedade, os guardiões da cidade estarão livres de interesses pessoais e dedicar-se-ão ao bem da cidade e não explorarão aqueles que a sustentam. A unidade da cidade não é ameaçada pela divisão de classes. Cada um, na medida em que ocupa sua função, contribuirá para que a cidade se torne unida e não múltipla (423d) e assim a cidade, perfeitamente boa, se descobrirá justa. Que cada um cumpra com seu ofício o mais perfeitamente possível sem se imiscuir no bom cumprimento do ofício dos outros (433a – 434c).
Assim como o homem possui três almas (vegetativa, desiderativa e intelectiva) a cidade possui três classes (econômica, guerreiros e magistrados). As virtudes cívicas correspondentes à estas classes são a temperança, a coragem e a sabedoria. O magistrado governa, os guerreiros protegem e a classe econômica sustenta a cidade. Nesta harmonia entre as classes encontra-se a justiça. A desordem é a injustiça e a harmonia a justiça (434c). O indivíduo que possuir em suas almas as três virtudes será justo. A justiça, portanto, é apresentada como proceder bem com os outros durante toda a vida. E é justamente este conceito que nos permite ligar este tema presente em Platão com as idéias de seu discípulo Aristóteles, desenvolvidas na obra Ética à Nicômaco, uma vez que podemos entender como “proceder bem com os outros” uma forma de “sabedoria prática” (fronesis, capacidade de bem agir, bem proceder).
Nesta última obra encontraremos uma íntima relação entre virtude (qualidade moral) e felicidade. Para Aristóteles o homem virtuoso é um homem bom e feliz que sente prazer em agir moralmente e assim o faz espontaneamente. A virtude é uma dosagem passional, mediania, equilíbrio. No homem virtuoso desejo e razão estão presentes de forma harmônica em seu agir e ele age naturalmente bem, espontaneamente.
Aristóteles começa sua obra tratando de bem e felicidade e definindo bem em si mesmo e sumo bem e apontando a virtude como um bem em si mesmo (a virtude tem um bem intrínseco em si e é moralmente qualificada). Já o sumo bem é a felicidade e ela depende de vários “bem em si mesmo”, e também de outros meios. A felicidade é um conjunto organizado de bens que visa a auto-realização do ser humano. O bem em si mesmo é um fim, a felicidade (sumo bem) não é um fim, mas uma atividade da alma. É a realização da natureza suprema do homem, dado que o sujeito pode buscar a virtude e algo mais, mas não pode buscar a felicidade e algo mais, pois a felicidade é um bem dominante entre os outros (fim inclusivo).
Aristóteles admite flutuações nas ações virtuosas, ou seja, nem sempre a virtude é um bem, pois o excesso de virtude pode resultar em algo que não representa um bem (por exemplo: o excesso de coragem pode transformar-se em temeridade). O bem existe por convenção e não por natureza, o que é bom só o é porque alguém o qualifica como bem. O bom cidadão o é em relação à constituição a que está sujeito; o bom homem o é independente de constituição, pois delibera segundo a sabedoria prática (trata-se de uma virtude que nasce da experiência, do cálculo, do ensino).
O homem não pode ser feliz só por sua vontade, indiferente ao mundo, imune às calamidades; não é só por disposição interna que o homem alcança a felicidade, mas está também suscetível aos fatores externos, à influência do ambiente em que se encontra. Embora possa o homem, mesmo perdendo sua felicidade, jamais deixar de ser virtuoso (Príamo [1101a] seria o exemplo do homem vitimado pelas circunstâncias da vida, o qual perde a felicidade, mas não deixa de ser virtuoso). Posso pensar a virtude sem felicidade, mas não posso pensar a felicidade sem virtude. Felicidade não é bem estar, é bem viver.
Existe uma pluralidade de bens (razão, honra, prazer, etc.) que nos ajudam a sermos felizes, porém o principal deles é a virtude. A felicidade é uma atividade da alma que consiste em estar atento aos bens e organizá-los, mas ela mesma não deve ser contada como um bem entre os outros, pois, como já se disse, ela é o sumo bem.
Pelo que foi acima exposto percebemos que a moral (eudaimonista) aristotélica não é intelectualista, mas encontra-se na harmonia entre razão e paixão. Agir com razão é agir moralmente e não agir racionalmente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

As ONG's querem mesmo proteger os índios de Roraíma?

Principais índios protegidos pelo Conselho Indígena de Roraíma e ONGs estrangeiras em Roraima:
- Índios NIÓBIO e TÂNTALO - Sem os quais é impossível a indústria aero-espacial, e só o Brasil o possui (98%).
- Índio OURO - A maior jazida do planeta se encontra em Roraima.
- Índios URÂNIO E TÓRIO: Enorme quantidade em Roraima, para combustível e armas nucleares, que em breve retomaremos o que foi sabotado na década de 80.
- Índia DIAMANTE: Roraima é riquíssima nessas jóias.
- Índios ALUMINIO E TITÂNIO: Sem os quais a metalurgia atual retorna à idade do ferro.
Os demais índios existentes por lá, são na verdade inúteis para as ONGs estrangeiras, servindo apenas de camuflagem para os seus reais interesses no Brasil.
Esses índios acima, o mundo todo os quer…

(Fonte: http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=4303)

sábado, 11 de outubro de 2008

A filosofia e a vida

Por mais que a filosofia seja uma disciplina abstrata, ela trata de realidades concretas, se detém em problemas que dizem respeito à vida, ao cotidiano do homem. Os filósofos, sobretudo, os gregos deram início ao filosofar na tentativa de entender o mundo e a realidade que os cercava.
Quando Aristóteles constrói seu sistema filosófico, não o faz por pura especulação ou divagação mental, mas sim para responder questões pertinentes à sociedade, à cultura e ao mundo da época.
Desta forma, também a abordagem que ele faz na Metafísica, capítulo X do livro lâmbda, é em busca de solução para um problema real, concreto e situado. Seguindo a idéia deste capítulo podemos dizer que a relação entre o conceito de substância e o conceito do bem e do mal está no fato de que tudo no universo tem o seu lugar, e de forma harmoniosa está ordenado para um único fim.
Cada coisa tem a sua própria natureza e o telos de cada uma é viver segundo esta natureza. Então qual seria a natureza do homem? Qual seria o seu telos? O homem é, por natureza, um animal racional e político, ele tem de viver segundo esta natureza, ou seja, se é um animal político tem de viver na pólis, em comunidade e não isolado; e sendo um animal racional deve fazer uso da razão.
Para que o homem possa viver na pólis, ou em sociedade, ele necessita de um sistema que estabeleça uma relação, a mais harmoniosa possível, com vistas a favorecer o bem viver. O sistema que vai estabelecer esta relação é o sistema político. Em outras palavras, o sistema político tem por finalidade estabelecer as normas que levam o homem a viver bem na cidade ocupando-se das coisas da cidade e vivendo em harmonia com seus concidadãos.
As normas que devem conduzir o homem ao bem viver, são criadas e acompanhadas pela ética e tem como intuito principal favorecer o bem e afastar o mal. E aqui entendemos o bem como o viver harmonioso, cada qual segundo a sua natureza e o mal, o seu contrário, o caos. Percebe-se claramente porque ética e política não se separavam nesta época.
Assim, podemos entender substância como sendo o quid, o substrato de cada coisa, a sua natureza, aquilo para a qual ela foi feita, aquilo para a qual ela existe, a sua finalidade. Cada ser tem sua substância, tem sua natureza, seu telos. E todos devem desempenhá-la de forma harmônica. A natureza do ser humano é viver em sociedade, fazendo uso da razão com vistas ao bem individual e coletivo. Procurar entender o mundo e transformá-lo num mundo cada vez melhor está implícito na condição racional de cada ser humano. A razão é inquieta e procura as causas últimas. É neste sentido que a filosofia se faz a ferramenta mais eficaz para o ser humano que procura viver em profundidade.

Viver ou existir?

O universo lingüístico é muito amplo e habitualmente requer que especifiquemos nossos conceitos. Por esta razão quero esclarecer em que sentido diferenciamos os conceitos “vida” e “existência”. Vida é um conceito amplo que contempla todos os seres-vivos como já transparece na própria nomenclatura. Neste sentido o homem é possuidor de vida tanto quanto qualquer outra espécie. O mesmo já não ocorre com o conceito de “existência”, ao menos no sentido que iremos empregá-lo doravante. Existir significa projetar a vida, significa ser o artífice dos seus próprios atos, planejá-los e executá-los com fins pré-determinados. Existir é bem mais do que simplesmente viver, é dar um sentido à própria vida, é não ser objeto da vida, mas sujeito ativo de sua autoconstrução tomando o destino nas mãos e dando-lhe rumo.
Este processo requer domínio de si e acima de tudo requer autonomia da vontade e autonomia racional. Um sujeito que vive sob estruturas de dominação está condenado a viver sem jamais existir. Torna-se instrumento de um sistema que pensa-o como objeto destinado a produzir e gerar riquezas para os detentores dos meios de produção ou então como ávido consumidor de mercadorias, em sua grande maioria supérfluas, produzidas tão somente com o intuito de inflacionar as altas cifras da classe dominante, como se a vida humana valesse menos que o saldo bancário. Satisfazer as necessidades básicas é um privilégio, porém o sistema cria a todo instante, e de forma muito sutil, novas “necessidades básicas”, levando o homem a não satisfazer-se jamais.
Na raiz desta relação está o trabalho. O homem se realiza em seu trabalho na medida em que este é reflexo de si mesmo e também possibilidade de fazer parte deste mundo de consumismo rumo a comodidades cada vez mais atraentes. O homem sem trabalho é um homem sem identidade, sem perspectivas, aquém dos demais, condenado à marginalidade da sociedade, pois, é com o fruto do seu trabalho que o homem consegue satisfazer suas necessidades e conquistar o seu espaço. Para o trabalhador o seu trabalho é fonte de sobrevivência e possibilidade de progresso, enquanto para o patrão fonte de enriquecimento. Pelo trabalho o homem deveria conquistar sua liberdade, mas a estrutura vigente sufoca esta liberdade transformando-o num objeto dentro de uma estrutura de competitividade onde o outro passou de aliado à ameaça.
Desta forma, poderíamos afirmar que no trabalho há a possibilidade de uma dupla dimensão: o homem pode se auto-realizar - na medida em que exterioriza o seu eu, como também pode se escravizar - na medida em que é transformado em objeto, instrumento e não consegue transcender esta relação. Dito de outra forma, por um lado, se faz necessário que o homem se encontre e se identifique com sua atividade e que fortaleça este aspecto de forma a sufocar cada vez mais o aspecto que o aliena de sua auto-transcendência manifesta nas suas obras; e por outro lado é preciso que o homem resista a toda forma de opressão imposta pelo trabalho sem, contudo, tornar-se vítima de sua resistência se marginalizando do mercado de trabalho.
Para que isto possa ocorrer é necessário que haja consciência desta dupla dimensão, conhecimento de sua estrutura de funcionamento, intenção de superação desta estrutura e, ousaríamos afirmar, que haja resignação por parte da classe trabalhadora como um todo, pois só assim seriam abaladas as estruturas injustas desta sociedade que nos é apresentada.
Dentre as muitas necessidades apresentadas ao homem, salientamos uma delas: a necessidade de o homem ser dono de si. O homem que não pensa e não age por si, não pode ser livre e feliz. Nem mesmo poderia ser chamado de homem em sentido restrito, pois, se entendermos o homem tão somente como um animal racional, não poderíamos afirmar que um ser que não reflete por si, seja homem. Este pensamento pode parecer radical, mas tem seu espaço dentro da lógica da instrumentalização do homem. Contudo, o homem tem outra esfera que não pode ser jamais esquecida que é a esfera dos sentimentos, da emoção, da sensibilidade, da afetividade. E, acredito que esta esfera sofre ainda muito mais os impactos do mundo do trabalho, pois o homem sente-se diminuído por sua luta inglória de conquistas no mundo do trabalho quando não consegue o desempenho, muitas vezes mirabolante, propostos pelo mercado de trabalho. Sente-se incapaz, mesquinho, inútil, pois o mercado consegue disseminar a idéia que o mundo pode ser conquistado pelos mais aptos. Isto significa dizer que as estruturas injustas são postas como fluxo normal do mercado de trabalho e que se houver alguma falha, esta não é do modelo apresentado, mas do indivíduo que a ela não consegue responder, não consegue se adaptar.
Como transpor esta barreira? Estudando o sistema e vendo-o como “um” sistema tão somente e não como “o” sistema; interando-se da evolução do mundo do trabalho e salientando nele o seu aspecto libertador e não o aspecto opressor; fortalecendo as relações no mundo do trabalho a fim de superar o individualismo e a indiferença entre as classes trabalhadoras e, por fim, dando ao trabalho um significado digno de quem tem nas mãos as rédeas da vida e transforma sua vida em existência e não apenas em sobrevivência.

O homem é bom ou mal, por natureza?

Todos nós queremos viver conforme pensamos, mas não pensamos conforme queremos. Nossos pensamentos trazem consigo uma infinidade de influências e são frutos de muitas situações que chegam até nós sem o nosso prévio consentimento. Trazemos a carga genética de nossa hereditariedade, trazemos influências da gestação de nossa mãe, trazemos traços do ambiente onde crescemos e da maneira que fomos educados (ou domesticados), trazemos resquícios da personalidade e do “jeitão” de nossos pais, irmãos, tios, vizinhos, colegas de estudo e de trabalho, trazemos influências dos meios de comunicação, das idéias que a sociedade define como valiosas, enfim vivemos da maneira que os outros querem que vivamos (lembre-se do Mito da Caverna, livro VII, da República de Platão) e achamos que estamos vivendo de acordo com nossos pensamentos, acreditando ter autonomia sobre nossa vida, pensamentos e ações. Ortega y Gasset nos diz que o homem é ele e suas circunstâncias e Schopenhauer nos diz que o homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.
Outro dado relevante, para o assunto em questão é a consistência de nossos pensamentos. Quantas vezes ouvindo um político de um partido qualquer acabamos concordando com seu discurso, mais tarde ouvindo outro de um partido adversário também damos razão a este último. Quantos de nós, ao termos os primeiros contatos com filosofia e aprendermos algo de Platão concordamos com ele numa série de pontos, mais adiante conhecendo Aristóteles acabamos concordando com Aristóteles nos mesmos pontos que ele discordava de Platão. E isto se repete com racionalismo e empirismo, assim como vemos coerência nos conceitos de Descartes e mais adiante concordamos com Kant e depois com Hegel e por fim pensamos: como posso concordar com todos se eles discordam entre si? Outras vezes nos vemos discordando de tudo, da ciência, da religião, dos meios de comunicação, de nossos amigos e, há até, algumas vezes, discordando de nós mesmos e nos perguntando: como fui agir desta maneira, nem eu me entendo?
Com isto podemos dizer que a questão da antropologia natural, que de um lado vê a maldade implícita na natureza humana e de outro lado a vê como sendo boa, têm, ambas, as suas razões e se torna difícil estabelecer um parâmetro de referência que possibilite uma análise o mais imparcial possível.
Faz-se necessário levar em conta, antes de qualquer coisa, a história pessoal de cada pensador, que defende uma ou outra posição, bem como o contexto, a realidade de ambos. Certa vez um professor afirmou que pensamos com as nádegas e após nossas gargalhadas ele retomou sério o seu discurso e esclareceu: quando sento na cadeira do diretor, penso como diretor; ao sentar-se na cadeira do empregado, penso como o empregado. Certamente nenhum dos pensadores tomou a posição que tomou sem ter sofrido influências externas e com certeza cada um tinha em mente homens (ou naturezas concretas, através das quais chegaram a idéia universal) diferentes, os quais serviram de protótipos para suas análises.
Vejamos Hobbes. Para ele, a primeira lei natural do homem é a da autopreservação, que o induz a impor-se sobre os demais; por isso, a vida seria uma "guerra de todos contra todos", na qual "o homem é o lobo do homem".
De outro lado vemos John Locke, o qual nasceu numa família anglicana de tendências puritanas, estudou humanidades, interessou-se pelas ciências da natureza e pela medicina. Locke usufruiu todo tipo de honraria e consideração, o que lhe permitiu dedicar-se à publicação de suas obras.
A aceitação que um e outro tiveram pela sociedade da época foi diferente e, portanto, é de se esperar uma diferença entre a maneira de cada um deles compreender a realidade, assim como aconteceu com Hume, Montesquieu, Rousseau, e outros.
Se optar por uma determinada concepção, logicamente sou levado a isto pela maneira que concebo o mundo. Porém, tendo de viver conforme penso, ou seja, construir minha autonomia, vejo a natureza boa do homem como sendo a que mais corresponde à ordem natural do mundo. Todas as criaturas têm em si um telos, uma finalidade. A própria natureza vegetal e animal busca desempenhar esta finalidade da melhor forma possível, caminhando para a perfeição e a perfeita harmonia. Sendo o homem, o animal mais desenvolvido, mais capaz, o único que se privilegia da razão, porque teria ele, e somente ele, de fugir desta ordem natural estabelecida no mundo? Tudo evolui para um sentido bom, todas as coisas procuram a preservação da vida e da espécie, somente o homem já traria consigo uma ordem má? E se o homem buscasse o mal, não procuraria o mal para si, mas para o outro e somente procuraria este mal, pensando no bem dele, então o homem não seria de todo mal, ele seria bom para consigo mesmo.
A maior prova que o homem nasce bom está no homem quando nasce. Ele é incapaz de fazer o mal. É na convivência com os maus que, muitas vezes, se acaba assimilando aquele comportamento. Porém, aqui vale observar, que nem sempre o convívio com os maus corrompe os bons. Temos vários exemplos de homens que foram vítimas do mal e conseguiram superar isto de uma forma sublime. Se o mal persiste deve-se ao comodismo dos bons (Leão XIII).
Apesar de parecer que trato de um tema geral abordando comportamentos individuais, no fundo o que quero resgatar é a natureza concreta do ser humano. Poderíamos, seguindo a linguagem tecnológica e industrial, afirmar que se alguém é mau, é por um “defeito de fábrica” e não de uma “característica do produto”.
Sendo que o homem é ele e suas circunstâncias (Ortega y Gasset), ele poderá ser conduzido a viver como lobo ou como anjo, uma vez que não se pode querer o que se quer. Mas, acredito que o bem sempre há de prevalecer, pois assim como a treva some quando a luz se faz presente, o mau some quando o bom prevalece.

Eros e Psique

(Este mito encontra-se no livro Asno de Ouro, de Lucius Apuleio, escrito no século II d.C.)

Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era extremamente bela. Sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.
Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, ao ver sua beleza, Eros apaixonou-se profundamente.
O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, pois suas outras filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha. Através desse oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse sua filha ao topo de uma solitária montanha, onde seria desposada por uma terrível serpente. A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e abandonada por seu pesarosos parentes e amigos. Conformada com seu destino, Psique foi tomada por um profundo sono, sendo, então, conduzida pela brisa gentil de Zéfiro a um lindo vale.
Quando acordou, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Notou que lá deveria ser a morada de um deus, tal a perfeição que podia ver em cada um dos seus detalhes. Tomando coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz.
Chegando a escuridão, foi conduzida pelos criados a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou. Logo em seguida, sentiu mãos humanas acariciarem seu corpo. A esse amante misterioso, ela se entregou.. Quando acordou, já havia chegado o dia e seu amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.
Enquanto isso, suas irmãs continuavam a sua procura, mas seu esposo misterioso a alertou para não responder aos seus chamados. Psique sentindo-se solitária em seu castelo-prisão, implorava ao seu amante para deixá-la ver suas irmãs. Finalmente, ele aceitou, mas impôs a condição que, não importando o que suas irmãs dissessem, ela nunca tentaria conhecer sua verdadeira identidade.
Quando suas irmãs entraram no castelo e viram aquela abundância de beleza e maravilhas, foram tomadas de inveja. Notando que o esposo de Psique nunca aparecia, perguntaram maliciosamente sobre sua identidade. Embora advertida por seu esposo, Psique viu a dúvida e a curiosidade tomarem conta de seu ser, aguçadas pelos comentários de suas irmãs.
Seu esposo alertou-a que suas irmãs estavam tentando fazer com que ela olhasse seu rosto, mas se assim ela fizesse, ela nunca mais o veria novamente. Além disso, ele contou-lhe que ela estava grávida e se ela conseguisse manter o segredo ele seria divino, porém se ela falhasse, ele seria mortal.
Ao receber novamente suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. Suas irmãs ficaram ainda mais enciumadas com sua situação, pois além de todas aquelas riquezas, ela era a esposa de um lindo deus. Assim, trataram de convencer a jovem a olhar a identidade do esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso.
Assustada com o que suas irmãs disseram, escondeu uma faca e uma lâmpada próximo a sua cama, decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, matá-lo. Ela havia esquecido dos avisos de seu amante, de não dar ouvidos a suas irmãs.
A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.
Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo: "Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos pareces preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita."
Quando se recompôs, notou que o lindo castelo a sua volta desaparecera, e que se encontrava bem próxima da casa de seus pais. Psique ficou inconsolável. Tentou suicidar-se atirando-se em um rio próximo, mas suas águas a trouxeram gentilmente para sua margem. Foi então alertada por Pan para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.
Por sua vez, quando suas irmãs souberam do acontecido, fingiram pesar, mas partiram então para o topo da montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá chegando, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueram no céu, e elas caíram no despenhadeiro, morrendo.
Psique, resolvida a reconquistar a confiança de Eros, saiu a sua procura por todos os lugares da terra, dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu uma grande bagunça de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto. Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, colocando cada coisa em seu lugar. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe:
- "Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece."
Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.
Primeiramente, deveria, antes do anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou seu exército a isolar cada uma das qualidades de grão.Como 2ª tarefa, Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.
Sua 3ª tarefa seria subir ao topo de uma alta montanha e trazer para Afrodite uma jarra cheia com um pouco da água escura que jorrava de seu cume. Dentre os perigos que Psique enfrentou, estava um dragão que guardava a fonte. Ela foi ajudada nessa tarefa por uma grande águia, que voou baixo próximo a fonte e encheu a jarra com a negra água.
Irada com o sucesso da jovem, Afrodite planejou uma última, porém fatal, tarefa. Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco de sua própria beleza, que deveria guardar em uma caixa. Desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo. A torre porém murmurou instruções de como entrar em uma particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a:
- "Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais."
Seguindo essas palavras, conseguiu chegar até Perséfone, que estava sentada imponente em seu trono e recebeu dela a caixa com o precioso tesouro. Tomada porém pela curiosidade em seu retorno, abriu a caixa para espiar. Ao invés de beleza havia apenas um sono terrível que dela se apossou.
Eros, curado de sua ferida, voou ao socorro de Psique e conseguiu colocar o sono novamente na caixa, salvando-a. Lembrou-lhe novamente que sua curiosidade havia novamente sido sua grande falta, mas que agora podia apresentar-se à Afrodite e cumprir a tarefa. Enquanto isso, Eros foi ao encontro de Zeus e implorou a ele que apaziguasse a ira de Afrodite e ratificasse o seu casamento com Psique. Atendendo seu pedido, o grande deus do Olimpo ordenou que Hermes conduzisse a jovem à assembléia dos deuses e a ela foi oferecida uma taça de ambrosia. Então com toda a cerimônia, Eros casou-se com Psique, e no devido tempo nasceu seu filho, chamado Voluptas (Prazer).

Fonte: http://www.angelfire.com/la/psique/mito.html

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sugestões de vídeos

1 - O que é filosofia, com Paulo Ghiraldelli Jr.
http://br.youtube.com/watch?v=fGxrFw9RBQk

2 – O mito da caverna
http://br.youtube.com/watch?v=dpaNMe47Vog

3 – O mito da caverna hoje
http://br.youtube.com/watch?v=WkWQ6jB3jm0

4 - Para que serve a filosofia
http://br.youtube.com/watch?v=W6LjvmzIb7I

5 – Futebol dos filósofos (comédia do grupo inglês Monty Phyton)
http://br.youtube.com/watch?v=moWZm66J_yM

O Mito da Caverna

Extraído de "A República" de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291
SÓCRATES – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto. Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos bonecos maravilhosos que lhes exibem.
GLAUCO - Imagino tudo isso.
SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos que se
elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.
GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!
SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?
GLAUCO - Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.
SÓCRATES - E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as sombras?
GLAUCO - Não.
SÓCRATES - Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?
GLAUCO - Sem dúvida.
SÓRATES - E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam, não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?
GLAUCO - Claro que sim.
SÓCRATES - Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das figuras que desfilaram.
GLAUCO - Necessariamente.
SÓCRATES - Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.
Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam ante os olhos, o obrigasse a dizer o
que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?
GLAUCO - Sem dúvida nenhuma.
SÓCRATES - Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se o tirassem depois dali, fazendo-o subir pelo caminho áspero e escarpado, para só o liberar quando estivesse lá fora, à plena luz do sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais?
GLAUCO - A princípio nada veria.
SÓCRATES - Precisaria de algum tempo para se afazer à claridade da região superior. Primeiramente, só discerniria bem as sombras, depois, as imagens dos homens e outros seres refletidos nas águas; finalmente erguendo os olhos para a lua e as estrelas, contemplaria mais facilmente os astros da noite que o pleno resplendor do dia.
GLAUCO - Não há dúvida.
SÓCRATES - Mas, ao cabo de tudo, estaria, decerto, em estado de ver o próprio sol, primeiro refletido na água e nos outros objetos, depois visto em si mesmo e no seu próprio lugar, tal qual é.
GLAUCO - Fora de dúvida.
SÓCRATES - Refletindo depois sobre a natureza deste astro, compreenderia que é o que produz as estações e o ano, o que tudo governa no mundo visível e, de certo modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
GLAUCO - É claro que gradualmente chegaria a todas essas conclusões.
SÓCRATES - Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram?
GLAUCO - Evidentemente.
SÓCRATES - Se na caverna houvesse elogios, honras e recompensas para quem melhor e mais prontamente distinguisse a sombra dos objetos, que se recordasse com mais precisão dos que precediam, seguiam ou marchavam juntos, sendo, por isso mesmo, o mais hábil em lhes predizer a aparição, cuidas que o homem de que falamos tivesse inveja dos que no cativeiro eram os mais poderosos e honrados? Não preferiria mil vezes, como o herói de Homero, levar a vida de um pobre lavrador e sofrer tudo no mundo a voltar às primeiras ilusões e viver a vida que antes vivia?
GLAUCO - Não há dúvida de que suportaria toda a espécie de sofrimentos de preferência a viver da maneira antiga.
SÓCRATES - Atenção ainda para este ponto. Supõe que nosso homem volte ainda para a caverna e vá assentar-se em seu primitivo lugar. Nesta passagem súbita da pura luz à obscuridade, não lhe ficariam os olhos como submersos em trevas?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se, enquanto tivesse a vista confusa -- porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade -- tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior, cegara, que não valera a pena o esforço, e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?
GLAUCO - Por certo que o fariam.
SÓCRATES - Pois agora, meu caro GLAUCO, é só aplicar com toda a exatidão esta imagem da caverna a tudo o que antes havíamos dito. O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que
o queres saber, é este, pelo menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quanto à mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, a qual só com muito esforço se pode conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios particulares e públicos.

Conflito de gerações

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:
1) Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.
2) Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.
3) Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.
4) Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.
Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases. Então, revelou a origem delas:
- A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.);
- A segunda é de Hesíodo (720 a.C.);
- A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.; E a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia (Atual Bagdá) e tem mais de 4000 anos de existência.

A carta do cacique Seattle

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinquenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:
"Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A idéia não tem sentido para nós. Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.
Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.
A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.
Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender. Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.
Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento.
Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.
Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.
Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.
O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos.
Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus. Podeis pensar hoje que somente vós o possuis, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.
Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos. Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.
Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver." Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."

Uma história real de droga e sofrimento

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no, momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga para escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. Eu era uma jovem "sarada", criada em uma excelente família de classe média alta Florianópolis. Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal e procurou sempre para mim e para Meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem de melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de Floripa",Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas,física e mentalmente.
Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OCTOBERFEST em Blumenau.Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no "Bude", famoso barzinho da Rua XV.À noite fomos ao "PROEB" e no "Pavilhão Galego"tinha um show maneiro da Banda Cavalinho branco.Aquela movimentação de gente era trimaneira"". Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia de OCTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira"doidona",beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os "meganha", porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os otários" não percebiam. Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar.Quando fui ao apartamento quase "vomitei as tripas",mas o meu grito de liberdade estava dado. No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré-menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S. Paulo,que alugaram um "ap" no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.
Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30 h da manhã fomos ao "ap" dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado "Cigarro de Maconha", que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de "Catarina careta", mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o "César", fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem naquele dia.Retornamos a "Floripa" mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino "DROGAS". Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o pó.
No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a "branca" a R$ 7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no mínimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus "novos amigos". Às vezes a gente conseguia o "extasy", dançávamos nos "Points" a noite inteira e depois farra. O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida.
Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem.Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação.
Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.
Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha.
Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família, amigos, pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo.Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los. Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo.
Estou internada, com 24 kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca... Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim. OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e a enfermeira Danelise, que cuidava de Patrícia, veio a comunicar que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde depois que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS.
Por favor, repassem esta carta. Este era o Último desejo de Patrícia.
POR FAVOR AMIGOS, PEÇO-LHES ENCARECIDAMENTE QUE ENVIEM ESSA CARTA A TODOS. SE ELA CHEGOU A SUA MÃO NÃO É POR ACASO! SIGNIFICA QUE VOCÊ FOI ESCOLHIDO PARA AJUDAR ALGUÉM!