domingo, 28 de outubro de 2012

Escola de Frankfurt


ESCOLA DE FRANKFURTTEORIA CRÍTICA
                     Histórico
1923 –  abertura do Instituto de Pesquisa Social, por Félix Weil, filiado à Universidade de Frankfurt.
1930 -   Max Horkheimer assume a direção do Instituto.
1933 – o Instituto (Escola de Frankfurt) é fechado pelo Estado nazi, que considera suas atividades hostis ao Estado.
Os principais membros da Escola emigram para Paris e, posteriormente,  para Nova Iorque.
1940 -  Nos Estados Unidos, é criado o Institute of Social Research.
1950 -  O Instituto de Pesquisa Social é reaberto na Alemanha.
                     Principais teóricos

Theodor Adorno
Max Horkheimer
Herbert Marcuse
Walter Benjamin
Jürgen Habermas  


TEORIA CRÍTICA: PROPOSTAS GERAIS
                     Os frankfurtianos elaboram uma teoria crítica das sociedades contemporâneas, especificamente dos desdobramentos do capitalismo aliado à técnica e aos seus impactos sobre a vida dos indivíduos.
                     Analisam o sistema da economia de mercado, abordando questões como: desemprego, crises econômicas, terrorismo, anti-semitismo, condição global das massas, mercantilização da cultura.  
                     Propõem temáticas novas através da análise de fenômenos superestruturais e do comportamento coletivo nas sociedades capitalistas industrializadas.
                     Em nome da racionalização, os processos sociais são dominados pela ótica da ciência aliada à técnica, traduzida como racionalidade da dominação da natureza para fins lucrativos.      
                     Denunciam a separação e oposição do indivíduo em relação à sociedade.
                     Criticam a dominação dos indivíduos nos Estados  capitalista e fascista.
                     Apontam o positivismo como estratégia de manutenção e reprodução do status quo.
                     Defendem a atividade reflexiva como solução da reorganização  racional da sociedade, embora não apresentem soluções práticas para os impasses engendrados pelo capitalismo aliado à industrialização.
                     As teses postuladas pelos frankfurtianos enfatizam o papel central que a ideologia desempenha em formas de comunicação nas sociedades urbanas modernas. E apontam a mídia como agente da barbárie cultural, veículos propagadores da ideologia das classes dominantes, imposta às classes subalternas pela persuasão ou manipulação.
                     Entendem as pesquisas setoriais e a mídia como instrumentos de manutenção do sistema, através da reprodução de modelos e valores sociais.  

Indústria Cultural
                     Expressão utilizada por Adorno e Horkheimer na Dialética do Iluminismo (1947) no capítulo, “A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação das Massas”, em substituição do termo “cultura de massas”, para designar a produção e difusão de bens simbólicos em escala industrial.
                     Para Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural, como subsistema da sociedade capitalista, reproduz a sua ideologia e estrutura.
                     A Indústria Cultural configura produtos veiculados pelos mass media. Portanto, não designa peças culturais provindas da elite nem da população menos favorecida.
                     As reflexões de Adorno e Horkheimer se assentam na constatação de que a sociedade industrial não realizou as promessas do iluminismo humanista. Pois o desenvolvimento da técnica e da ciência não trouxe um acréscimo de felicidade e liberdade para o Homem.
                     Ao invés de libertar o Homem, o progresso da técnica acabou por escravizá-lo, alienando-o.
                     A reprodutibilidade técnica retirou, tanto da cultura popular, como da cultura erudita, o seu valor real. O resultado, a indústria cultural, não conduz à experiência libertadora da fruição estética.
                     O princípio da reprodução deformaria a obra, nivelando-a por baixo. Por exemplo: adaptações de livros a filmes, que são adocicadas para se tornar mais apetecíveis ao consumo.
                     Para os frankfurtianos, os produtos da Indústria Cultural teriam 3 funções:
(1)                Ser comercializados;
(2)                Promover a deturpação e a degradação do gosto popular;
(3)                Obter uma atitude passiva dos consumidores.

Críticas à Indústria Cultural
                     “Aquilo que a indústria cultural oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas sempre diferentes, de algo que é sempre igual” (Adorno, 1967, 8).
                     O sistema condiciona o tipo, a qualidade e a função do consumo na sociedade.
                     A indústria cultural provoca a homogeneização dos padrões de gosto.
                     O indivíduo deixa de decidir autonomamente. O conflito soluciona-se com a adesão acrítica de valores impostos.
                     À medida que a indústria cultural se consolida, mais adquire poder sobre as necessidades do consumidor, guiando-o e disciplinando-o. “O consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer crer, não é o sujeito, mas o seu objeto” (ADORNO, 1967, p. 6).
                     A individualidade é substituída pela pseudo-Individualidade. A ubiquidade[1], a repetitividade e a estandardização da indústria cultural  fazem da moderna cultura de massa um meio de controle inédito. 
                     O espectador não deve agir pela sua própria cabeça: o produto prescreve todas as reações: não pelo seu contexto objectivo que desaparece mal se volta para a faculdade de pensar – mas através de sinais. Qualquer conexão lógica que exija perspicácia intelectual, é escrupulosamente evitada (Horkheimer; Adorno, 1947: 148).
                     “A sociedade é sempre a vencedora e o indivíduo não passa de um fantoche manipulado pelas normas sociais” Adorno apud Wolf (1994, 77).
                     Os produtos da indústria cultural paralisam a imaginação e a espontaneidade, impedindo a atividade mental do indivíduo.
                     A indústria cultural reflete o modelo do mecanismo econômico, que domina o tempo de trabalho e de lazer.
                     A estrutura multiestratificada das mensagens reflete a estratégia de manipulação da indústria cultural.
                     A recepção das mensagens da mídia escapam ao controle da consciência. O espectador absorve ordens, indicações, proibições, sem senso crítico.
                     Uma das estratégias de dominação da indústria cultural é a estereotipização, modelos simplificados indispensáveis para organizar e antecipar as experiências humanas.
                     A divisão dos produtos em gêneros conduz ao desenvolvimento de formas fixas e  impõe modelos estabelecidos de expectativas.
                     Os sujeitos encontram-se privados da verdadeira compreensão da realidade e da experiência de vida pelo uso constante de óculos esfumaçados, oferecidos pelo sistema através da indústria cultural.
                     O espectador olha (...) tudo se desenrola diante dos seus olhos, mas ele não pode tocar, aderir corporalmente àquilo que contempla. Em compensação, o olho do espectador está em toda a parte (...) sempre vê tudo em plano aproximado (...) mesmo o que está mais próximo está infinitamente distante da imagem, sempre presente, é verdade, nunca materializada. Ele participa do espectáculo, mas a sua participação é sempre pelo intermédio do corifeu (diretor de coros), mediador, jornalista, locutor, fotógrafo, cameraman, herói imaginário” (Edgar Morin, Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo, p. 74).



[1] Ao mesmo tempo em toda parte.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CARTA DE ABRAHAM LINCOLN AO PROFESSOR DO SEU FILHO

(Se a carta é mesmo de Abraham Lincoln não sei, mas sei que é uma boa mensagem para reflexão).
"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."
Abraham Lincoln, 1850

sábado, 28 de julho de 2012

ÁGUA PROS BISNETOS
Terceira Dimensão
Já enlataram o milho, o peixe, a carne e a água de tomar
Tão cobrindo as verduras, encapando os gansos que é pra não contaminar
Tão metendo veneno em tudo deixa eu só te perguntar
Pra onde vai esse veneno todo, pra quem é esse veneno todo
Vai de presente pros bisnetos, vai ser a água que eles vão tomar
Tio nonato me disse que as laranjeiras não querem mais carregar
Que tá faltando o vinho, deu pouco a parreira e parece que quer pestear
Falou de um tempo louco de um tal de el niño que é pra não me preocupar
Pra onde vai esse veneno todo, pra que é esse veneno todo
Que vai ser a água que os bisnetos vão tomar
Amigo eu já to vendo e vou dizendo a coisa aonde vai parar
Vão vender ar puro em bolicho de esquina que é pra gente respirar
Trocar peça de gente, já tão trocando em qualquer lugar
Quero ver daqui uns tempos, quem vai fabricar
Que hoje fazer é fácil o problema é educar
Tava pensando amigo, se fala pros homem não vão nem acreditar
Podia rachar um pedaço só daqui pra baixo que é pra nós aqui mandar
Essas ideias boas viram papo atoa se nós não encarar
E acabar com o veneno, e mandar nessa terra
Porque se estourar guerra vamos nós e eles vão ficar.
Disponível em: http://www.cifraclub.com.br/terceira-dimensao/agua-pros-bisnetos/

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A DIFERENÇA ENTRE VENCEDORES E DERROTADOS . . . Na realidade o vencedor não é rico por que tem dinheiro, mas por ter um espírito totalmente diferente dos derrotados, a conseqüência será ter mais dinheiro. O vencedor acredita que pode moldar o seu destino. O derrotado acredita que o destino acontece. O vencedor entra no jogo do dinheiro pra ganhar. O derrotado entra no jogo do dinheiro pra não perder. O vencedor usa juros a seu favor. O derrotado usa juros contra ele mesmo, porque quer tudo para agora. O vencedor se aproxima de indivíduos bem-sucedidos. O derrotado prefere amigos como ele, que passam por dificuldades financeiras e são fracassados. O vencedor diz “como posso ter isso”? O derrotado diz “não posso ter isso”. O vencedor estuda investimentos e faz planos. O derrotado diz que “não tem tempo para estas coisas”. O vencedor prefere ser remunerado pelos resultados. O derrotado prefere ser remunerado pelo tempo despendido. O vencedor foca no patrimônio líquido. O derrotado foca no rendimento mensal. O vencedor, quando sofre uma adversidade, se pergunta “como posso tirar proveito disso?”. O derrotado, na adversidade, se lamenta. O vencedor identifica os “ricos” pela sua educação financeira. O derrotado identifica o “rico” pelos bens materiais que exibe. O vencedor busca a prosperidade financeira. O derrotado confunde essa busca com falta de espiritualidade. O vencedor foca na solução. O derrotado foca no problema. O vencedor, numa compra parcelada, calcula os juros embutidos e faz contas para decidir se a compra vale a pena. O derrotado só observa o tamanho da parcela. O vencedor age apesar do medo. O derrotado fica paralisado pelo medo. O vencedor foca em oportunidades. O derrotado foca em benefícios. O vencedor pensa grande. O derrotado pensa pequeno. Se o vencedor ganha um valor, em algum tempo o patrimônio terá aumentado. Se o derrotado ganha um valor, em algum tempo o patrimônio terá desaparecido completamente. Se você tirar todo o dinheiro de um vencedor, depois de algum tempo ele estará recuperado. Se você tirar todo o dinheiro de um derrotado, ele dependerá de outras pessoas para sobreviver. O vencedor tem um plano de independência para o futuro. O derrotado acha que trabalhar até morrer e depender do governo e dos filhos é um plano razoável. O vencedor diz “posso ter as duas coisas”. O derrotado diz “posso ter isso ou aquilo”. O vencedor procura se aprimorar sempre. O derrotado acredita que já sabe tudo. O vencedor diz “que lição posso aprender com este erro?”. O derrotado diz “desde o começo eu já sabia que não daria certo”. Um VENCEDOR compromete-se, dá a sua palavra e cumpre. Um DERROTADO faz promessas, mas não “põe os pés a caminho” e quando falha só se sabe justificar. Um VENCEDOR diz: "Sou bom, mas vou ser melhor ainda". Um DERROTADO diz: "Não sou tão mau assim; há muitos piores que eu". Um VENCEDOR é PARTE DA SOLUÇÃO. Um DERROTADO é PARTE DO PROBLEMA. Um VENCEDOR consegue "ver a parede na sua totalidade". Um DERROTADO fixa-se "no azulejo que lhe cabe colocar". De que lado você está? (Desconheço o autor)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Origens da filosofia

1 Origens da Filosofia
1.1 Etimologia: philos, gostar de; sophia, sabedoria.
1.2 Criador da palavra: (?) Pitágoras (571-497 a.C.)
1.3 Significado: 1.3.1 Antigo: totalidade do saber racional;
1.3.2 Moderno: compreender e explicar o sentido último das coisas.
1.3.3 Hoje: visão racional e crítica da realidade.
1.4 Objeto de estudo: 1.4.1 Material: a realidade;
1.4.2 Formal: o modo como ela se apresenta.
1.5 As disciplinas da filosofia
1.5.1 Lógica: a exatidão do raciocínio e da linguagem;
1.5.2 Epistemologia: como se dá o conhecimento;
1.5.3 Metafísica: realidades além do mundo físico;
1.5.4 Cosmologia: a origem e a ordem do universo;
1.5.5 Ontologia: o modo de ser das coisas;
1.5.6 Ética: o valor das ações humanas;
1.5.7 Teodicéia: a religiosidade;
1.5.8 Política: a constituição da comunidade;
1.5.9 Estética: o gosto e a beleza;
1.5.10 Filosofia da ciência: o que caracteriza o pensamento científico.
(História, psicologia e sociologia).
1.6 História da filosofia
1.6.1 Antiga: 1.6.1.1 Pré-socráticos;
1.6.1.2 Sofistas;
1.6.1.3 Sócrates;
1.6.1.4 Platão;
1.6.1.5 Aristóteles;
1.6.1.6 Helenismo: 1.6.1.6.1 Cinismo;
1.6.1.6.2 Epicurismo;
1.6.1.6.3 Estoicismo;
1.6.1.6.4 Ecletismo;
1.6.1.6.5 Ceticismo;
1.6.1.7 Neoplatonismo;
1.6.1.8 Patrística.
1.6.2 Medieval: 1.6.2.1 Escolástica;
1.6.2.2 Nominalismo (universalismo);
1.6.2.3 Realismo;
1.6.2.4 Humanismo.
1.6.3 Moderna: 1.6.3.1 Racionalismo;
1.6.3.2 Empirismo;
1.6.3.3 Iluminismo;
1.6.3.4 Idealismo;
1.6.3.5 Positivismo.
1.6.4 Contemporânea: 1.6.4.1 Fenomenologia;
1.6.4.2 Existencialismo;
1.6.4.3 Marxismo;
1.6.4.4 Analíticos;
1.6.4.5 Filosofia da linguagem;
1.6.4.6 Filosofia da ciência.
1.7 Do mito à filosofia: 1.7.1 O que é mito;
1.7.2 Principais mitos.
1.8 Condições: 1.8.1 Viagens marítimas (outras culturas);
1.8.2 Calendário (prever a natureza);
1.8.3 Moeda (cálculo, valor);
1.8.4 Escrita (abstração);
1.8.5 Cidades (discurso racional);
1.8.6 Política (democracia).
1.9 Pré-socráticos: 1.9.1Jônicos (ou milésios, ou naturalistas);
1.9.2 Eleatas;
1.9.3 Ontologistas;
1.9.4 Atomistas.
1.10 Os sofistas (antropologistas)
1.11 Sócrates (470/469 – 399 a. C.)(“divisor de águas”) 1.11.1 A vida: discípulo de Anaxágoras;
1.11.2 O método: ironia e maiêutica;
1.11.3 O pensamento:
- Antropologia:supera o relativismo sofista.
- Ética: combate a aceitação passiva das normas;
a busca do conhecimento é a busca do bem, do belo e do justo verdadeiro;
- Conhece-te a ti mesmo: buscar a iluminação racional crítica interior.
Só sei que nada sei: despir-se de idéias preconcebidas e preconceitos.
Uma vida sem reflexão não merece ser vivida: não deixar que outros conduzam a nossa vida.
 Tirou a filosofia da crise gerada pelos sofistas;
 Entre 432 e 429 combateu na batalha de Potidéia;
 Em 424 participa na batalha de Délio, pela guerra do Peloponeso;
 A pitonisa revelou a Querefonte a missão de Sócrates;
 Dedicou-se exclusivamente à filosofia;
 Teve vida exemplar e eticamente irrepreensível;
 Era moderado;
 Tinha raciocínios convincentes;
 Falava bastante, mas nada escreveu;
 Preocupou-se com o homem e seu mundo: a virtude e a felicidade;
 Tem profundidade: a opinião é superficialidade e ilusão do saber;
 Filosofa dialogando e procura a essência dos conceitos;
 A virtude não nasce da riqueza, mas a riqueza nasce da virtude.
1.12 Platão - 428/427-348/347 a. C.1.12.1 A Vida:
 Nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e abastados.
 Aos vinte anos, começou estudar com Sócrates e estudou por oito anos. Estudou também os maiores pré-socráticos.
 Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides, em Mégara.
 Iniciou as viagens, e fez um vasto giro pelo mundo para se instruir (390-388).
 Visitou o Egito, a Itália meridional, onde teve ocasião de conhecer os pitagóricos (tal contato será fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento); a Sicília, onde conheceu Dionísio o Antigo, tirano de Siracusa e fez amizade com Dion, cunhado daquele.
 Caído na desgraça do tirano pela sua franqueza, foi vendido como escravo. Libertado graças a um amigo, voltou a Atenas.
 Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebre escola, que, dos jardins de Academo, onde surgiu, tomou o nome famoso de Academia.
 Ao contrário de Sócrates, interessou-se vivamente pela política e pela filosofia política. Foi assim que o filósofo, após a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas vezes - em 366 e em 361 - à Dion, esperando poder experimentar o seu ideal político e realizar a sua política utopista.
 Estas duas viagens políticas a Siracusa, porém, não tiveram melhor êxito do que a precedente: a primeira viagem terminou com desterro de Dion; na segunda, Platão foi preso por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus amigos, estando, então, Arquitas no governo do poderoso estado de Tarento.
 Voltando para Atenas, Platão dedicou-se inteiramente à especulação metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suas obras, atividade que não foi interrompida a não ser pela morte.
 Esta veio operar aquela libertação definitiva do cárcere do corpo, da qual a filosofia - como lemos no Fédon - não é senão uma assídua preparação e realização no tempo.
 Morreu o grande Platão em 348 ou 347 a.C., com oitenta anos de idade.
1.12.2 Pensamento:
 Dualista.
 É o primeiro a sistematizar o pensamento;
 Preocupa-se com a natureza e com o homem: conhecimento, política, ética, ciência, arte, etc.;
 Estabelece, junto com Aristóteles, os fundamentos da ciência;
 Tinha visão dualista: mundos das idéias (perfeito) e mundo sensível (imperfeito);
 Busca uma síntese entre ser (Parmênides) e devir (Heráclito); (Foi discípulo de Crátilo, discípulo de Heráclito).
 O dualismo se reflete em todas as áreas:
 Lógico= pensamento dialético;
 Epistemológico (reminiscência)= coisas (sensação) e idéias (intelecção).
 Psicologia= corpo e alma (o homem não tem unidade substancial, apenas acidental: três almas);
 Ético= controle racional e supressão dos instintos e paixões.
Moral platônica
 A natureza do homem é racional;
 Na razão realiza o homem a sua humanidade: a ação racional realiza o sumo bem, que é, ao mesmo tempo, felicidade e virtude.
 A natureza racional encontra no corpo um obstáculo.
 Dualismo filosófico-religioso de alma e de corpo: o intelecto encontra um obstáculo nos sentidos, a vontade no impulso, e assim por diante.
 A realização da natureza humana não consiste em disciplinar racionalmente a sensibilidade, mas na sua supressão, na separação da alma do corpo, na morte.
 Agir moralmente é agir racionalmente, e agir racionalmente é filosofar, e filosofar é suprimir o sensível, morrer aos sentidos, ao corpo, ao mundo, para o espírito, o inteligível, a idéia.
1.12.4 Política:
Sofocracia= rei filósofo (República,livro V)
Polis justa (República, livro IV)
Assim como o homem tem três almas, a polis tem três classes: trabalhadores (lavradores, artesãos e comerciantes), guerreiros e governantes. A justiça é a harmonia entre as três.
Mitos:
de Er: Psicologia e epistemologia (Rep., liv. X);
de Giges: ética (Rep., liv. II);
da caverna: Epistemologia e política (Rep., liv. VII);
da biga alada: ética e psicologia (Fedro).
DEMIURGO (= em gr. “o que produz para o povo”)
 É apresentado no Timeu (§ 28) como o artífice do mundo.
 O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no divino mundo das idéias, as quais se contrapõem à matéria obscura e incriada.
 Entre as idéias e a matéria estão o Demiurgo e as almas, através das quais desce das idéias à matéria aquilo de racionalidade que nesta matéria aparece.
 Ele contempla o mundo ideal e o reproduz, porém pressupondo a existência das formas eternas.
 É o criador da alma racional.
1.12.3 Obras:
Platão escreveu muitíssimas obras, das quais algumas se perderam. Quanto às que se conservaram, é bastante difícil atribuir-lhe uma data precisa. Estudiosos acreditam que Platão escreveu suas obras em dois períodos: umas na juventude, outras na velhice. Elas são divididas em quatro grupos. Quanto ao tempo de composição, elas corresponderiam aos quatro períodos da vida do filósofo.
Os Diálogos Socráticos
Platão expõe neles a doutrina de Sócrates.
Os principais são:
Apologia de Sócrates: autodefesa de Sócrates;
Críton: obrigação de obedecer às leis;
Íon: sobre a inspiração poética;
Lísias: sobre a amizade;
Eutífron: sobre a santidade.
Os Diálogos Polêmicos
Neles Platão combate os sofistas.
Os principais são:
Protágoras: virtude e conhecimento são a mesma coisa;
Górgias: sobre a retórica;
Crátilo: sobre a linguagem;
Mênon: sobre a virtude;
Hípias Maior: sobre a beleza.
Os Diálogos da Maturidade
Banquete: sobre o amor;
Fédon: sobre a imortalidade da alma; Fedro: sobre a retórica;
República: sobre o Estado ideal.
Os Diálogos da Velhice
Neles Platão faz a revisão crítica da doutrina das Idéias e do estado. Os principais são:
Teeteto: sobre o conhecimento;
Parmênides: defesa da teoria das idéias; Sofista: sobre a relação entre ser e não ser e outras idéias;
Política: o verdadeiro estadista é o filósofo; Filebo: relação entre o prazer e o bem;
Timeu: cosmologia, o Demiurgo;
Leis: a legislação do Estado ideal.
1.13 ARISTÓTELES (384-322 a. C.) Nasceu em Estagira, na Macedônia. Filho do médico do Rei Filipe II. Aos 17 anos muda-se para Atenas para estudar com Platão. Estuda na Academia por 20 anos, até a morte do mestre. Voltou para Macedônia e foi preceptor de Alexandre Magno (por sete anos aproximadamente). Voltou para Atenas e fundou o Liceu.
 Tem trabalhos importantes nas seguintes áreas: metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina, gramática, física e astronomia.
 Sua forma literária é o tratado (objetivo e metodológico)
 Enquanto Platão é idealista (dualista), Aristóteles é realista (a realidade é una).
1.13.1 Pensamento
 Se a realidade é única como se explica o movimento, a geração e a degeneração?
Pelas quatro causas.
 Matéria e forma: estrutura intrínseca e corpórea;
 Eficiente e final: origem e dinamismo (movimento).
 Ato (aquilo que é) e potência (a possibilidade de vir a ser): explica-se o movimento dos seres pela passagem da potência ao ato.
 O vir-a-ser é uma potência que está atuando (não é pura potência, nem potência já atuada).
1.13.2 Aristóteles teve importantes contribuições para a:
 Cosmologia: Todos os seres são constituídos de matéria e forma e o seu dinamismo se explica pelo ato e potência.
 Antropologia: O homem é substancialmente corpo (matéria) e alma (forma) e não acidentalmente.
 Metafísica: Conhecimento da essência (teleologia aristotélica), da causa última das coisas, a qual postula uma realidade espiritual: o Motor Imóvel.
 Política: A essência do Estado é possibilitar a vida feliz (objetivo da vida humana) e o bem comum.
 Ética: A realização plena do homem exige, além da contemplação (alma), também a satisfação dos sentidos (corpo).
 Estética: Há dois tipos de arte, a produção (tecné) e as imitativas. “O belo é um bem que agrada”, pela ordem, simetria e determinação; tem função pedagógica e catártica, purificam, dão serenidade.
1.13.3 Escritos sobre:
 Lógica (6)
 Metafísica (14)
 Física (29)
 Ética (19)
 Política (8)
 Poética (1)
 Retórica (1)
Principais obras:
 Ética a Nicômaco
 Organon
 Metafísica
 Política

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dez anos de Filosofia no vestibular UEL

SÍNTESE DE DEZ ANOS DE FILOSOFIA NO VESTIBULAR UEL
2003 – 20 questões
1ª Pré-socráticos – Tales de Mileto – passagem do mito à razão.
2ª Mito e filosofia.
3ª Mito e conhecimento.
4ª Democracia grega.
5ª Aristóteles – política.
6ª Hobbes – política – contratualismo.
7ª Locke – política – liberdade.
8ª O poder do Estado – música do Titãs.
9ª Platão – a concepção de sociedade justa.
10ª Aristóteles (2) – ética – virtude.
11ª Rousseau – a liberdade humana.
12ª Kant – o imperativo categórico.
13ª Características da ciência moderna.
14ª Platão (2) – o mundo das idéias.
15ª Descartes – teoria do conhecimento.
16ª Hume – teoria do conhecimento.
17ª Popper – filosofia da ciência.
18ª Platão (3) – estética – a arte.
19ª Esc. de Frankfurt – a relação arte (cinema) e política.
20ª Esc. de Frankfurt (2) – Adorno e Horkheimer – a indústria cultural.

2004 – 20 questões
1ª Pré-socráticos (2) – os físicos da Jônia.
2ª Passagem do mito à razão (2).
3ª Aristóteles (3) – política – origem natural.
4ª Aristóteles (4) – política – a democracia.
5ª Maquiavel – o poder político.
6ª Rousseau (2) – política – Estado e soberania.
7ª Spinoza – liberdade.
8ª Kant (2) – ética – autonomia da vontade.
9ª Kant (3) – ética – a questão do dever.
10ª Ética – virtude - Tugendhat.
11ª Francis Bacon – Filosofia da ciência.
12ª Galileu Galilei – Filosofia da ciência – o método científico.
13ª Descartes (2) – teoria do conhecimento – os sentidos.
14ª Hume (2) – teoria do conhecimento – causalidade.
15ª Popper (2) – epistemologia – relação com o positivismo.
16ª Filosofia da ciência – o discurso científico.
17ª Esc. de Frankfurt (3) – Adorno e Horkheimer (2) – razão instrumental.
18ª Esc. de Frankfurt (4) – Adorno e Horkheimer (3) – ciência, técnica e sociedade.
19ª Estética – arte e política.
20ª Escola de Frankfurt (5) – Benjamin – a reprodutibilidade técnica.

2005 – 20 questões
1ª Passagem do mito à razão (3).
2ª Platão (4) – política – justiça.
3ª Aristóteles (5) – ética – felicidade.
4ª Rousseau (3) – política – liberdade moral.
5ª Kant (4) – ética – o conceito de dever.
6ª Kant (5) – ética – liberdade.
7ª Maquiavel (2) – política.
8ª Hobbes (2) – política – o contrato político.
9ª Locke (2) – política – o contrato social.
10ª Rousseau (4) – política – origem da sociedade civil.
11ª Esc. de Frankfurt (6) – Habermas – política – Estados Democráticos de Direito.
12ª Francis Bacon (2) – teoria do conhecimento – crítica a Aristóteles.
13ª A relação entre filosofia e ciência.
14ª Galileu Galilei (2) – filosofia da ciência.
15ª Descartes (3) – teoria do conhecimento.
16ª Popper (3) – ciência e método científico.
17ª Esc. de Frankfurt (7) – Horkheimer – razão instrumental.
18ª Aristóteles (6) – estética.
19ª Esc. de Frankfurt (8) – Adorno e Horkheimer (4) – indústria cultural.
20ª Esc. de Frankfurt (9) – Adorno e Horkheimer (5) – indústria cultural.

2006 – 20 questões
1ª Os poemas homéricos e o nascimento da filosofia.
2ª Aristóteles (7) – política – cidadania.
3ª Hobbes (3) – política – estado de natureza.
4ª Locke (3) – política – estado de natureza.
5ª Locke (4) – política – contrato social.
6ª Kant (6) – política – direito natural.
7ª Kant (7) – política – concepção de justiça.
8ª Habermas (2) – política – legitimidade do Estado.
9ª Rousseau (5) – Política – legitimidade do poder.
10ª Aristóteles (8) – ética – concepção de justiça.
11ª Esc. de Frankfurt (10) – Habermas (3) – ética.
12ª Esc. de Frankfurt (11) – Habermas (4) – ciência e técnica.
13ª Francis Bacon (3) – filosofia da ciência.
14ª Hume (3) – epistemologia – empirismo.
15ª Platão (5) – teoria do conhecimento – concepção de verdade.
16ª Aristóteles (9) – ética – teleologia.
17ª Platão (6) – teoria do conhecimento – mímesis.
18ª Esc. de Frankfurt (12) – Benjamin (2) – estética – reprodutibilidade técnica.
19ª Esc. de Frankfurt (13) – Adorno e Horkheimer (6) – razão instrumental.
20ª Galileu Galilei (3) – concepção de ciência.

2007 – 20 questões
1ª Platão (7) – teoria do conhecimento - mímesis.
2ª Descartes (4) – teoria do conhecimento – a dúvida cartesiana.
3ª Hobbes (4) – política – contratualismo.
4ª Esc. de Frankfurt (14) – Habermas (5) – ética do discurso.
5ª Francis Bacon (4) – epistemologia – os quatro ídolos.
6ª Kant (8) – ética – a falsa promessa.
7ª Aristóteles (10) – ética – teleologia – virtude (excelência).
8ª Mito e filosofia (4).
9ª Descartes (5) – teoria do conhecimento.
10ª Aristóteles (11) – teoria do conhecimento – livro Metafísica.
11ª Hume (4) – teoria do conhecimento.
12ª Pré-socráticos (3) – Tales de Mileto (2) – passagem do mito à razão.
13ª Kant (9) – epistemologia – juízos analíticos e sintéticos.
14ª Esc. de Frankfurt (15) – Benjamin (3) – estética – aura e reprodutibilidade.
15ª Popper (4) – filosofia da ciência – métodos indutivos.
16ª Maquiavel (3) – política – qualidades do príncipe.
17ª Aristóteles (12) – ética – virtudes – justiça.
18ª Rousseau (6) – política – contratualismo.
19ª Aristóteles (13) – ética – virtudes.
20ª Spinoza (2) – ética – virtudes.

2008 – 20 questões
1ª Platão (8) – estética – educação musical.
2ª Aristóteles (14) – ética – amizade.
3ª Galileu Galilei (4) – epistemologia – método científico.
4ª Hobbes (5) – política – estado de natureza e estado civil.
5ª Descartes (6) – teoria do conhecimento – verdade: clareza e distinção.
6ª Hume (5) – epistemologia – o hábito, costume.
7ª Rousseau (7) – política – contrato social.
8ª Kant (10) – epistemologia.
9ª Popper (5) – filosofia da ciência – demarcação (falseabilidade).
10ª Esc. de Frankfurt (16) – Adorno e Horkheimer (7) – razão instrumental.
11ª Esc. de Frankfurt (17) – Habermas (6) – ética do discurso.
12ª Platão (9) e Aristóteles (15) – estética – o papel dos poetas.
13ª Aristóteles (16) – teoria do conhecimento – as quatro causas.
14ª Descartes (7) – teoria do conhecimento – proposições verdadeiras e certas.
15ª Hume (6) – epistemologia – crença e imaginação.
16ª Popper (6) – filosofia da ciência – o problema da indução.
17ª Aristóteles (17) – teoria do conhecimento.
18ª Escola de Frankfurt (18) – Adorno e Horkheimer (8) – indústria cultural.
19ª Descartes (8) – teoria do conhecimento.
20ª Aristóteles (18) – estética – a poesia.

2009 – 20 questões
1ª Platão (10) – teoria do conhecimento – o mito da caverna.
2ª Platão (11) – política – a cidade justa.
3ª Aristóteles (18) – política – a justiça na polis.
4ª Aristóteles (19) – política – origem natural do Estado.
5ª Maquiavel (4) – política – poder e moral.
6ª Hobbes (6) – política – estado de natureza.
7ª Rousseau (8) – ética – lei natural e lei positiva.
8ª Francis Bacon (5) – epistemologia – experimentação e observação.
9ª Aristóteles (20) – metafísica – teleologia.
10ª Descartes (9) – teoria do conhecimento – dúvida metódica.
11ª Descartes (10) – teoria do conhecimento – conhecimento verdadeiro.
12ª Kant (11) – ética.
13ª Esc. de Frankfurt (19) – Habermas (7) – ética do discurso – razão monológica.
14ª Esc. de Frankfurt (20) – Habermas (8) – política – democracia.
15ª Esc. de Frankfurt (21) – Habermas (9) – política – democracia e cidadania.
16ª Popper (7) – filosofia da ciência – progresso científico.
17ª Esc. de Frankfurt (22) – Adorno e Horkheimer (9) e Habermas (10) – razão instrumental.
18ª Esc. de Frankfurt (23) – ciência e técnica.
19ª Platão (12), Aristóteles (21) – epistemologia – mímesis.
20ª Esc. Frankfurt (24) – Adorno e Benjamin (4) – estética – a arte e a aura.

2010 – 20 questões
1ª Platão (13), Aristóteles (22) – origem da filosofia – thaumazen, admiração.
2ª Descartes (11) – teoria do conhecimento – pensamento e existência.
3ª Hume (7) – epistemologia – empirismo, hábito, costume.
4ª Esc. de Frankfurt (25) – Habermas (11) – ética do discurso.
5ª Platão (13) – estética – mímesis.
6ª Aristóteles (23) – ética – virtudes éticas e dianoéticas.
7ª Esc. de Frankfurt (26) – Adorno (2) – estética – indústria cultural.
8ª Platão (14) – teoria do conhecimento – impressões e conhecimento.
9ª Kant (12) – ética – imperativo categórico.
10ª Aristóteles (24) – estética – o papel do poeta.
11ª Esc. de Frankfurt (27) – Horkheimer (2) – razão e ciência.
12ª Galileu Galilei (5) – epistemologia – revolução científica.
13ª Esc. de Frankfurt (28) – Habermas (12) – política – democracia.
14ª Esc. de Frankfurt (29) – Adorno e Horkheimer (10) – conceito de esclarecimento.
15ª Esc. de Frankfurt (30) – Benjamin (5) – estética – reprodutibilidade e aura.
16ª Rousseau (9) – política – contrato social e vontade geral.
17ª Hobbes (7) – política – jusnaturalismo.
18ª Maquiavel (5) – política – virtú, fortuna e a moralidade.
19ª Kant (13) – teoria do conhecimento – juízos sintéticos a priori.
20ª Locke (5) – política – a questão da propriedade.

2011 – 20 questões
1ª Francis Bacon (6) – epistemologia – método indutivo.
2ª Descartes (12) – teoria do conhecimento – fundamentação da verdade.
3ª Popper (8) – filosofia da ciência – critério de avaliação das teorias científicas.
4ª Esc. de Frankfurt (31) – Habermas (13) – ética – ação comunicativa.
5ª Francis Bacon (7), Adorno e Horkheimer (11) – progresso científico.
6ª Esc. de Frankfurt (32) – Habermas (14) – política – teoria do discurso.
7ª Rousseau (10) – política – homem natural e homem social.
8ª Locke (6) – política – poderes legislativo, executivo e federativo.
9ª Hobbes (8), Aristóteles (25) – política – a sociabilidade humana.
10ª Aristóteles (26) – estética – mímesis.
11ª Aristóteles (27) – política – arte (música), ética e política.
12ª Aristóteles (28) – ética – conceito de virtude ética.
13ª Esc. de Frankfurt (33) – Benjamin (6) – estética – valor de culto da arte.
14ª Kant (14) – ética – vontade, dever e lei moral.
15ª Maquiavel (6) – política – desvinculação com o poder religioso.
16ª Esc. de Frankfurt (34) – Habermas (15) – ética – técnica e ciência como ideologia.
17ª Platão (15) – estética – mímesis, poesia e alma humana.
18ª Platão (16) – estética – poetas imitadores afastam da verdade.
19ª Aristóteles (29) – teoria do conhecimento – princípio de não contradição.
20ª Hobbes (9) – política – evitar condição de guerra.

2012 – 6 questões objetivas
1ª (questão 3) Francis Bacon (8) – ciência e controle da natureza.
2ª (questão 5) Esc. de Frankfurt (35) – Adorno e Horkheimer (12) – instrumentalização e controle da natureza.
3ª (questão 6) Kant (15) – ética – esclarecimento, autonomia.
4ª (questão 11) Aristóteles (30) – ética – teleologia.
5ª (questão 34) Esc. de Frankfurt (36) – Habermas (16) – ética – ética do discurso.
6ª (questão 55) Esc. de Frankfurt (37) – Habermas (17) – linguagem e simbologia
2012 – 4 questões discursivas
1ª Descartes (13) – teoria do conhecimento – dúvida metódica e verdade primeira.
2ª Esc. de Frankfurt (38) – Benjamin (7) – reprodutibilidade e autenticidade.
3ª Hobbes (10) e Locke (7) – jusnaturalismo e contratualismo.
4ª Aristóteles (31) – ética – felicidade: honra, prazer e razão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ciência e técnica

CIÊNCIA E TÉCNICA: A RAZÃO INSTRUMENTAL

A relação entre ciência e técnica
 Filosofia = visão de totalidade.
 Antiguidade: Teoria do conhecimento;
 Modernidade: Epistemologia
 Contemporaneidade: Filosofia da ciência.
 Filosofia: ciência-serviço, não dominação;
 A filosofia analisa os fundamentos da ciência: a) em que consiste seu conhecimento; b) qual o seu alcance; c) qual sua validade; d) qual a sua responsabilidade.
 Saber e poder estão a serviço do homem? Contribuem para sua liberdade e felicidade?
 Principais preocupações: (1) utilitarismo; (2) neutralidade; (3) a razão instrumental; e (4) uso empresarial e governamental.

Ciência desinteressada e utilitarismo
 Modernidade => razão => conhecimento e domínio (Hoje, sustentabilidade).
 Conhecimento desinteressado: valor intrínseco da ciência é sua exatidão, rigor, coerência e qualidade.
 Conhecimento utilitarista: Valor extrínseco (aplicabilidade).
 Qual das duas é abalizada pela filosofia? As duas, para não haver parcialidade.
 Se fosse apenas pelo utilitarismo muitas teorias não existiriam.
 Se não houver aplicabilidade, se não revolver problemas, pode cair na incerteza.
 A ciência pura (teórica) muitas vezes resulta em práticas para as quais nem foi pensada.
A ideologia cientificista
 Lado ideológico da ciência: identificá-la apenas com os resultados de suas aplicações.
 Duas conseqüências: cientificismo e ilusão de neutralidade.
 Cientificismo: a ciência é capaz de (1) conhecer e resolver tudo; (2) explicar sempre a realidade; (3) garantir progresso (4) construir um sistema doutrinário.
 Cientificismo é o mito de tudo poder e tudo controlar.
 Desprezo pela religião, filosofia, arte, intuição.
 Confiança irrestrita apenas na racionalidade (combate os mitos, mas se transforma em mito).
 Críticos acusam o cientificismo de destruir a natureza e oprimir o ser humano.
 Para Kierkegaard, Nietzsche, Marx, Weber e a Escola de Frankfurt a formalização da razão criou um novo mito: saber é poder, só o técnico competente é capaz de decisão.
 Os incompetentes devem executar tarefas planejadas e ordenadas (=tecnocracia).
 A ilusão de neutralidade se funda: (1) na idéia de objetividade, (2) pesquisador independente de paixões e vontades, (3) a ciência apenas diz o que e como as coisas são, não as interpreta.
 Isto é ilusório, pois o cientista escolhe seu método e define seu objeto, por influência social, política e econômica, ou seja, dentro de uma história.
 Pesquisas custam caro e exigem apoio de grupos e governos (1º, 2º e 3º setores [governo, mercado, sociedade: ong’s, oscip’s]).
 Domínio tecnológico é comercializado, um constrói outro compra (máquinas, remédios, equipamentos, etc.).
 Suas origens podem ser militar, econômica e política, entre outras.
 Maravilhas advêm de pesquisas nucleares, bacteriológicas e espaciais.
 Diante de tudo isto a neutralidade da ciência não se sustenta.
 A ideologia cientificista consolida a ciência como capaz de tudo conhecer e transformar, disfarçando sua origem e finalidade segundo interesses políticos e econômicos.
A razão instrumental
 A transformação da ciência em ideologia se dá pela razão instrumental (ou iluminista).
 Significa tornar a ciência um ato de domínio e controle sobre a natureza e a humanidade.
 Para o iluminismo a razão é capaz de compreender, transformar e dominar a natureza e a sociedade.
 A sociedade ficou reduzida a instrumento, meio para fins úteis vinculados ao poder.
 A ciência deixa de ser acesso ao conhecimento e se torna instrumento de poder e exploração.
 Quando isto ocorre a ciência deixa de ser teoria científica e vira ideologia de domínio e controle.
 Ex. de t. científica tornada ideologia: Copérnico e Galileu têm de esconder suas pesquisas, pois vão contra um modelo hierárquico e perfeito; questiona a ordem e a autoridade, legitimada pelo modelo ptolomaico.
 Outro ex: Spencer vincula o evolucionismo de Darwin à ordem cósmica, psíquica e social; o progresso provem da competição e concorrência. Mais apto = superior.
 Ex. de teoria científica ideológica (traz no bojo o preconceito):
 Os europeus, civilizados, tinham pensamento lógico-racional, evoluído, verdadeiro e superior.
 Os primitivos, selvagens, pensamento pré-lógico, atrasado, falso e inferior.
 Razão instrumental = conseqüência da concepção e do papel que o iluminismo atribuiu ao saber (poder).
 Nunca houve tanto saber (poder, técnica, progresso), mas também nunca houve tanto desequilíbrio: má distribuição de rendas, miséria, violência, guerras, exploração do meio ambiente, individualismo, consumismo e concentração de riquezas (6% possuem 59%; 53% - de U$ 2/dia).

O uso da ciência
 As descobertas científicas são aplicadas para fins não previstos (ex.: avião).
 A questão ética se impõe: quem pode evitar que cientistas negociem suas criações (ex.: artefatos bélicos)?(U$ 1.12 tri U$ c/ guerras e 100bi c/ a fome).
 Criam profissões, destroem ocupações, formalizam o trabalho industrial, etc.
 Pode a economia ser motivo de conhecimentos científicos? A ciência tornou-se agente econômico.
 A ciência uniu-se ao poder político: a tecnologia garante imperialismos e domínios.
 A tecnologia pode causar desequilíbrios, explorações e dominações antiéticas.
 A humanidade não intervém nas decisões de governos e empresas.
 Como controlar o uso da ciência? E quem deve fazê-lo?

Crise da razão: antecedentes e auge
 Kierkegaard e Nietzsche (séc. XIX) opuseram interioridade e subjetividade (existencialismo) ao sistema cognitivo objetivo e absoluto.
 Para Kierkegaard, Hegel nos fez esquecer da existência e da interioridade (mutabilidade e contingência).
 A existência não é regulada por leis universais e necessárias. Ela é particular e as leis do pensamento e da lógica são universais.
 Para Kierkegaard o saber não é absoluto; ele recusa o projeto iluminista, a modernidade. Só a subjetividade é a verdade.
 Para Nietzsche a natureza humana íntima está na vontade, vontade de poder.
 A vontade de poder é alegre, criativa e forte, busca superar o comum e medíocre da ética, da religião e do conhecimento tradicional.
 Para ele conhecer é interpretar, atribuir sentido e significado, mas não de modo sistêmico, absoluto, cabal, definitivo e objetivo.
 À filosofia cabe desmascarar o modo como esses sentidos são atribuídos carregados de valores.
 Para conhecer como os conceitos foram construídos devemos nos valer da genealogia.
 Não se deve fazer de determinados conceitos verdades absolutas e eternas.
Crise da razão: antecedentes e auge
 Com a genealogia se vê o que foi acrescido e excluído do conceito original (filologia), pela tradição, pela lei e pela autoridade.
 O conhecimento de um objeto será sempre momentâneo, capta o estado como o objeto se manifesta.
 Kant vai definir o iluminismo como a saída do homem do estado de menoridade (incapacidade de se autoguiar apenas pelo intelecto, autonomia x heteronomia).
Crise da razão: antecedentes e auge
 O iluminismo combateu o mito (tradição), mas tornou-se também um mito, o mito da razão.
 O saber e o poder se elevaram acima do mundo, da existência.
 O mundo, a natureza passou a ser matéria manipulável.
 A Escola de Frankfurt é um movimento crítico aos ideais iluministas.
 Principais representantes: Adorno, Horkheimer, Marcuse, Benjamin e Eric Fromm.
Crise da razão: antecedentes e auge
 Karl Krünberg fundou a Escola de Frankfurt em 1923, para revisar e inovar o marxismo.
 Em 1934 os nazistas a fecharam e os pensadores se exilaram, voltando em 1950.
 Desenvolveram a TEORIA CRÍTICA DA SOCIEDADE.
 Há um elemento irracional dentro dos totalitarismos, da racionalidade instrumental e científica (positivista): unir ciência e técnica para dominar a natureza com fins lucrativos ou políticos (dominação).
 O iluminismo julgou que a razão era capaz de compreender a realidade, mas ao perseguir o progresso tornou-se instrumental, vê apenas o que é útil e operativo.
 A técnica é a essência do saber científico moderno, porém ela visa os resultados (econômicos) e não os conceitos.
 Conhecimento se tornou dominação sobre a natureza e sobre os homens (simples material).
 Os frankfurtianos, assim como Kierkegaard, Nietzsche, Freud e Heidegger não aderem à razão iluminista.
 Eles não acreditam mais que a ciência e a tecnologia possa ser condição de emancipação individual e social.
 Tais críticas não significam desprezo ou rejeição ao saber científico ou desvalorização de seus benefícios.
 A mal está no descomprometimento com a vida e com o “bem viver coletivo”.

O novo iluminismo
 Parece haver um choque entre sabedoria e ciência (visa produtividade, domínio, poder, posse, lucro).
 A crítica que se faz ao iluminismo pode ser vista como herança do próprio iluminismo.
 A verdadeira ciência deve ajudar o homem a construir o seu destino livre de tirania e superstição.
 A autonomia kantiana se consegue pela crítica racional, porém nem sempre racionalidade significa humanismo.
 Humano é solidariedade, tolerância, afetividade, diálogo e boa convivência.
 A razão que tem fins e meios definidos em função de interesses de classes é uma visão parcial, equivocada e instrumental da razão.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Platão, Aristóteles, Kant e os frankfurtianos

PLATÃO
O Mundo de Platão
Opinião da realidade: predominância das impressões ou sensações originadas nos sentidos.
Esfera racional da sabedoria e mundo das idéias: conhecimento autêntico.
Para atingí-lo: a filosofia
DIALÉTICA: contraposição de uma opinião com a crítica que dela fazemos.
Afirmação de uma TESE seguida de discussão e negação desta TESE, purificando erros e equívocos.
O MITO DA CAVERNA
• O mito da caverna: alegoria (exposição do pensamento sob forma figurada) sobre a concepção platônica da educação da alma.
• Compreendendo o mito:
• Os prisioneiros da caverna tomam as sombras das estatuetas transportadas como se fosse a única realidade
• Quando um deles é libertado sente dificuldade e dor para distinguir os objetos das suas sombras que via anteriormente
• Ao ser arrancado à força da caverna ficará inicialmente ofuscado pela luz; aos poucos se habituará a ver os objetos da região superior e então será capaz de distinguir:
• Sombras
• Imagens de homens e estatuetas refletidas na parede
• Os próprios objetos
• Finalmente poderá contemplar o próprio sol, a causa de tudo no mundo visível.
• O prisioneiro liberto se alegrará com o que agora vê e lamentará os que permanecem prisioneiros
• A interpretação platônica do mito:
• O que é a caverna? O mundo em que vivemos.
• Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos.
• Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo.
• O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade.
• O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade.
Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética.
O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia.
Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.
Aristóteles (384-362)

 Macedônio de Estagira, também conhecido como “O Estagirita”.
 Difere de Platão por ser mais racional (Platão é mais místico, religioso; e Aristóteles, mais cientista; Platão é idealista, Aristóteles é realista).
 Platão escreve diálogos, Aristóteles tratados.
 Fundou o Liceu (Escola Peripatética).
 A realidade platônica é dualista, a aristotélica é una.
 Se a realidade é una como explicar a mudança? Pela passagem da potência ao ato (teoria aristotélica do conhecimento).
 Como se dá tal passagem? Por quatro causas: material, formal, eficiente e final.
 Principais obras: Ética à Nicômaco (Ética), Organon (Lógica), Metafísica, Política, De anima (psicologia).
 Tudo o que vive pode ter uma (as plantas: a vegetativa), duas (os animais: vegetativa e sensitiva) ou três almas (o homem: vegetativa, sensitiva e intelectiva).
 Aristóteles define o homem como “animal racional” e “animal político”. O telos da política é possibilitar a “vida boa”.
 Política (viver bem em coletividade) não se desvincula de ética (viver bem consigo próprio).
 A sua ética é eudaimonista (busca a felicidade = eudaimonia).
 A razão da vida humana (telos) deve ser a busca da felicidade. A coisa mais doce é alcançar aquilo que amamos.
 “A felicidade é a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo” (EN, 1099a20).
 Felicidade é a atividade da alma em consonância com a melhor e mais completa virtude, durante toda a vida (EN, 1098a15).
 Virtude é a justa medida entre dois extremos: o excesso e a falta, pois ambos são vícios.
 Teleologia aristotélica (telos: finalidade) – tudo no universo (físico ou mental) tem uma razão de ser, uma finalidade.
 Considera absurda a idéia de que a alma sobrevive à morte do corpo, pois o homem é substancialmente corpo (matéria) e alma (forma) e não acidentalmente.
 O ser humano almeja bem estar e isto só se obtém vivendo virtuosamente.
 Tem obras sobre lógica (6), metafísica (14), física (29), ética (19), política (8), poética (1) e retórica (1).
Immanuel kant, nasceu em Konigsberg – Prússia, em 1724 e nunca saiu de sua cidade, nela morreu em 1804. Tem contribuições nas diversas áreas da filosofia, sobretudo em epistemologia e ética.
 Teoria do conhecimento: não podemos conhecer o noúmeno (coisa-em-si), apenas o fenômeno (como a coisa-em-si se mostra, se apresenta).
 Diz que as teorias científicas têm por base os juízos sintéticos à priori (uma experiência bem feita é suficiente para se emitir um enunciado científico).
 Ele une racionalismo e empirismo.
 Para conhecer precisamos dos sentidos, mas também do intelecto: os sentidos captam o objeto e a mente ordena.
 O conhecimento não está apenas no sujeito (racionalismo), ou no objeto (empirismo), mas nos dois: o sujeito dá a forma, o objeto dá a matéria.
 Espaço, tempo (condições a priori), substância e causalidade são condições necessárias para que o conhecimento do mundo fenomênico ocorra.
 O mundo numênico pode não estar sujeito a estas condições, por isso não podemos conhecê-lo (Deus, imortalidade da alma, limites do universo).
 Na ética kantiana só quem delibera racionalmente é livre e o ato só pode ser classificado como moral se for livre e autônomo.
 Nossos deveres não devem ser impostos, mas devemos descobri-los por nós mesmos, mediante o uso da razão.
 A razão é um elemento universal e por isto todo ser racional deve, cônscio de seu dever, agir por dever, não contra o dever e nem conforme o dever (ética deontológica).
 O dever é uma exigência incondicional (categórica), é a nossa obrigação.
 Imperativo categórico (1) age de tal modo que o móbil de tua ação possa se converter, por tua vontade, em lei universal; (2) jamais trate o outro, ou você mesmo, como um meio, mas sempre como um fim em si mesmo.
Escola de Frankfurt – Teoria Crítica
• Histórico
1923 – Abertura do Instituto de Pesquisa Social, por Félix Weil, filiado à Universidade de Frankfurt.
1930 - Max Horkheimer assume a direção do Instituto.
1933 – O Instituto (Escola de Frankfurt) é fechado pelo Estado nazi, que considera suas atividades hostis ao Estado.
Os principais membros da Escola emigram para Paris e, posteriormente, para Nova Iorque.
1940 - Nos Estados Unidos, é criado o Institute of Social Research.
1950 - O Instituto de Pesquisa Social é reaberto na Alemanha.
• Principais teóricos
Theodor Adorno
Max Horkheimer
Herbert Marcuse
Walter Benjamin
Jürgen Habermas
• Teoria Crítica: propostas gerais
• Os frankfurtianos elaboram uma teoria crítica das sociedades contemporâneas, especificamente dos desdobramentos do capitalismo aliado à técnica e aos seus impactos sobre a vida dos indivíduos.
• Analisam o sistema da economia de mercado, abordando questões como: desemprego, crises econômicas, terrorismo, anti-semitismo, condição global das massas, mercantilização da cultura.
• Propõem temáticas novas através da análise de fenômenos superestruturais e do comportamento coletivo nas sociedades capitalistas industrializadas.
• Em nome da racionalização, os processos sociais são dominados pela ótica da ciência aliada à técnica, traduzida como racionalidade da dominação da natureza para fins lucrativos. 

• Denunciam a separação e oposição do indivíduo em relação à sociedade.
• Criticam a dominação dos indivíduos nos Estados capitalista e fascista. 

• Apontam o positivismo como estratégia de manutenção e reprodução do status quo. 

• Defendem a atividade reflexiva como solução da reorganização racional da sociedade, embora não apresentem soluções práticas para os impasses engendrados pelo capitalismo aliado à industrialização.
• As teses postuladas pelos frankfurtianos enfatizam o papel central que a ideologia desempenha em formas de comunicação nas sociedades urbanas modernas. E apontam a mídia como agente da barbárie cultural, veículos propagadores da ideologia das classes dominantes, imposta às classes subalternas pela persuasão ou manipulação. 

• Entendem as pesquisas setoriais e a mídia como instrumentos de manutenção do sistema, através da reprodução de modelos e valores sociais.
• Indústria Cultural
• Expressão utilizada por Adorno e Horkheimer na Dialética do Iluminismo (1947) no capítulo, “A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação das Massas”, em substituição do termo “cultura de massas”, para designar a produção e difusão de bens simbólicos em escala industrial.
• Para Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural, como subsistema da sociedade capitalista, reproduz a sua ideologia e estrutura.
• A Indústria Cultural configura produtos veiculados pelos mass media. Portanto, não designa peças culturais provindas da elite nem da população menos favorecida.
• As reflexões de Adorno e Horkheimer assentam na constatação de que a sociedade industrial não realizou as promessas do iluminismo humanista. Pois o desenvolvimento da técnica e da ciência não trouxe um acréscimo de felicidade e liberdade para o Homem.
• Ao invés de libertar o Homem, o progresso da técnica acabou por o escravizar, alienando-o.
• A reprodutibilidade técnica retirou, tanto da cultura popular, como da cultura erudita, o seu valor real. O resultado, a indústria cultural, não conduz à experiência libertadora da fruição estética.
• O princípio da reprodução deformaria a obra, nivelando-a por baixo. Por exemplo: adaptações de livros a filmes, que são adocicadas para se tornar mais apetecíveis ao consumo.
• O indivíduo deixa de decidir autonomamente. O conflito soluciona-se com a adesão acrítica de valores impostos.

• À medida que a indústria cultural se consolida, mais adquire poder sobre as necessidades do consumidor, guiando-o e disciplinando-o. “O consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer crer, não é o sujeito, mas o seu objeto” (ADORNO, 1967, p. 6).
• A individualidade é substituída pela pseudo-Individualidade. A ubiqüidade (significa “ao mesmo tempo em toda parte”), a repetitividade e a estandardização da indústria cultural fazem da moderna cultura de massa um meio de controle inédito.
• “O espectador não deve agir pela sua própria cabeça: o produto prescreve todas as reações: não pelo seu contexto objectivo que desaparece mal se volta para a faculdade de pensar – mas através de sinais. Qualquer conexão lógica que exija perspicácia intelectual, é escrupulosamente evitada” (Horkheimer; Adorno, 1947: 148).
• “A sociedade é sempre a vencedora e o indivíduo não passa de um fantoche manipulado pelas normas sociais” Adorno apud Wolf (1994, 77).
• Os produtos da indústria cultural paralisam a imaginação e a espontaneidade, impedindo a atividade mental do indivíduo. 

• A indústria cultural reflete o modelo do mecanismo econômico, que domina o tempo de trabalho e de lazer.
• A estrutura multiestratificada das mensagens reflete a estratégia de manipulação da indústria cultural.
• A recepção das mensagens da mídia escapam ao controle da consciência. O espectador absorve ordens, indicações, proibições, sem senso crítico.
• Uma das estratégias de dominação da indústria cultural é a estereotipização, modelos simplificados indispensáveis para organizar e antecipar as experiências humanas.
• A divisão dos produtos em gêneros conduz ao desenvolvimento de formas fixas e impõe modelos estabelecidos de expectativas.
• Os sujeitos encontram-se privados da verdadeira compreensão da realidade e da experiência de vida pelo uso constante de óculos esfumaçados, oferecidos pelo sistema através da indústria cultural.
• “O espectador olha (...) tudo se desenrola diante dos seus olhos, mas ele não pode tocar, aderir corporalmente àquilo que contempla. Em compensação, o olho do espectador está em toda a parte (...) sempre vê tudo em plano aproximado (...) mesmo o que está mais próximo está infinitamente distante da imagem, sempre presente, é verdade, nunca materializada. Ele participa do espectáculo, mas a sua participação é sempre pelo intermédio do corifeu (diretor de coros), mediador, jornalista, locutor, fotógrafo, cameraman, herói imaginário” (Edgar Morin, Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo, p. 74).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ARTE E SOCIEDADE

ARTE E SOCIEDADE
Indústria cultural e Cultura de massa

Tópicos:
 A arte tornou-se produto
 A relação capitalismo e obra de arte
 A reprodutividade técnica
 A cultura de massa
 A indústria cultural
 Interesses ideológicos
 Os meios de comunicação social

Arte e sociedade
 A arte sofre transformações e ganha autonomia: a finalidade é ela mesma.
 As transformações foram no (1) estilo: técnica, procedimentos e relação com o público;
 E foram também (2) determinantes e determinadas pela sociedade.
 Há duas posições opostas em relação à arte, (a) o valor está nela mesma, “arte pela arte” e (b) a arte tem de ser engajada, comprometida com mudanças sociais (históricas, sociais, políticas e econômicas).
 A primeira imagina o fazer artístico desprovido de raízes.
 A segunda esvazia a arte em prol da mensagem.
 Walter Benjamin (1892-1940) faz uma análise da relação arte e sociedade, no mundo tecnológico e capitalista.
 Para ele a reprodução técnica destruiu a aura artística.
 No passado a arte tinha como finalidade sacralizar e divinizar o mundo, daí vem sua aura.
 Passou do divino ao belo sem perder a aura.
 A reprodutividade técnica desfaz a aura.
 A tendência é orientar a realidade em função das massas e as massas em função da realidade.
 A reprodutividade não é algo novo, mas o modo (técnico) é.
 A técnica permite a arte em série: fotos, filmes, músicas.
 Original e cópia não se distinguem.
 As mãos foram liberadas da reprodutividade; a máquina faz e não o artista.
 A obra de arte possui dois valores, o de culto e o de exposição (essa pede reprodutividade).
 Pinturas paleolíticas tinham valor de culto: serem vistas pelos espíritos.
 Haviam obras secretas acessíveis apenas aos sacerdotes.
 Na pré-história predominava o valor de culto.
 As obras se emancipam do uso ritual e passam a ser expostas.
 A exposição traz novas funções a arte.
 Hoje arte e técnica, ambas emancipadas, caminham juntas.
 Pela técnica o nazifascismo transformou a política e a guerra em espetáculos artísticos.
 Pela propaganda os nazistas buscam influenciar nas emoções e nas paixões da sociedade.
 A reprodutividade técnica fica subserviente à propaganda totalitária em torno do führer.
 Benjamin tem esperança que aconteça a revolução socialista, democratizando a cultura tornando a arte acessível.
 A arte se tornaria direito universal deixando de ser privilégio da elite ou da religião.
 Sua esperança não se concretizou. Stalin e, depois o capitalismo usarão a arte em benefício próprio e surge a Cultura de massas.

Indústria cultura e cultura de massas
 Na modernidade o mundo desencanta e amadurece, a ciência supera a magia.
 A arte se emancipa da religião, mas se torna posse da ideologia e do mercado capitalista.
 A arte perdeu sua aura, mas não se democratizou.
 A arte tornou-se produto de consumo das massas através dos meios de comunicação.
 Perde suas especificidades e deixa de ser expressiva para ser reprodutiva.
 A arte existe para ser vista, visitada, fruída e contemplada.
 A arte tinha valor de exposição e tornou-se algo para ser consumido.
 A democratização da cultura e da arte requer que todos tenham acesso a ela, mas a indústria cultural não permite, por quatro motivos.
 Primeiro: cria a divisão social, obras caras e raras para a elite (culta) e as baratas e comuns à massa (inculta).
 Segundo: determina o horário e o preço das obras em função do público alvo, dizendo o que se deve ler, ouvir e ver.
 Terceiro: acentua a mediocridade, fortalece o senso comum, não traz novidade, devolve o que já se sabe.
 Quarto: cultura se torna lazer, entretenimento, diversão, distração. O que exige reflexão crítica não vende. Massificar é banalizar.
 Para Benjamin a reprodutividade técnica traria a democratização da arte;
 Para Adorno a indústria cultural não divulga, mas vulgariza a arte, por dois motivos:
 A) A cultura é colocada à venda com fins lucrativos. O que determina a produção cultural é a economia: agradar e atrair para vender e lucrar.
 B) A produção cultural visa lançar novos produtos, usa da cultura para vender produtos.
 A indústria cultural reproduz a cultura dominante e visa a permanência do sistema econômico e político-ideológico.
 Anestesia a consciência e impede a formação de indivíduos autônomos com capacidade de decidir e julgar por si.
 Os poderes político e econômico têm interesse em promover a indústria cultural.
 É um modo de deixar a população servil evitando revoltas.
 Para ambos ela é o “ópio do povo”, aliena pelo lazer e pela cultura.

Os meios de comunicação
 Rádio e tv são os que mais manifestam a indústria cultura e fazem isto ao criar duas categorias: público e horário.
 Os horários são definidos em função da classe social, do público alvo, da idade e do sexo.
 Além do horário também o conteúdo visa determinado mercado consumidor.
 Fazem isto de modo subliminar (simpático), por exemplo: petrolífera patrocina ecologia, cosméticos patrocina cultura, banco patrocina inclusão social. Visam incentivos.
(Veja TEDxSP 2009, Fábio Barbosa).
 Ouvintes são desrespeitados por informações fragmentadas, parciais e tendenciosas.
 O noticiário apresenta um mundo quebrado, longe e sem história e as telenovelas próximas, contínuas e históricas.
 Nas novelas o tempo é lento, os personagens os mais reais possíveis, próximos do público, o enredo parece real (personagens geram comentários quando morrem).
 Efeitos: Dispersão e Infantilização.
 Os meios de comunicação geram dispersão e dificuldade de concentração por longo tempo: nos acostumamos com momentos de atenção e descontração.
 Somos programados, pelo hábito, a nos concentrarmos de 7 a 10 minutos, e isto tem reflexo nas escolas. A capacidade de atenção vem diminuindo aos poucos.
 A infantilização ocorre quando a cultura tem de agradar para poder vender.
 Como infantiliza: O ser humano não consegue suportar a distância entre o desejo e a realização do desejo.
 A mídia oferece satisfação instantânea: cria o desejo e já apresenta o produto.

Os meios de comunicação
 A programação se ocupa com o que sabemos e apreciamos, e realiza nossos desejos sem exigir atenção e reflexão crítica (passividade).
 A cultura, a arte e o pensamento exigem maturidade a mídia infantilidade.
 É autoritária sob a aparência de democrática: especialistas nos ensinam a viver, criar filhos, cuidar da saúde, dos negócios, etc.
 As dicas são positivas apenas aparentemente, pois nos fazem imaginar que nada sabemos e não conseguimos aprender, pensar e agir sem seguir os especialistas.
 Ao invés de produzir cultura e democracia a mídia acentua a diferença de classes, invertem realidade e ficção, favorecem a dispersão, infantilizam, criam valores, nos deixam incultos e consumistas.

Cinema e televisão
 O cinema é uma indústria mantida por investimentos dos anunciantes e visa lucro e consumo.
 Difere da tv a qual compreende jornalismo, teatro, filmes, literatura, etc., e o cinema prioriza a imagem, o som, os movimentos e os efeitos especiais.
 O cinema entrecruza realidade e ficção, verdade e fantasia, reflexão e imaginação.
 Para Benjamin o cinema é a arte democrática do nosso tempo.

Pró mídia
 Segundo Marshall (1911-1980), a indústria cultural e os meios de comunicação de massa atuam de maneira otimista e positiva, pois colocam os bens culturais produzidos pela humanidade ao alcance de todos.
 Marshall Mcluhan introduz o termo aldeia global como metáfora da idade contemporânea. Não foca o lado ideológico da mídia, mas o modo como interfere na maneira de ser das pessoas.
 Acesso rápido e fácil à informação, melhoria do padrão educacional, integração de pessoas separadas por milhares de quilômetros, aumento do fluxo de informação, de conhecimento e de entretenimento, além de diminuir as distâncias da Terra.
 Mcluhan vê a tv de forma positiva, boa. Diz ele que “os homens criam as ferramentas, e a ferramentas, por sua vez, recriam os homens”.

Imparcialidade da razão
 Para Pierre Bourdieu (1930-2002) a razão não é boa e nem má, em si ela é neutra, o que vai determinar o seu valor é o uso que lhe é dado; o problema está na instrumentalização da razão.
 O capitalismo se apossa da razão e se utiliza dela, além da mídia e da ciência.
 O problema está no desequilíbrio: 6% tem 59% dos bens. 54,7% no mundo, 44% na América Latina e 34% no Brasil são pobres ou miseráveis. 20% consome 80% (americano 350x nigeriano, 25x brasileiro).
 3tri U$ aos bancos em 2008, 1% disto alimentaria 50 milhões de crianças por um ano.
 25.000 pessoas por dia (a cada 11 segundos uma criança) morrem de fome no mundo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O problema estético

ESTÉTICA - O belo e a experiência estética.

A ESTÉTICA ANTIGA, MEDIEVAL E MODERNA
A arte é...
 Aisthetike (αισθητική): percepção, sensação.
 Expressão de conhecimento.
 Uma visão de mundo.
 Não é apenas emoção, mas conhecimento dificilmente traduzível em outra linguagem.
O que estudar?
 A natureza e a função da arte.
 Sua relação com a moral, a educação e a política.
 As concepções de estética.
 Os fundamentos da estética.
Arte e conhecimento do mundo
 Mito, filosofia, ciência e arte são modos de organizar a experiência no mundo.
 O mito se funda na fantasia.
 A filosofia se funda na razão.
 A ciência se funda em leis.
 A arte se funda na criação e no símbolo.
Características da arte
 Conhecimento imediato, concreto, individual, transmissível, intuitivo, imaginativo, sensível, simbólico e criativo.
 Transmite um sentido percebido, mas não se reduz à explicação verbal.

Arte e educação
 A arte educa a sensibilidade.
 A educação artística de uma sociedade depende do seu convívio com a arte: museus, galerias, teatros, templos...
 É preciso afinar a sensibilidade para as nuances, sutilezas e estilos que permitirá a descoberta da riqueza do belo e da arte.

A arte enquanto crítica
 A arte pode ser crítica, resistente, engajada e comprometida com a conscientização do homem, sobretudo em tempos que o poder oprime.
 Manifestações artísticas costumam acontecer como expressão de enfrentamento e oposição, ou o seu contrário.
Platão e a arte
 Foi o primeiro a pensar nesta questão e para ele a arte não era autônoma, mas ligada à metafísica e à moral.
 Busca o seu valor de verdade: aproxima ou afasta o homem da verdade? Torna-o melhor ou pior?
 Conclui que arte, exceto a música, esconde a verdade, é mentirosa, corrompe e deseduca o homem.

Platão e a arte
 Considera a poesia inferior à filosofia, por não saber explicar e nem ensinar aquilo que faz.
 No Fedro Platão define a arte como divino entusiasmo (repleto de Deus), fruto do amor que impele a alma à imortalidade. A alma procura gerar e procriar o belo.
 Na República a arte é mimesis (imitação), subordinada à moral. Só se deve favorecer a arte útil à educação (música, sobretudo).
Platão e a arte
 A tragédia (canto do bode) e a comédia (fuga da ordem) servem mais para corromper do que para educar, pois afastam da verdade.
 Motivos: 1) deuses e heróis sujeitos à baixezas; 2) exprime a aparência e não a realidade; 3) funda-se no sentimento e na fantasia e não na razão; agita as paixões.
 Só a música deve ser cultivada, pois dá harmonia interior e educa para o belo.
Aristóteles e a arte
 A arte tem dupla função, pedagógica e catártica: complementam o que a natureza não terminou.
 Tragédia e comédia, aprovadas por Aristóteles têm função catártica, purificam das paixões (extravasar).
 Aquilo que se vive na ficção descarrega a passionalidade acumulada sem ocorrer na realidade e a alma readquire a serenidade.
Aristóteles e a arte
 Obras aristotélicas de estética: Retórica e Poética.
 Definição: belo é um bem que agrada. É um prazer proporcionado pelas faculdades cognitivas, através da ordem, da simetria e da determinação.
 Há dois tipos de arte (téchne): mecânicas (artesanato) e imitativa (belas-artes).
 A imitativa não tem o sentido pejorativo platônico.
Concepções estéticas – o naturalismo grego
 Reproduzir a natureza da forma mais real possível. Imagens com aparência da realidade (Apeles: o cavalo; Parrásio: as uvas).
 Se divide em duas tendências: realismo e idealismo.
 Realismo: mostrar o mundo como ele é.
 Idealismo: mostrar o mundo como deveria ser.
Concepções estéticas – o naturalismo grego
 Na Grécia antiga a arte estava em toda parte: vasos, copos, pratos, palácios, etc., e o artista era um trabalhador comum, desconhecido.
 O naturalismo foi revigorado na renascença e teve o seu declínio com o impressionismo em meados do século XIX.
 O surgimento da fotografia fez os pintores repensarem a função da arte como representação.
A estética medieval: sagrada e estilizada
 A arte não progrediu muito, pois era vista como atividade pagã.
 Os poucos avanços foram com fins didáticos de evangelização (expressar a religião).
 Na arte medieval a beleza não tem valor em si, mas resplandece a verdade no símbolo, como possibilidade de se alcançar a natureza divina.
 Beleza é uma dimensão do bem; beleza e bondade são idênticas, sendo a beleza o aspecto agradável da bondade.
O naturalismo renascentista
 O trabalho do artista é valorizado, elevado à categoria de ocupação intelectual.
 Princípios estéticos renascentistas
1 – A arte é parte do conhecimento
2 – Imita a natureza auxiliando a ciência
3 – Visa a melhoria moral da sociedade
4 – A beleza é objetiva: ordem, harmonia e proporção
5 – A arte antiga é referência e ideal
6 – As regras artísticas são racionais

A ESTÉTICA NA MODERNIDADE
O acaso do naturalismo
 No século XVIII inicia-se uma revolução na estética: a finalidade da arte é ela mesma.
 A essência da arte não é representar o mundo e nem defender ou promover valores, mas promover a experiência estética.
 Aversão à sistematização da arte e descrença na possibilidade de definição do belo em si.
O acaso do naturalismo
 Valoriza-se o feito artístico: a obra de arte tem sentido em si e não por representar a realidade exterior; ela é realidade em si.
 O naturalismo permaneceu na mídia a serviço da ideologia dominante.
 A programação cria, deliberada ou subliminarmente, uma realidade virtual, como se fosse a real.
 Vemos uma realidade manipulada que não incomoda, questiona ou perturba.
Iluminismo e academismo: a estética normativa
 A estética neoclássica tem suas raízes em Descartes.
 A clareza e a certeza migraram para o campo da arte.
 Axioma do fazer artístico: a arte imita a natureza (identifica-se o “seguir a natureza” com o “seguir a razão”).
 Surge o academismo ou arte normativa: regras para o artista com pouco espaço para a originalidade, a criatividade e a intuição.

A NOVA CONCEPÇÃO DE ESTÉTICA
Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762)
 Introduziu pela primeira vez o termo “estética” (ciência do conhecimento sensorial e apreensão do belo, expressa nas imagens da arte, em contraposição à lógica)
 Não é o fundador da estética como ciência, mas o termo por ele introduzido no campo filosófico respondia às necessidades da investigação nesta esfera do saber, e alcançou ampla difusão.
 Tratando do conhecimento sensível, o interpretou ao modo de Descartes, como um estágio inferior, ao modo de idéia confusa.
 Baumgarten tem o mérito de haver tratado em separado o sentimento da apreciação da arte e do belo em geral, enquadrando-o como um conhecimento sensível.
 Criou o nome da disciplina Estética a partir do substantivo Aisthetike (αισθητική) = sensação.
 Usa primeiramente o termo em obra de 1735, fazendo-o título de livro em 1750. Sobre a arte estabeleceu que ela resulta da atividade intelectual e também da sensitiva; por isso a noção do belo não é uma idéia simples e distinta, como pode acontecer com as idéias mentais, mas uma idéia confusa.
 Desde Baumgarten, ganha espaço a concepção subjetiva do belo, como algo resultante da obra do homem, não sendo mais uma propriedade simplesmente objetiva das coisas. Para a ontologia tradicional, o belo é, pelo contrário, uma propriedade objetiva do ente, enquanto visto como perfeição.
 Kant utilizou livros de Baumgarten como texto de aula. Aproveitou, entretanto, o termo Estética, como denominação para o estudo gnosiológico da sensação e de suas formas apriorísticas de espaço e tempo, o que denominou Estética transcendental.
 Distingue na arte: fim (utilidade) e finalidade (o prazer provocado pela beleza).
Kant e a crítica do juízo estético
 Distingue j. estét. de j. sobre as formas de prazer e o de utilidade e bondade.
 “Belo é o que agrada, não importa o conceito”.
 Divide a beleza em: b. livre (s/ conceito de perfeição e uso; tipo surreal, abstrato) e b. dependente (c/ conc. perf. e uso; realismo).
 Os j. estét. independem de j. de moralidade, de utilidade ou de prazer dos sentidos (= prazer desinteressado).
 Ao objeto de satisfação chamamos belo.
 Ocupa-se de modo sistêmico com o estético.

A estética romântica
 Como reação ao classicismo e neoclassicismo, floresceu (meados séc. XVIII até meados XIX) a arte romântica.
 Expressando sentimentos e emoções, prioriza subjetividade e a liberdade.
 Dá vazão à genialidade, imaginação, originalidade, emoção, etc. (o artista nasce gênio, a genialidade é dom especial de artista).

A estética romântica
 Para a estét. rom. a imaginação é a faculdade de percepção da verdade.
 A imaginação configura a realidade não apenas revelando-a, mas criando-a mentalmente.
 As idéias românticas são traduzidas por um simbolismo.
A estética romântica
 Principais poetas: Goethe (1749-1836), Hölderlin (1770-1843), Novalis (1772-1801) e Schlegel (1772-1829).
 “O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando reflete” (Hölderlin).

O pós-modernismo
 A característica hoje é a velocidade das transmissões, o predomínio das informações, a globalização, a transculturação, o consumo, a efemeridade dos produtos (obsolescência planejada e obsolescência perceptiva).
 Há também a preocupação com o planeta, o meio ambiente, a qualidade de vida, a qual entrou na arquitetura e está chegando ao teatro, cinema, dança, etc.
 A estética pós-moderna se caracteriza pela desconstrução das formas, linhas, ritmos e tons, a multiplicidade de estilos, a valorização da cultura local e a ruptura, na esteira do modernismo, com a tradição artística acadêmica, universalista, racionalista e sistêmica.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

TEORIA DO CONHECIMENTO

TEORIA DO CONHECIMENTO OU EPISTEMOLOGIA
Conhecimento e método em filosofia
CONHECIMENTO
 É a busca da verdade na relação entre sujeito e objeto.
 “Dizer o que é do que é e o que não é do que não é, é verdade; dizer o que é do que não é e o que não é do que é, é falsidade” (Aristóteles)
TIPOS DE CONHECIMENTO
 Sensorial: adquirido pelos sentidos; é empírico.
 Intelectual: adquirido pelo raciocínio; é lógico-formal (abstração), conserva a imagem na mente apenas.
O PROCESSO DO CONHECIMENTO
 O homem é um animal racional, pensa.
 O pensamento conduz ao conhecimento
 Conhecer é: entender (levar para dentro, tornar-se dono do objeto conhecido) e explicar (colocar para fora; requer linguagem, discurso, logos).
TEORIA DO CONHECIMENTO NA ANTIGUIDADE
 Para os pré-socráticos a verdade era encontrada no kosmos (ordem) presente na physis (natureza), a qual segue uma lei.
 Heráclito e Parmênides: existe o movimento? (Stephen Jay Gould, 99% extintos).
 Para os sofistas a verdade é relativa, depende das convenções, pois “o homem é a medida de todas as coisas”. Quando se diz que algo é verdadeiro é preciso provar.
 Para Sócrates tudo possui uma essência (razão de ser) e é possível conhecê-la pelo método dialético: ironia e maiêutica.
TEORIA DO CONHECIMENTO DE PLATÃO
 Para Platão conhecer é recordar o mundo das idéias (hiperurânio), pois nascemos como um quadro já escrito;
 No mundo material, dos fenômenos vemos as sombras da verdade: as coisas mudam, mas a idéia permanece.
 As idéias (termo por ele criado) são conceitos universais.
 O mito da caverna resume sua epistemologia
 A filosofia deve conduzir o homem na passagem dos graus.
 O mundo material é sombra, o mundo real é a idéia (em termos de conhecimento).
 Há uma hierarquia nas idéias e a idéia do bem está no topo. O Bem Supremo é Deus.
 O filósofo se liberta das correntes e chega ao verdadeiro conhecimento.
 Na dimensão política, o filósofo deve ser o rei (sofocracia).
TEORIA DO CONHECIMENTO DE ARISTÓTELES
 Para Aristóteles nascemos tabula rasa.
 O processo do conhecimento é: os cinco sentidos captam o mundo, o cérebro registra e a linguagem expõe.
 Busca estabelecer a ciência como conhecimento verdadeiro, causal, superando enganos e opiniões e compreendendo o devir.
 Recusa as explicações de Platão.
 Para se compreender a realidade há que se distinguir entre: 1) substância e acidente; 2) ato e potência e 3) matéria e forma.
 Substância é a unidade interna do ser, a essência (razão é substância de homem).
 Acidente são os atributos que podem ou não ocorrer (a altura é característica acidental no homem).
 Matéria é aquilo de que algo é feito.
 Forma é aquilo que individualiza algo fazendo-o ser daquele modo determinado.
 Potência é a possibilidade de algo vir a tornar-se diferente sem deixar de ser ele mesmo.
 Ato é modo como o ser se apresenta agora.
 O devir não é ilusão e nem aparência, mas o movimento da potência se tornando ato.
 A potência se torna ato por quatro causas, chamadas causas do movimento. São elas:
 Material: aquilo de algo é feito;
 Formal: a forma que um ser tem em si;
 Eficiente: a força que faz a matéria adquirir determinada forma.
 Final: a razão desse ser existir
 Os nossos conceitos novos são devidos à dedução (do universal ao particular) ou à indução (do particular ao universal).
 Estes conceitos aristotélicos prevaleceram por 19 séculos, pois foram “cristianizados” na idade média.
 Tomás de Aquino “dogmatizou” o conhecimento fundado na fé em Deus.
CONHECIMENTO MEDIEVAL
 A fé é o paradigma
 Dogmatismo
 Autoridade divina
 Teocêntrico
 Unidade religiosa
 Objetividade / natureza
 Metafísica / Ontologia
CONHECIMENTO MODERNO
 Funda-se na razão
 Ceticismo / Dúvida
 Laicização
 Antropocêntrico
 Reforma protestante
 Subjetividade
 Epistemologia
A CIÊNCIA NA MODERNIDADE
 A ciência antiga se fazia com razão e observação e a moderna acrescenta a experimentação.
 Só é saber o que se submete às experiências.
 Ciência e técnica se unem: o saber retorna ao mundo para transformá-lo.
 Precursores: Copérnico, Galileu, Kepler e Newton.
GALILEI E A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
 Galilei rompe com a ciência tradicional e cria a moderna concepção de ciência.
 Distinguiu os objetos próprios da religião, da filosofia e da ciência.
 Substituiu o modelo astronômico ptolomaico pelo copernicano.
 Aperfeiçoou o telescópio e descobriu que o mundo era muito diferente do que se acreditava.
 Conseqüências: uma nova visão de mundo e de ser humano. O espaço deixa de ser sagrado e torna-se mensurável.
 Não há mundo superior e inferior e nem diferença entre corpos celestes e terrestres.
 Não se busca mais as explicações divinas, mas as racionais.
 Abandona-se a dimensão religiosa e separa-se fé e razão (ciência).
 Galilei constrói uma ciência ativa (analisa a experiência pelo método indutivo-dedutivo).
 Promove a autonomia da ciência (objeto: verdades naturais) frente à religião (objeto: verdades de fé) e à filosofia (essência das coisas).
 A natureza e o homem são como uma máquina cujas leis precisam ser descobertas.
 A natureza é um livro aberto escrito em linguagem matemática.
EPISTEMOLOGIA MODERNA
 Na modernidade a física e a matemática se tornam pano de fundo da ciência.
 Busca-se um método científico que garanta certeza e verdade.
 Racionalismo, empirismo, iluminismo e positivismo apontarão métodos diferentes.
 O racionalismo limita o conhecimento à razão; O empirismo o limita à experiência sensível.
 Para os racionalistas a experiência está sujeita a enganos, a ciência se faz no intelecto.
 Para os empiristas a experiência é fundamental.
 Os racionalistas defendem que o homem pode atingir verdades universais.
 Os empiristas questionam o caráter absoluto da verdade, pois o conhecimento procede de uma realidade em transformação.
RACIONALISMO – RENÉ DESCARTES (1506-1650)
 Descartes é o pai do racionalismo e da filosofia moderna.
 Seu objetivo é alcançar um método que garanta a verdade, a certeza clara e distinta.
 O ceticismo era muito presente: duvidava-se da certeza e da verdade (Agrippa, Sanchez e Montaigne).
 Quem garante que não estamos sonhando? Ao duvidar percebe que tem certeza que está duvidando, se duvida pensa, se pensa existe.
 A partir dessa primeira certeza Descartes reconstrói todo o universo do saber.
 A essência do homem é o pensamento (res cogitans).
 Aquilo que exterioriza essa essência é o corpo (res extensa).
 A existência de Deus se demonstra pela prova ontológica. Se Deus existe Ele é perfeito, entre os atributos da perfeição está a existência, logo Deus existe.
 A garantia de que Deus existe é a certeza de que o mundo existe, pois Deus não engana. Assim, o mundo pensado coincide com o mundo real.
 Itinerário: 1º pensamento, 2º Deus e 3º mundo.
 Forte tendência em valorizar a razão, o entendimento, o intelecto.
 Nossas idéias são inatas, não sujeitas a erros pois vêm da razão e não dos sentidos.
 Descartes é fascinado por matemática e geometria, essenciais para o conhecimento verdadeiro, pois têm origem na razão a qual tem por objeto o universal e necessário.
 O racionalismo separa corpo e consciência, sendo o corpo a realidade física; e a consciência sede do recordar, do raciocinar, do conhecer e do querer.
 A mente não se submete às leis físicas e só ela é plenamente livre.
EMPIRISMO – FRANCIS BACON (1561-1626)
 Seu lema é “saber é poder”. Não o saber contemplativo, mas o instrumental (possibilita dominar a natureza).
 Principal obra: Novum organum, onde critica a lógica aristotélica, defende a supremacia da indução e denuncia as falsas noções (ídolos) que nos impedem de conhecer a realidade.
Empirismo – Francis Bacon (1561-1626)
 Ídolos da caverna: opiniões que se formam a partir de nossos sentidos. De fácil correção.
 Ídolos do foro: opiniões que se formam em nós pela linguagem e relações com os outros. De difícil correção.
 Ídolos do teatro: impostas pelas autoridades, leis e decretos. Requer reforma política e social.
 Ídolos da tribo: opiniões que decorrem de nossa natureza humana. Reforma de nossa natureza.
 Esses ídolos dificultam a investigação científica, têm de ser identificados e derrubados pela indução e pela experiência.
 Três fases do método de Bacon: análise da experiência, hipótese e verificação.
 O seu método é menos exato que o indutivo-dedutivo de Galilei, pois não recorre tanto à matemática.
EMPIRISMO – JOHN LOCKE (1632-1704)
 Quer saber qual é a essência, a origem e o alcance do conhecimento humano.
 Distingue duas origens do conhecimento:
 Sensação: modificação ocorrida na mente pelos sentidos.
 Reflexão: percepção que a mente tem daquilo que ocorre com ela.
 Nascemos tabula rasa e o conhecimento se dá pela experiência sensível. As idéias não são inatas.
Empirismo – John Locke (1632-1704)
 Só conhecemos a existência e não a essência das coisas; conhecer a substância supera os limites do nosso conhecimento.
 Nossas idéias podem ser:
 Simples: conhece as qualidades primárias (objetivas) e secundárias (subjetivas).
 Complexas: denominar e ordenar as coisas; tem validade prática, mas não cognitiva, não é objetiva.
EMPIRISMO – DAVID HUME (1711-1776)
 Radicaliza o empirismo: só os fenômenos são observáveis (fenomenismo), a essência não é experienciável.
 Não há causalidade, observamos só a sucessão dos fatos e formamos o hábito.
 Não se pode conhecer nada além das impressões; o objeto é a sua representação em impressões e não a coisa externa.
 Os objetos da razão são:
 Relações de Idéias: são as ciências da Geometria, Álgebra e Aritmética e toda a afirmação intuitiva, ex. o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados catetos. Proposições deste tipo podem descobrir-se pela simples operação do pensamento, sem dependência do que existe em alguma parte no universo.
 Questões de fato: não são indagadas da mesma maneira, nem a nossa evidência da sua verdade é de natureza semelhante à precedente. O contrário de toda a questão de fato é possível, porque jamais pode implicar uma contradição, e é concebido pela mente com a mesma facilidade e nitidez, como se fosse idêntico à realidade. Que o Sol não se levante amanhã não é uma proposição menos inteligível e não implica maior contradição do que a afirmação de que ele se levantará. Ou seja, em vão tentaríamos demonstrar a sua falsidade.
 Distingue entre impressões (percepções fortes, ex. calor) e idéias (percepções fracas, ex. idéia de calor).
 A ciência não é possível, pois se baseia na crença gerada pelo hábito, não há como se ter certeza de que o ocorrido sempre ocorrerá.
ILUMINISMO
 O iluminismo é o ápice da crença no poder da razão.
 É a confiança absoluta de que a razão seria a luz a iluminar o mundo.
 Características do iluminismo: 1. veneração á ciência; 2. confiança na razão; 3. harmonizar racionalismo e empirismo; 4. antitradicionalismo; 5. eliminação do sofrimento e da miséria; 6. propiciar a felicidade.
ILUMINISMO – IMMANUEL KANT (1724-1804)
 Kant é o maior expoente do iluminismo por examinar criteriosamente a razão.
 Racionalismo e empirismo impossibilitam a ciência: o racionalismo pelos juízos analíticos a priori e o empirismo pelos juízos sintéticos a posteriori.
 Juízos são teses, proposições, não são vivências.
 Racionalismo: idéias inatas (juízos analíticos a priori). Juízos analíticos não acrescentam nada ao conhecimento, apenas descrevem-no.
 Juízos analíticos a priori: o predicado está contido no sujeito.
 Empirismo: idéias vem da síntese de experiência em experiência (juízos sintéticos a posteriori).
 Juízos sintéticos a posteriori: o predicado não está contido no sujeito.
 Os juízos analíticos são universais e necessários e os sintéticos são particulares e contingentes.
Iluminismo – Immanuel Kant (1724-1804)
 Para que a ciência seja possível deve haver conhecimentos sintéticos que tenham a propriedade apriorística: juízos sintéticos a priori (universais e necessários independentes da experiência).
 Uma experiência bem feita basta para fundamentar uma lei, que valerá para todas as experiências passadas e futuras. Essa tornar-se-á juízo sintético a priori.
 Nem o racionalismo e nem o empirismo perceberam que o juízo sintético a priori é condição de possibilidade da ciência.
 Conhecemos apenas o fenômeno (aquilo que se manifesta a nós) e não o noúmeno (a coisa em si).
 Conhecer é uma concepção mental apriorística, onde o objeto dá a matéria e o sujeito dá a forma.
 Kant possibilita o surgimento do idealismo (acentua o sujeito cognoscente) e o positivismo (enfatiza a experiência).
POSITIVISMO – AUGUSTO COMTE (1798-1857)
 É o pai do positivismo e o fundador da sociologia.
 Afirma que a evolução do conhecimento passa por três estágios: teológico, metafísico e científico.
 A ciência reformará as instituições através da ordem e do progresso (lema positivista).
 Classifica as ciências, das mais simples ás mais complexas: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia.
 Só no estágio científico, ou positivista, se atinge o conhecimento, a ciência.
 Características do positivismo:
- certeza sensível via observação sistemática e certeza metódica;
- relacionar fenômenos observados;
- buscar relações, leis, entre os fenômenos;
- prever e controlar os fenômenos.
POSITIVISMO – O CÍRCULO DE VIENA
 O positivismo teve seguidores no mundo todo e entre eles destaca-se o Círculo de Viena (reavia o entusiasmo cientificista do positivismo).
 Busca analisar e clarificar o discurso científico estabelecendo as condições de sua legitimidade.
 À filosofia cabe analisar a lógica e a linguagem científicas, demarcando os critérios que distinguem os enunciados científicos dos não científicos.
 O critério de demarcação é o princípio de verificabilidade: a ocorrência confere veracidade à proposição.
 Só é verdadeiro aquilo que se possa verificar e descrever, o experienciável.
 Filosofia e metafísica são asserções não-verificáveis e, portanto, sem sentido.
 Só as ciências naturais têm o status, a prerrogativa de conhecimento do real.
POSITIVISMO – CÍRCULO DE VIENA – KARL POPPER (1912-1994).
 Inicialmente concorda com o Círculo de Viena, mas depois se opõe e propõe o critério de refutabilidade empírica.
 A ciência será verdadeira se resistir à refutação ou falsificabilidade.
 Só será ciência a teoria, ou a hipótese, que mesmo sendo falsificável (desmentida, contradita, confrontável), resiste.
A RACIONALIDADE INSTRUMENTAL (TEORIA CRÍTICA)
 Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Habermas): criticam a Razão Instrumental.
 Crítica da razão “iluminista”:
- pretensão de domínio sobre a natureza.
- promessa de emancipação e progresso.
- razão “cega” quanto aos fins.
 Conhecimento (ciência) como instrumento de dominação e exploração (instrumentalização da razão).
A racionalidade instrumental (teoria crítica)
 Assimilação dos indivíduos pelo sistema capitalista:
- deturpação das consciências.
- desumanização.
 Acesso aos objetos técnico-tecnológicos, mas não ao conhecimento.
 Confusão entre progresso técnico-científico e progresso da humanidade com recaídas na barbárie.
 Habermas: retoma a razão iluminista em novas bases (“razão comunicativa”).