domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dez anos de Filosofia no vestibular UEL

SÍNTESE DE DEZ ANOS DE FILOSOFIA NO VESTIBULAR UEL
2003 – 20 questões
1ª Pré-socráticos – Tales de Mileto – passagem do mito à razão.
2ª Mito e filosofia.
3ª Mito e conhecimento.
4ª Democracia grega.
5ª Aristóteles – política.
6ª Hobbes – política – contratualismo.
7ª Locke – política – liberdade.
8ª O poder do Estado – música do Titãs.
9ª Platão – a concepção de sociedade justa.
10ª Aristóteles (2) – ética – virtude.
11ª Rousseau – a liberdade humana.
12ª Kant – o imperativo categórico.
13ª Características da ciência moderna.
14ª Platão (2) – o mundo das idéias.
15ª Descartes – teoria do conhecimento.
16ª Hume – teoria do conhecimento.
17ª Popper – filosofia da ciência.
18ª Platão (3) – estética – a arte.
19ª Esc. de Frankfurt – a relação arte (cinema) e política.
20ª Esc. de Frankfurt (2) – Adorno e Horkheimer – a indústria cultural.

2004 – 20 questões
1ª Pré-socráticos (2) – os físicos da Jônia.
2ª Passagem do mito à razão (2).
3ª Aristóteles (3) – política – origem natural.
4ª Aristóteles (4) – política – a democracia.
5ª Maquiavel – o poder político.
6ª Rousseau (2) – política – Estado e soberania.
7ª Spinoza – liberdade.
8ª Kant (2) – ética – autonomia da vontade.
9ª Kant (3) – ética – a questão do dever.
10ª Ética – virtude - Tugendhat.
11ª Francis Bacon – Filosofia da ciência.
12ª Galileu Galilei – Filosofia da ciência – o método científico.
13ª Descartes (2) – teoria do conhecimento – os sentidos.
14ª Hume (2) – teoria do conhecimento – causalidade.
15ª Popper (2) – epistemologia – relação com o positivismo.
16ª Filosofia da ciência – o discurso científico.
17ª Esc. de Frankfurt (3) – Adorno e Horkheimer (2) – razão instrumental.
18ª Esc. de Frankfurt (4) – Adorno e Horkheimer (3) – ciência, técnica e sociedade.
19ª Estética – arte e política.
20ª Escola de Frankfurt (5) – Benjamin – a reprodutibilidade técnica.

2005 – 20 questões
1ª Passagem do mito à razão (3).
2ª Platão (4) – política – justiça.
3ª Aristóteles (5) – ética – felicidade.
4ª Rousseau (3) – política – liberdade moral.
5ª Kant (4) – ética – o conceito de dever.
6ª Kant (5) – ética – liberdade.
7ª Maquiavel (2) – política.
8ª Hobbes (2) – política – o contrato político.
9ª Locke (2) – política – o contrato social.
10ª Rousseau (4) – política – origem da sociedade civil.
11ª Esc. de Frankfurt (6) – Habermas – política – Estados Democráticos de Direito.
12ª Francis Bacon (2) – teoria do conhecimento – crítica a Aristóteles.
13ª A relação entre filosofia e ciência.
14ª Galileu Galilei (2) – filosofia da ciência.
15ª Descartes (3) – teoria do conhecimento.
16ª Popper (3) – ciência e método científico.
17ª Esc. de Frankfurt (7) – Horkheimer – razão instrumental.
18ª Aristóteles (6) – estética.
19ª Esc. de Frankfurt (8) – Adorno e Horkheimer (4) – indústria cultural.
20ª Esc. de Frankfurt (9) – Adorno e Horkheimer (5) – indústria cultural.

2006 – 20 questões
1ª Os poemas homéricos e o nascimento da filosofia.
2ª Aristóteles (7) – política – cidadania.
3ª Hobbes (3) – política – estado de natureza.
4ª Locke (3) – política – estado de natureza.
5ª Locke (4) – política – contrato social.
6ª Kant (6) – política – direito natural.
7ª Kant (7) – política – concepção de justiça.
8ª Habermas (2) – política – legitimidade do Estado.
9ª Rousseau (5) – Política – legitimidade do poder.
10ª Aristóteles (8) – ética – concepção de justiça.
11ª Esc. de Frankfurt (10) – Habermas (3) – ética.
12ª Esc. de Frankfurt (11) – Habermas (4) – ciência e técnica.
13ª Francis Bacon (3) – filosofia da ciência.
14ª Hume (3) – epistemologia – empirismo.
15ª Platão (5) – teoria do conhecimento – concepção de verdade.
16ª Aristóteles (9) – ética – teleologia.
17ª Platão (6) – teoria do conhecimento – mímesis.
18ª Esc. de Frankfurt (12) – Benjamin (2) – estética – reprodutibilidade técnica.
19ª Esc. de Frankfurt (13) – Adorno e Horkheimer (6) – razão instrumental.
20ª Galileu Galilei (3) – concepção de ciência.

2007 – 20 questões
1ª Platão (7) – teoria do conhecimento - mímesis.
2ª Descartes (4) – teoria do conhecimento – a dúvida cartesiana.
3ª Hobbes (4) – política – contratualismo.
4ª Esc. de Frankfurt (14) – Habermas (5) – ética do discurso.
5ª Francis Bacon (4) – epistemologia – os quatro ídolos.
6ª Kant (8) – ética – a falsa promessa.
7ª Aristóteles (10) – ética – teleologia – virtude (excelência).
8ª Mito e filosofia (4).
9ª Descartes (5) – teoria do conhecimento.
10ª Aristóteles (11) – teoria do conhecimento – livro Metafísica.
11ª Hume (4) – teoria do conhecimento.
12ª Pré-socráticos (3) – Tales de Mileto (2) – passagem do mito à razão.
13ª Kant (9) – epistemologia – juízos analíticos e sintéticos.
14ª Esc. de Frankfurt (15) – Benjamin (3) – estética – aura e reprodutibilidade.
15ª Popper (4) – filosofia da ciência – métodos indutivos.
16ª Maquiavel (3) – política – qualidades do príncipe.
17ª Aristóteles (12) – ética – virtudes – justiça.
18ª Rousseau (6) – política – contratualismo.
19ª Aristóteles (13) – ética – virtudes.
20ª Spinoza (2) – ética – virtudes.

2008 – 20 questões
1ª Platão (8) – estética – educação musical.
2ª Aristóteles (14) – ética – amizade.
3ª Galileu Galilei (4) – epistemologia – método científico.
4ª Hobbes (5) – política – estado de natureza e estado civil.
5ª Descartes (6) – teoria do conhecimento – verdade: clareza e distinção.
6ª Hume (5) – epistemologia – o hábito, costume.
7ª Rousseau (7) – política – contrato social.
8ª Kant (10) – epistemologia.
9ª Popper (5) – filosofia da ciência – demarcação (falseabilidade).
10ª Esc. de Frankfurt (16) – Adorno e Horkheimer (7) – razão instrumental.
11ª Esc. de Frankfurt (17) – Habermas (6) – ética do discurso.
12ª Platão (9) e Aristóteles (15) – estética – o papel dos poetas.
13ª Aristóteles (16) – teoria do conhecimento – as quatro causas.
14ª Descartes (7) – teoria do conhecimento – proposições verdadeiras e certas.
15ª Hume (6) – epistemologia – crença e imaginação.
16ª Popper (6) – filosofia da ciência – o problema da indução.
17ª Aristóteles (17) – teoria do conhecimento.
18ª Escola de Frankfurt (18) – Adorno e Horkheimer (8) – indústria cultural.
19ª Descartes (8) – teoria do conhecimento.
20ª Aristóteles (18) – estética – a poesia.

2009 – 20 questões
1ª Platão (10) – teoria do conhecimento – o mito da caverna.
2ª Platão (11) – política – a cidade justa.
3ª Aristóteles (18) – política – a justiça na polis.
4ª Aristóteles (19) – política – origem natural do Estado.
5ª Maquiavel (4) – política – poder e moral.
6ª Hobbes (6) – política – estado de natureza.
7ª Rousseau (8) – ética – lei natural e lei positiva.
8ª Francis Bacon (5) – epistemologia – experimentação e observação.
9ª Aristóteles (20) – metafísica – teleologia.
10ª Descartes (9) – teoria do conhecimento – dúvida metódica.
11ª Descartes (10) – teoria do conhecimento – conhecimento verdadeiro.
12ª Kant (11) – ética.
13ª Esc. de Frankfurt (19) – Habermas (7) – ética do discurso – razão monológica.
14ª Esc. de Frankfurt (20) – Habermas (8) – política – democracia.
15ª Esc. de Frankfurt (21) – Habermas (9) – política – democracia e cidadania.
16ª Popper (7) – filosofia da ciência – progresso científico.
17ª Esc. de Frankfurt (22) – Adorno e Horkheimer (9) e Habermas (10) – razão instrumental.
18ª Esc. de Frankfurt (23) – ciência e técnica.
19ª Platão (12), Aristóteles (21) – epistemologia – mímesis.
20ª Esc. Frankfurt (24) – Adorno e Benjamin (4) – estética – a arte e a aura.

2010 – 20 questões
1ª Platão (13), Aristóteles (22) – origem da filosofia – thaumazen, admiração.
2ª Descartes (11) – teoria do conhecimento – pensamento e existência.
3ª Hume (7) – epistemologia – empirismo, hábito, costume.
4ª Esc. de Frankfurt (25) – Habermas (11) – ética do discurso.
5ª Platão (13) – estética – mímesis.
6ª Aristóteles (23) – ética – virtudes éticas e dianoéticas.
7ª Esc. de Frankfurt (26) – Adorno (2) – estética – indústria cultural.
8ª Platão (14) – teoria do conhecimento – impressões e conhecimento.
9ª Kant (12) – ética – imperativo categórico.
10ª Aristóteles (24) – estética – o papel do poeta.
11ª Esc. de Frankfurt (27) – Horkheimer (2) – razão e ciência.
12ª Galileu Galilei (5) – epistemologia – revolução científica.
13ª Esc. de Frankfurt (28) – Habermas (12) – política – democracia.
14ª Esc. de Frankfurt (29) – Adorno e Horkheimer (10) – conceito de esclarecimento.
15ª Esc. de Frankfurt (30) – Benjamin (5) – estética – reprodutibilidade e aura.
16ª Rousseau (9) – política – contrato social e vontade geral.
17ª Hobbes (7) – política – jusnaturalismo.
18ª Maquiavel (5) – política – virtú, fortuna e a moralidade.
19ª Kant (13) – teoria do conhecimento – juízos sintéticos a priori.
20ª Locke (5) – política – a questão da propriedade.

2011 – 20 questões
1ª Francis Bacon (6) – epistemologia – método indutivo.
2ª Descartes (12) – teoria do conhecimento – fundamentação da verdade.
3ª Popper (8) – filosofia da ciência – critério de avaliação das teorias científicas.
4ª Esc. de Frankfurt (31) – Habermas (13) – ética – ação comunicativa.
5ª Francis Bacon (7), Adorno e Horkheimer (11) – progresso científico.
6ª Esc. de Frankfurt (32) – Habermas (14) – política – teoria do discurso.
7ª Rousseau (10) – política – homem natural e homem social.
8ª Locke (6) – política – poderes legislativo, executivo e federativo.
9ª Hobbes (8), Aristóteles (25) – política – a sociabilidade humana.
10ª Aristóteles (26) – estética – mímesis.
11ª Aristóteles (27) – política – arte (música), ética e política.
12ª Aristóteles (28) – ética – conceito de virtude ética.
13ª Esc. de Frankfurt (33) – Benjamin (6) – estética – valor de culto da arte.
14ª Kant (14) – ética – vontade, dever e lei moral.
15ª Maquiavel (6) – política – desvinculação com o poder religioso.
16ª Esc. de Frankfurt (34) – Habermas (15) – ética – técnica e ciência como ideologia.
17ª Platão (15) – estética – mímesis, poesia e alma humana.
18ª Platão (16) – estética – poetas imitadores afastam da verdade.
19ª Aristóteles (29) – teoria do conhecimento – princípio de não contradição.
20ª Hobbes (9) – política – evitar condição de guerra.

2012 – 6 questões objetivas
1ª (questão 3) Francis Bacon (8) – ciência e controle da natureza.
2ª (questão 5) Esc. de Frankfurt (35) – Adorno e Horkheimer (12) – instrumentalização e controle da natureza.
3ª (questão 6) Kant (15) – ética – esclarecimento, autonomia.
4ª (questão 11) Aristóteles (30) – ética – teleologia.
5ª (questão 34) Esc. de Frankfurt (36) – Habermas (16) – ética – ética do discurso.
6ª (questão 55) Esc. de Frankfurt (37) – Habermas (17) – linguagem e simbologia
2012 – 4 questões discursivas
1ª Descartes (13) – teoria do conhecimento – dúvida metódica e verdade primeira.
2ª Esc. de Frankfurt (38) – Benjamin (7) – reprodutibilidade e autenticidade.
3ª Hobbes (10) e Locke (7) – jusnaturalismo e contratualismo.
4ª Aristóteles (31) – ética – felicidade: honra, prazer e razão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ciência e técnica

CIÊNCIA E TÉCNICA: A RAZÃO INSTRUMENTAL

A relação entre ciência e técnica
 Filosofia = visão de totalidade.
 Antiguidade: Teoria do conhecimento;
 Modernidade: Epistemologia
 Contemporaneidade: Filosofia da ciência.
 Filosofia: ciência-serviço, não dominação;
 A filosofia analisa os fundamentos da ciência: a) em que consiste seu conhecimento; b) qual o seu alcance; c) qual sua validade; d) qual a sua responsabilidade.
 Saber e poder estão a serviço do homem? Contribuem para sua liberdade e felicidade?
 Principais preocupações: (1) utilitarismo; (2) neutralidade; (3) a razão instrumental; e (4) uso empresarial e governamental.

Ciência desinteressada e utilitarismo
 Modernidade => razão => conhecimento e domínio (Hoje, sustentabilidade).
 Conhecimento desinteressado: valor intrínseco da ciência é sua exatidão, rigor, coerência e qualidade.
 Conhecimento utilitarista: Valor extrínseco (aplicabilidade).
 Qual das duas é abalizada pela filosofia? As duas, para não haver parcialidade.
 Se fosse apenas pelo utilitarismo muitas teorias não existiriam.
 Se não houver aplicabilidade, se não revolver problemas, pode cair na incerteza.
 A ciência pura (teórica) muitas vezes resulta em práticas para as quais nem foi pensada.
A ideologia cientificista
 Lado ideológico da ciência: identificá-la apenas com os resultados de suas aplicações.
 Duas conseqüências: cientificismo e ilusão de neutralidade.
 Cientificismo: a ciência é capaz de (1) conhecer e resolver tudo; (2) explicar sempre a realidade; (3) garantir progresso (4) construir um sistema doutrinário.
 Cientificismo é o mito de tudo poder e tudo controlar.
 Desprezo pela religião, filosofia, arte, intuição.
 Confiança irrestrita apenas na racionalidade (combate os mitos, mas se transforma em mito).
 Críticos acusam o cientificismo de destruir a natureza e oprimir o ser humano.
 Para Kierkegaard, Nietzsche, Marx, Weber e a Escola de Frankfurt a formalização da razão criou um novo mito: saber é poder, só o técnico competente é capaz de decisão.
 Os incompetentes devem executar tarefas planejadas e ordenadas (=tecnocracia).
 A ilusão de neutralidade se funda: (1) na idéia de objetividade, (2) pesquisador independente de paixões e vontades, (3) a ciência apenas diz o que e como as coisas são, não as interpreta.
 Isto é ilusório, pois o cientista escolhe seu método e define seu objeto, por influência social, política e econômica, ou seja, dentro de uma história.
 Pesquisas custam caro e exigem apoio de grupos e governos (1º, 2º e 3º setores [governo, mercado, sociedade: ong’s, oscip’s]).
 Domínio tecnológico é comercializado, um constrói outro compra (máquinas, remédios, equipamentos, etc.).
 Suas origens podem ser militar, econômica e política, entre outras.
 Maravilhas advêm de pesquisas nucleares, bacteriológicas e espaciais.
 Diante de tudo isto a neutralidade da ciência não se sustenta.
 A ideologia cientificista consolida a ciência como capaz de tudo conhecer e transformar, disfarçando sua origem e finalidade segundo interesses políticos e econômicos.
A razão instrumental
 A transformação da ciência em ideologia se dá pela razão instrumental (ou iluminista).
 Significa tornar a ciência um ato de domínio e controle sobre a natureza e a humanidade.
 Para o iluminismo a razão é capaz de compreender, transformar e dominar a natureza e a sociedade.
 A sociedade ficou reduzida a instrumento, meio para fins úteis vinculados ao poder.
 A ciência deixa de ser acesso ao conhecimento e se torna instrumento de poder e exploração.
 Quando isto ocorre a ciência deixa de ser teoria científica e vira ideologia de domínio e controle.
 Ex. de t. científica tornada ideologia: Copérnico e Galileu têm de esconder suas pesquisas, pois vão contra um modelo hierárquico e perfeito; questiona a ordem e a autoridade, legitimada pelo modelo ptolomaico.
 Outro ex: Spencer vincula o evolucionismo de Darwin à ordem cósmica, psíquica e social; o progresso provem da competição e concorrência. Mais apto = superior.
 Ex. de teoria científica ideológica (traz no bojo o preconceito):
 Os europeus, civilizados, tinham pensamento lógico-racional, evoluído, verdadeiro e superior.
 Os primitivos, selvagens, pensamento pré-lógico, atrasado, falso e inferior.
 Razão instrumental = conseqüência da concepção e do papel que o iluminismo atribuiu ao saber (poder).
 Nunca houve tanto saber (poder, técnica, progresso), mas também nunca houve tanto desequilíbrio: má distribuição de rendas, miséria, violência, guerras, exploração do meio ambiente, individualismo, consumismo e concentração de riquezas (6% possuem 59%; 53% - de U$ 2/dia).

O uso da ciência
 As descobertas científicas são aplicadas para fins não previstos (ex.: avião).
 A questão ética se impõe: quem pode evitar que cientistas negociem suas criações (ex.: artefatos bélicos)?(U$ 1.12 tri U$ c/ guerras e 100bi c/ a fome).
 Criam profissões, destroem ocupações, formalizam o trabalho industrial, etc.
 Pode a economia ser motivo de conhecimentos científicos? A ciência tornou-se agente econômico.
 A ciência uniu-se ao poder político: a tecnologia garante imperialismos e domínios.
 A tecnologia pode causar desequilíbrios, explorações e dominações antiéticas.
 A humanidade não intervém nas decisões de governos e empresas.
 Como controlar o uso da ciência? E quem deve fazê-lo?

Crise da razão: antecedentes e auge
 Kierkegaard e Nietzsche (séc. XIX) opuseram interioridade e subjetividade (existencialismo) ao sistema cognitivo objetivo e absoluto.
 Para Kierkegaard, Hegel nos fez esquecer da existência e da interioridade (mutabilidade e contingência).
 A existência não é regulada por leis universais e necessárias. Ela é particular e as leis do pensamento e da lógica são universais.
 Para Kierkegaard o saber não é absoluto; ele recusa o projeto iluminista, a modernidade. Só a subjetividade é a verdade.
 Para Nietzsche a natureza humana íntima está na vontade, vontade de poder.
 A vontade de poder é alegre, criativa e forte, busca superar o comum e medíocre da ética, da religião e do conhecimento tradicional.
 Para ele conhecer é interpretar, atribuir sentido e significado, mas não de modo sistêmico, absoluto, cabal, definitivo e objetivo.
 À filosofia cabe desmascarar o modo como esses sentidos são atribuídos carregados de valores.
 Para conhecer como os conceitos foram construídos devemos nos valer da genealogia.
 Não se deve fazer de determinados conceitos verdades absolutas e eternas.
Crise da razão: antecedentes e auge
 Com a genealogia se vê o que foi acrescido e excluído do conceito original (filologia), pela tradição, pela lei e pela autoridade.
 O conhecimento de um objeto será sempre momentâneo, capta o estado como o objeto se manifesta.
 Kant vai definir o iluminismo como a saída do homem do estado de menoridade (incapacidade de se autoguiar apenas pelo intelecto, autonomia x heteronomia).
Crise da razão: antecedentes e auge
 O iluminismo combateu o mito (tradição), mas tornou-se também um mito, o mito da razão.
 O saber e o poder se elevaram acima do mundo, da existência.
 O mundo, a natureza passou a ser matéria manipulável.
 A Escola de Frankfurt é um movimento crítico aos ideais iluministas.
 Principais representantes: Adorno, Horkheimer, Marcuse, Benjamin e Eric Fromm.
Crise da razão: antecedentes e auge
 Karl Krünberg fundou a Escola de Frankfurt em 1923, para revisar e inovar o marxismo.
 Em 1934 os nazistas a fecharam e os pensadores se exilaram, voltando em 1950.
 Desenvolveram a TEORIA CRÍTICA DA SOCIEDADE.
 Há um elemento irracional dentro dos totalitarismos, da racionalidade instrumental e científica (positivista): unir ciência e técnica para dominar a natureza com fins lucrativos ou políticos (dominação).
 O iluminismo julgou que a razão era capaz de compreender a realidade, mas ao perseguir o progresso tornou-se instrumental, vê apenas o que é útil e operativo.
 A técnica é a essência do saber científico moderno, porém ela visa os resultados (econômicos) e não os conceitos.
 Conhecimento se tornou dominação sobre a natureza e sobre os homens (simples material).
 Os frankfurtianos, assim como Kierkegaard, Nietzsche, Freud e Heidegger não aderem à razão iluminista.
 Eles não acreditam mais que a ciência e a tecnologia possa ser condição de emancipação individual e social.
 Tais críticas não significam desprezo ou rejeição ao saber científico ou desvalorização de seus benefícios.
 A mal está no descomprometimento com a vida e com o “bem viver coletivo”.

O novo iluminismo
 Parece haver um choque entre sabedoria e ciência (visa produtividade, domínio, poder, posse, lucro).
 A crítica que se faz ao iluminismo pode ser vista como herança do próprio iluminismo.
 A verdadeira ciência deve ajudar o homem a construir o seu destino livre de tirania e superstição.
 A autonomia kantiana se consegue pela crítica racional, porém nem sempre racionalidade significa humanismo.
 Humano é solidariedade, tolerância, afetividade, diálogo e boa convivência.
 A razão que tem fins e meios definidos em função de interesses de classes é uma visão parcial, equivocada e instrumental da razão.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Platão, Aristóteles, Kant e os frankfurtianos

PLATÃO
O Mundo de Platão
Opinião da realidade: predominância das impressões ou sensações originadas nos sentidos.
Esfera racional da sabedoria e mundo das idéias: conhecimento autêntico.
Para atingí-lo: a filosofia
DIALÉTICA: contraposição de uma opinião com a crítica que dela fazemos.
Afirmação de uma TESE seguida de discussão e negação desta TESE, purificando erros e equívocos.
O MITO DA CAVERNA
• O mito da caverna: alegoria (exposição do pensamento sob forma figurada) sobre a concepção platônica da educação da alma.
• Compreendendo o mito:
• Os prisioneiros da caverna tomam as sombras das estatuetas transportadas como se fosse a única realidade
• Quando um deles é libertado sente dificuldade e dor para distinguir os objetos das suas sombras que via anteriormente
• Ao ser arrancado à força da caverna ficará inicialmente ofuscado pela luz; aos poucos se habituará a ver os objetos da região superior e então será capaz de distinguir:
• Sombras
• Imagens de homens e estatuetas refletidas na parede
• Os próprios objetos
• Finalmente poderá contemplar o próprio sol, a causa de tudo no mundo visível.
• O prisioneiro liberto se alegrará com o que agora vê e lamentará os que permanecem prisioneiros
• A interpretação platônica do mito:
• O que é a caverna? O mundo em que vivemos.
• Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos.
• Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo.
• O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade.
• O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade.
Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética.
O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia.
Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.
Aristóteles (384-362)

 Macedônio de Estagira, também conhecido como “O Estagirita”.
 Difere de Platão por ser mais racional (Platão é mais místico, religioso; e Aristóteles, mais cientista; Platão é idealista, Aristóteles é realista).
 Platão escreve diálogos, Aristóteles tratados.
 Fundou o Liceu (Escola Peripatética).
 A realidade platônica é dualista, a aristotélica é una.
 Se a realidade é una como explicar a mudança? Pela passagem da potência ao ato (teoria aristotélica do conhecimento).
 Como se dá tal passagem? Por quatro causas: material, formal, eficiente e final.
 Principais obras: Ética à Nicômaco (Ética), Organon (Lógica), Metafísica, Política, De anima (psicologia).
 Tudo o que vive pode ter uma (as plantas: a vegetativa), duas (os animais: vegetativa e sensitiva) ou três almas (o homem: vegetativa, sensitiva e intelectiva).
 Aristóteles define o homem como “animal racional” e “animal político”. O telos da política é possibilitar a “vida boa”.
 Política (viver bem em coletividade) não se desvincula de ética (viver bem consigo próprio).
 A sua ética é eudaimonista (busca a felicidade = eudaimonia).
 A razão da vida humana (telos) deve ser a busca da felicidade. A coisa mais doce é alcançar aquilo que amamos.
 “A felicidade é a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo” (EN, 1099a20).
 Felicidade é a atividade da alma em consonância com a melhor e mais completa virtude, durante toda a vida (EN, 1098a15).
 Virtude é a justa medida entre dois extremos: o excesso e a falta, pois ambos são vícios.
 Teleologia aristotélica (telos: finalidade) – tudo no universo (físico ou mental) tem uma razão de ser, uma finalidade.
 Considera absurda a idéia de que a alma sobrevive à morte do corpo, pois o homem é substancialmente corpo (matéria) e alma (forma) e não acidentalmente.
 O ser humano almeja bem estar e isto só se obtém vivendo virtuosamente.
 Tem obras sobre lógica (6), metafísica (14), física (29), ética (19), política (8), poética (1) e retórica (1).
Immanuel kant, nasceu em Konigsberg – Prússia, em 1724 e nunca saiu de sua cidade, nela morreu em 1804. Tem contribuições nas diversas áreas da filosofia, sobretudo em epistemologia e ética.
 Teoria do conhecimento: não podemos conhecer o noúmeno (coisa-em-si), apenas o fenômeno (como a coisa-em-si se mostra, se apresenta).
 Diz que as teorias científicas têm por base os juízos sintéticos à priori (uma experiência bem feita é suficiente para se emitir um enunciado científico).
 Ele une racionalismo e empirismo.
 Para conhecer precisamos dos sentidos, mas também do intelecto: os sentidos captam o objeto e a mente ordena.
 O conhecimento não está apenas no sujeito (racionalismo), ou no objeto (empirismo), mas nos dois: o sujeito dá a forma, o objeto dá a matéria.
 Espaço, tempo (condições a priori), substância e causalidade são condições necessárias para que o conhecimento do mundo fenomênico ocorra.
 O mundo numênico pode não estar sujeito a estas condições, por isso não podemos conhecê-lo (Deus, imortalidade da alma, limites do universo).
 Na ética kantiana só quem delibera racionalmente é livre e o ato só pode ser classificado como moral se for livre e autônomo.
 Nossos deveres não devem ser impostos, mas devemos descobri-los por nós mesmos, mediante o uso da razão.
 A razão é um elemento universal e por isto todo ser racional deve, cônscio de seu dever, agir por dever, não contra o dever e nem conforme o dever (ética deontológica).
 O dever é uma exigência incondicional (categórica), é a nossa obrigação.
 Imperativo categórico (1) age de tal modo que o móbil de tua ação possa se converter, por tua vontade, em lei universal; (2) jamais trate o outro, ou você mesmo, como um meio, mas sempre como um fim em si mesmo.
Escola de Frankfurt – Teoria Crítica
• Histórico
1923 – Abertura do Instituto de Pesquisa Social, por Félix Weil, filiado à Universidade de Frankfurt.
1930 - Max Horkheimer assume a direção do Instituto.
1933 – O Instituto (Escola de Frankfurt) é fechado pelo Estado nazi, que considera suas atividades hostis ao Estado.
Os principais membros da Escola emigram para Paris e, posteriormente, para Nova Iorque.
1940 - Nos Estados Unidos, é criado o Institute of Social Research.
1950 - O Instituto de Pesquisa Social é reaberto na Alemanha.
• Principais teóricos
Theodor Adorno
Max Horkheimer
Herbert Marcuse
Walter Benjamin
Jürgen Habermas
• Teoria Crítica: propostas gerais
• Os frankfurtianos elaboram uma teoria crítica das sociedades contemporâneas, especificamente dos desdobramentos do capitalismo aliado à técnica e aos seus impactos sobre a vida dos indivíduos.
• Analisam o sistema da economia de mercado, abordando questões como: desemprego, crises econômicas, terrorismo, anti-semitismo, condição global das massas, mercantilização da cultura.
• Propõem temáticas novas através da análise de fenômenos superestruturais e do comportamento coletivo nas sociedades capitalistas industrializadas.
• Em nome da racionalização, os processos sociais são dominados pela ótica da ciência aliada à técnica, traduzida como racionalidade da dominação da natureza para fins lucrativos. 

• Denunciam a separação e oposição do indivíduo em relação à sociedade.
• Criticam a dominação dos indivíduos nos Estados capitalista e fascista. 

• Apontam o positivismo como estratégia de manutenção e reprodução do status quo. 

• Defendem a atividade reflexiva como solução da reorganização racional da sociedade, embora não apresentem soluções práticas para os impasses engendrados pelo capitalismo aliado à industrialização.
• As teses postuladas pelos frankfurtianos enfatizam o papel central que a ideologia desempenha em formas de comunicação nas sociedades urbanas modernas. E apontam a mídia como agente da barbárie cultural, veículos propagadores da ideologia das classes dominantes, imposta às classes subalternas pela persuasão ou manipulação. 

• Entendem as pesquisas setoriais e a mídia como instrumentos de manutenção do sistema, através da reprodução de modelos e valores sociais.
• Indústria Cultural
• Expressão utilizada por Adorno e Horkheimer na Dialética do Iluminismo (1947) no capítulo, “A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação das Massas”, em substituição do termo “cultura de massas”, para designar a produção e difusão de bens simbólicos em escala industrial.
• Para Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural, como subsistema da sociedade capitalista, reproduz a sua ideologia e estrutura.
• A Indústria Cultural configura produtos veiculados pelos mass media. Portanto, não designa peças culturais provindas da elite nem da população menos favorecida.
• As reflexões de Adorno e Horkheimer assentam na constatação de que a sociedade industrial não realizou as promessas do iluminismo humanista. Pois o desenvolvimento da técnica e da ciência não trouxe um acréscimo de felicidade e liberdade para o Homem.
• Ao invés de libertar o Homem, o progresso da técnica acabou por o escravizar, alienando-o.
• A reprodutibilidade técnica retirou, tanto da cultura popular, como da cultura erudita, o seu valor real. O resultado, a indústria cultural, não conduz à experiência libertadora da fruição estética.
• O princípio da reprodução deformaria a obra, nivelando-a por baixo. Por exemplo: adaptações de livros a filmes, que são adocicadas para se tornar mais apetecíveis ao consumo.
• O indivíduo deixa de decidir autonomamente. O conflito soluciona-se com a adesão acrítica de valores impostos.

• À medida que a indústria cultural se consolida, mais adquire poder sobre as necessidades do consumidor, guiando-o e disciplinando-o. “O consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer crer, não é o sujeito, mas o seu objeto” (ADORNO, 1967, p. 6).
• A individualidade é substituída pela pseudo-Individualidade. A ubiqüidade (significa “ao mesmo tempo em toda parte”), a repetitividade e a estandardização da indústria cultural fazem da moderna cultura de massa um meio de controle inédito.
• “O espectador não deve agir pela sua própria cabeça: o produto prescreve todas as reações: não pelo seu contexto objectivo que desaparece mal se volta para a faculdade de pensar – mas através de sinais. Qualquer conexão lógica que exija perspicácia intelectual, é escrupulosamente evitada” (Horkheimer; Adorno, 1947: 148).
• “A sociedade é sempre a vencedora e o indivíduo não passa de um fantoche manipulado pelas normas sociais” Adorno apud Wolf (1994, 77).
• Os produtos da indústria cultural paralisam a imaginação e a espontaneidade, impedindo a atividade mental do indivíduo. 

• A indústria cultural reflete o modelo do mecanismo econômico, que domina o tempo de trabalho e de lazer.
• A estrutura multiestratificada das mensagens reflete a estratégia de manipulação da indústria cultural.
• A recepção das mensagens da mídia escapam ao controle da consciência. O espectador absorve ordens, indicações, proibições, sem senso crítico.
• Uma das estratégias de dominação da indústria cultural é a estereotipização, modelos simplificados indispensáveis para organizar e antecipar as experiências humanas.
• A divisão dos produtos em gêneros conduz ao desenvolvimento de formas fixas e impõe modelos estabelecidos de expectativas.
• Os sujeitos encontram-se privados da verdadeira compreensão da realidade e da experiência de vida pelo uso constante de óculos esfumaçados, oferecidos pelo sistema através da indústria cultural.
• “O espectador olha (...) tudo se desenrola diante dos seus olhos, mas ele não pode tocar, aderir corporalmente àquilo que contempla. Em compensação, o olho do espectador está em toda a parte (...) sempre vê tudo em plano aproximado (...) mesmo o que está mais próximo está infinitamente distante da imagem, sempre presente, é verdade, nunca materializada. Ele participa do espectáculo, mas a sua participação é sempre pelo intermédio do corifeu (diretor de coros), mediador, jornalista, locutor, fotógrafo, cameraman, herói imaginário” (Edgar Morin, Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo, p. 74).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ARTE E SOCIEDADE

ARTE E SOCIEDADE
Indústria cultural e Cultura de massa

Tópicos:
 A arte tornou-se produto
 A relação capitalismo e obra de arte
 A reprodutividade técnica
 A cultura de massa
 A indústria cultural
 Interesses ideológicos
 Os meios de comunicação social

Arte e sociedade
 A arte sofre transformações e ganha autonomia: a finalidade é ela mesma.
 As transformações foram no (1) estilo: técnica, procedimentos e relação com o público;
 E foram também (2) determinantes e determinadas pela sociedade.
 Há duas posições opostas em relação à arte, (a) o valor está nela mesma, “arte pela arte” e (b) a arte tem de ser engajada, comprometida com mudanças sociais (históricas, sociais, políticas e econômicas).
 A primeira imagina o fazer artístico desprovido de raízes.
 A segunda esvazia a arte em prol da mensagem.
 Walter Benjamin (1892-1940) faz uma análise da relação arte e sociedade, no mundo tecnológico e capitalista.
 Para ele a reprodução técnica destruiu a aura artística.
 No passado a arte tinha como finalidade sacralizar e divinizar o mundo, daí vem sua aura.
 Passou do divino ao belo sem perder a aura.
 A reprodutividade técnica desfaz a aura.
 A tendência é orientar a realidade em função das massas e as massas em função da realidade.
 A reprodutividade não é algo novo, mas o modo (técnico) é.
 A técnica permite a arte em série: fotos, filmes, músicas.
 Original e cópia não se distinguem.
 As mãos foram liberadas da reprodutividade; a máquina faz e não o artista.
 A obra de arte possui dois valores, o de culto e o de exposição (essa pede reprodutividade).
 Pinturas paleolíticas tinham valor de culto: serem vistas pelos espíritos.
 Haviam obras secretas acessíveis apenas aos sacerdotes.
 Na pré-história predominava o valor de culto.
 As obras se emancipam do uso ritual e passam a ser expostas.
 A exposição traz novas funções a arte.
 Hoje arte e técnica, ambas emancipadas, caminham juntas.
 Pela técnica o nazifascismo transformou a política e a guerra em espetáculos artísticos.
 Pela propaganda os nazistas buscam influenciar nas emoções e nas paixões da sociedade.
 A reprodutividade técnica fica subserviente à propaganda totalitária em torno do führer.
 Benjamin tem esperança que aconteça a revolução socialista, democratizando a cultura tornando a arte acessível.
 A arte se tornaria direito universal deixando de ser privilégio da elite ou da religião.
 Sua esperança não se concretizou. Stalin e, depois o capitalismo usarão a arte em benefício próprio e surge a Cultura de massas.

Indústria cultura e cultura de massas
 Na modernidade o mundo desencanta e amadurece, a ciência supera a magia.
 A arte se emancipa da religião, mas se torna posse da ideologia e do mercado capitalista.
 A arte perdeu sua aura, mas não se democratizou.
 A arte tornou-se produto de consumo das massas através dos meios de comunicação.
 Perde suas especificidades e deixa de ser expressiva para ser reprodutiva.
 A arte existe para ser vista, visitada, fruída e contemplada.
 A arte tinha valor de exposição e tornou-se algo para ser consumido.
 A democratização da cultura e da arte requer que todos tenham acesso a ela, mas a indústria cultural não permite, por quatro motivos.
 Primeiro: cria a divisão social, obras caras e raras para a elite (culta) e as baratas e comuns à massa (inculta).
 Segundo: determina o horário e o preço das obras em função do público alvo, dizendo o que se deve ler, ouvir e ver.
 Terceiro: acentua a mediocridade, fortalece o senso comum, não traz novidade, devolve o que já se sabe.
 Quarto: cultura se torna lazer, entretenimento, diversão, distração. O que exige reflexão crítica não vende. Massificar é banalizar.
 Para Benjamin a reprodutividade técnica traria a democratização da arte;
 Para Adorno a indústria cultural não divulga, mas vulgariza a arte, por dois motivos:
 A) A cultura é colocada à venda com fins lucrativos. O que determina a produção cultural é a economia: agradar e atrair para vender e lucrar.
 B) A produção cultural visa lançar novos produtos, usa da cultura para vender produtos.
 A indústria cultural reproduz a cultura dominante e visa a permanência do sistema econômico e político-ideológico.
 Anestesia a consciência e impede a formação de indivíduos autônomos com capacidade de decidir e julgar por si.
 Os poderes político e econômico têm interesse em promover a indústria cultural.
 É um modo de deixar a população servil evitando revoltas.
 Para ambos ela é o “ópio do povo”, aliena pelo lazer e pela cultura.

Os meios de comunicação
 Rádio e tv são os que mais manifestam a indústria cultura e fazem isto ao criar duas categorias: público e horário.
 Os horários são definidos em função da classe social, do público alvo, da idade e do sexo.
 Além do horário também o conteúdo visa determinado mercado consumidor.
 Fazem isto de modo subliminar (simpático), por exemplo: petrolífera patrocina ecologia, cosméticos patrocina cultura, banco patrocina inclusão social. Visam incentivos.
(Veja TEDxSP 2009, Fábio Barbosa).
 Ouvintes são desrespeitados por informações fragmentadas, parciais e tendenciosas.
 O noticiário apresenta um mundo quebrado, longe e sem história e as telenovelas próximas, contínuas e históricas.
 Nas novelas o tempo é lento, os personagens os mais reais possíveis, próximos do público, o enredo parece real (personagens geram comentários quando morrem).
 Efeitos: Dispersão e Infantilização.
 Os meios de comunicação geram dispersão e dificuldade de concentração por longo tempo: nos acostumamos com momentos de atenção e descontração.
 Somos programados, pelo hábito, a nos concentrarmos de 7 a 10 minutos, e isto tem reflexo nas escolas. A capacidade de atenção vem diminuindo aos poucos.
 A infantilização ocorre quando a cultura tem de agradar para poder vender.
 Como infantiliza: O ser humano não consegue suportar a distância entre o desejo e a realização do desejo.
 A mídia oferece satisfação instantânea: cria o desejo e já apresenta o produto.

Os meios de comunicação
 A programação se ocupa com o que sabemos e apreciamos, e realiza nossos desejos sem exigir atenção e reflexão crítica (passividade).
 A cultura, a arte e o pensamento exigem maturidade a mídia infantilidade.
 É autoritária sob a aparência de democrática: especialistas nos ensinam a viver, criar filhos, cuidar da saúde, dos negócios, etc.
 As dicas são positivas apenas aparentemente, pois nos fazem imaginar que nada sabemos e não conseguimos aprender, pensar e agir sem seguir os especialistas.
 Ao invés de produzir cultura e democracia a mídia acentua a diferença de classes, invertem realidade e ficção, favorecem a dispersão, infantilizam, criam valores, nos deixam incultos e consumistas.

Cinema e televisão
 O cinema é uma indústria mantida por investimentos dos anunciantes e visa lucro e consumo.
 Difere da tv a qual compreende jornalismo, teatro, filmes, literatura, etc., e o cinema prioriza a imagem, o som, os movimentos e os efeitos especiais.
 O cinema entrecruza realidade e ficção, verdade e fantasia, reflexão e imaginação.
 Para Benjamin o cinema é a arte democrática do nosso tempo.

Pró mídia
 Segundo Marshall (1911-1980), a indústria cultural e os meios de comunicação de massa atuam de maneira otimista e positiva, pois colocam os bens culturais produzidos pela humanidade ao alcance de todos.
 Marshall Mcluhan introduz o termo aldeia global como metáfora da idade contemporânea. Não foca o lado ideológico da mídia, mas o modo como interfere na maneira de ser das pessoas.
 Acesso rápido e fácil à informação, melhoria do padrão educacional, integração de pessoas separadas por milhares de quilômetros, aumento do fluxo de informação, de conhecimento e de entretenimento, além de diminuir as distâncias da Terra.
 Mcluhan vê a tv de forma positiva, boa. Diz ele que “os homens criam as ferramentas, e a ferramentas, por sua vez, recriam os homens”.

Imparcialidade da razão
 Para Pierre Bourdieu (1930-2002) a razão não é boa e nem má, em si ela é neutra, o que vai determinar o seu valor é o uso que lhe é dado; o problema está na instrumentalização da razão.
 O capitalismo se apossa da razão e se utiliza dela, além da mídia e da ciência.
 O problema está no desequilíbrio: 6% tem 59% dos bens. 54,7% no mundo, 44% na América Latina e 34% no Brasil são pobres ou miseráveis. 20% consome 80% (americano 350x nigeriano, 25x brasileiro).
 3tri U$ aos bancos em 2008, 1% disto alimentaria 50 milhões de crianças por um ano.
 25.000 pessoas por dia (a cada 11 segundos uma criança) morrem de fome no mundo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O problema estético

ESTÉTICA - O belo e a experiência estética.

A ESTÉTICA ANTIGA, MEDIEVAL E MODERNA
A arte é...
 Aisthetike (αισθητική): percepção, sensação.
 Expressão de conhecimento.
 Uma visão de mundo.
 Não é apenas emoção, mas conhecimento dificilmente traduzível em outra linguagem.
O que estudar?
 A natureza e a função da arte.
 Sua relação com a moral, a educação e a política.
 As concepções de estética.
 Os fundamentos da estética.
Arte e conhecimento do mundo
 Mito, filosofia, ciência e arte são modos de organizar a experiência no mundo.
 O mito se funda na fantasia.
 A filosofia se funda na razão.
 A ciência se funda em leis.
 A arte se funda na criação e no símbolo.
Características da arte
 Conhecimento imediato, concreto, individual, transmissível, intuitivo, imaginativo, sensível, simbólico e criativo.
 Transmite um sentido percebido, mas não se reduz à explicação verbal.

Arte e educação
 A arte educa a sensibilidade.
 A educação artística de uma sociedade depende do seu convívio com a arte: museus, galerias, teatros, templos...
 É preciso afinar a sensibilidade para as nuances, sutilezas e estilos que permitirá a descoberta da riqueza do belo e da arte.

A arte enquanto crítica
 A arte pode ser crítica, resistente, engajada e comprometida com a conscientização do homem, sobretudo em tempos que o poder oprime.
 Manifestações artísticas costumam acontecer como expressão de enfrentamento e oposição, ou o seu contrário.
Platão e a arte
 Foi o primeiro a pensar nesta questão e para ele a arte não era autônoma, mas ligada à metafísica e à moral.
 Busca o seu valor de verdade: aproxima ou afasta o homem da verdade? Torna-o melhor ou pior?
 Conclui que arte, exceto a música, esconde a verdade, é mentirosa, corrompe e deseduca o homem.

Platão e a arte
 Considera a poesia inferior à filosofia, por não saber explicar e nem ensinar aquilo que faz.
 No Fedro Platão define a arte como divino entusiasmo (repleto de Deus), fruto do amor que impele a alma à imortalidade. A alma procura gerar e procriar o belo.
 Na República a arte é mimesis (imitação), subordinada à moral. Só se deve favorecer a arte útil à educação (música, sobretudo).
Platão e a arte
 A tragédia (canto do bode) e a comédia (fuga da ordem) servem mais para corromper do que para educar, pois afastam da verdade.
 Motivos: 1) deuses e heróis sujeitos à baixezas; 2) exprime a aparência e não a realidade; 3) funda-se no sentimento e na fantasia e não na razão; agita as paixões.
 Só a música deve ser cultivada, pois dá harmonia interior e educa para o belo.
Aristóteles e a arte
 A arte tem dupla função, pedagógica e catártica: complementam o que a natureza não terminou.
 Tragédia e comédia, aprovadas por Aristóteles têm função catártica, purificam das paixões (extravasar).
 Aquilo que se vive na ficção descarrega a passionalidade acumulada sem ocorrer na realidade e a alma readquire a serenidade.
Aristóteles e a arte
 Obras aristotélicas de estética: Retórica e Poética.
 Definição: belo é um bem que agrada. É um prazer proporcionado pelas faculdades cognitivas, através da ordem, da simetria e da determinação.
 Há dois tipos de arte (téchne): mecânicas (artesanato) e imitativa (belas-artes).
 A imitativa não tem o sentido pejorativo platônico.
Concepções estéticas – o naturalismo grego
 Reproduzir a natureza da forma mais real possível. Imagens com aparência da realidade (Apeles: o cavalo; Parrásio: as uvas).
 Se divide em duas tendências: realismo e idealismo.
 Realismo: mostrar o mundo como ele é.
 Idealismo: mostrar o mundo como deveria ser.
Concepções estéticas – o naturalismo grego
 Na Grécia antiga a arte estava em toda parte: vasos, copos, pratos, palácios, etc., e o artista era um trabalhador comum, desconhecido.
 O naturalismo foi revigorado na renascença e teve o seu declínio com o impressionismo em meados do século XIX.
 O surgimento da fotografia fez os pintores repensarem a função da arte como representação.
A estética medieval: sagrada e estilizada
 A arte não progrediu muito, pois era vista como atividade pagã.
 Os poucos avanços foram com fins didáticos de evangelização (expressar a religião).
 Na arte medieval a beleza não tem valor em si, mas resplandece a verdade no símbolo, como possibilidade de se alcançar a natureza divina.
 Beleza é uma dimensão do bem; beleza e bondade são idênticas, sendo a beleza o aspecto agradável da bondade.
O naturalismo renascentista
 O trabalho do artista é valorizado, elevado à categoria de ocupação intelectual.
 Princípios estéticos renascentistas
1 – A arte é parte do conhecimento
2 – Imita a natureza auxiliando a ciência
3 – Visa a melhoria moral da sociedade
4 – A beleza é objetiva: ordem, harmonia e proporção
5 – A arte antiga é referência e ideal
6 – As regras artísticas são racionais

A ESTÉTICA NA MODERNIDADE
O acaso do naturalismo
 No século XVIII inicia-se uma revolução na estética: a finalidade da arte é ela mesma.
 A essência da arte não é representar o mundo e nem defender ou promover valores, mas promover a experiência estética.
 Aversão à sistematização da arte e descrença na possibilidade de definição do belo em si.
O acaso do naturalismo
 Valoriza-se o feito artístico: a obra de arte tem sentido em si e não por representar a realidade exterior; ela é realidade em si.
 O naturalismo permaneceu na mídia a serviço da ideologia dominante.
 A programação cria, deliberada ou subliminarmente, uma realidade virtual, como se fosse a real.
 Vemos uma realidade manipulada que não incomoda, questiona ou perturba.
Iluminismo e academismo: a estética normativa
 A estética neoclássica tem suas raízes em Descartes.
 A clareza e a certeza migraram para o campo da arte.
 Axioma do fazer artístico: a arte imita a natureza (identifica-se o “seguir a natureza” com o “seguir a razão”).
 Surge o academismo ou arte normativa: regras para o artista com pouco espaço para a originalidade, a criatividade e a intuição.

A NOVA CONCEPÇÃO DE ESTÉTICA
Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762)
 Introduziu pela primeira vez o termo “estética” (ciência do conhecimento sensorial e apreensão do belo, expressa nas imagens da arte, em contraposição à lógica)
 Não é o fundador da estética como ciência, mas o termo por ele introduzido no campo filosófico respondia às necessidades da investigação nesta esfera do saber, e alcançou ampla difusão.
 Tratando do conhecimento sensível, o interpretou ao modo de Descartes, como um estágio inferior, ao modo de idéia confusa.
 Baumgarten tem o mérito de haver tratado em separado o sentimento da apreciação da arte e do belo em geral, enquadrando-o como um conhecimento sensível.
 Criou o nome da disciplina Estética a partir do substantivo Aisthetike (αισθητική) = sensação.
 Usa primeiramente o termo em obra de 1735, fazendo-o título de livro em 1750. Sobre a arte estabeleceu que ela resulta da atividade intelectual e também da sensitiva; por isso a noção do belo não é uma idéia simples e distinta, como pode acontecer com as idéias mentais, mas uma idéia confusa.
 Desde Baumgarten, ganha espaço a concepção subjetiva do belo, como algo resultante da obra do homem, não sendo mais uma propriedade simplesmente objetiva das coisas. Para a ontologia tradicional, o belo é, pelo contrário, uma propriedade objetiva do ente, enquanto visto como perfeição.
 Kant utilizou livros de Baumgarten como texto de aula. Aproveitou, entretanto, o termo Estética, como denominação para o estudo gnosiológico da sensação e de suas formas apriorísticas de espaço e tempo, o que denominou Estética transcendental.
 Distingue na arte: fim (utilidade) e finalidade (o prazer provocado pela beleza).
Kant e a crítica do juízo estético
 Distingue j. estét. de j. sobre as formas de prazer e o de utilidade e bondade.
 “Belo é o que agrada, não importa o conceito”.
 Divide a beleza em: b. livre (s/ conceito de perfeição e uso; tipo surreal, abstrato) e b. dependente (c/ conc. perf. e uso; realismo).
 Os j. estét. independem de j. de moralidade, de utilidade ou de prazer dos sentidos (= prazer desinteressado).
 Ao objeto de satisfação chamamos belo.
 Ocupa-se de modo sistêmico com o estético.

A estética romântica
 Como reação ao classicismo e neoclassicismo, floresceu (meados séc. XVIII até meados XIX) a arte romântica.
 Expressando sentimentos e emoções, prioriza subjetividade e a liberdade.
 Dá vazão à genialidade, imaginação, originalidade, emoção, etc. (o artista nasce gênio, a genialidade é dom especial de artista).

A estética romântica
 Para a estét. rom. a imaginação é a faculdade de percepção da verdade.
 A imaginação configura a realidade não apenas revelando-a, mas criando-a mentalmente.
 As idéias românticas são traduzidas por um simbolismo.
A estética romântica
 Principais poetas: Goethe (1749-1836), Hölderlin (1770-1843), Novalis (1772-1801) e Schlegel (1772-1829).
 “O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando reflete” (Hölderlin).

O pós-modernismo
 A característica hoje é a velocidade das transmissões, o predomínio das informações, a globalização, a transculturação, o consumo, a efemeridade dos produtos (obsolescência planejada e obsolescência perceptiva).
 Há também a preocupação com o planeta, o meio ambiente, a qualidade de vida, a qual entrou na arquitetura e está chegando ao teatro, cinema, dança, etc.
 A estética pós-moderna se caracteriza pela desconstrução das formas, linhas, ritmos e tons, a multiplicidade de estilos, a valorização da cultura local e a ruptura, na esteira do modernismo, com a tradição artística acadêmica, universalista, racionalista e sistêmica.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

TEORIA DO CONHECIMENTO

TEORIA DO CONHECIMENTO OU EPISTEMOLOGIA
Conhecimento e método em filosofia
CONHECIMENTO
 É a busca da verdade na relação entre sujeito e objeto.
 “Dizer o que é do que é e o que não é do que não é, é verdade; dizer o que é do que não é e o que não é do que é, é falsidade” (Aristóteles)
TIPOS DE CONHECIMENTO
 Sensorial: adquirido pelos sentidos; é empírico.
 Intelectual: adquirido pelo raciocínio; é lógico-formal (abstração), conserva a imagem na mente apenas.
O PROCESSO DO CONHECIMENTO
 O homem é um animal racional, pensa.
 O pensamento conduz ao conhecimento
 Conhecer é: entender (levar para dentro, tornar-se dono do objeto conhecido) e explicar (colocar para fora; requer linguagem, discurso, logos).
TEORIA DO CONHECIMENTO NA ANTIGUIDADE
 Para os pré-socráticos a verdade era encontrada no kosmos (ordem) presente na physis (natureza), a qual segue uma lei.
 Heráclito e Parmênides: existe o movimento? (Stephen Jay Gould, 99% extintos).
 Para os sofistas a verdade é relativa, depende das convenções, pois “o homem é a medida de todas as coisas”. Quando se diz que algo é verdadeiro é preciso provar.
 Para Sócrates tudo possui uma essência (razão de ser) e é possível conhecê-la pelo método dialético: ironia e maiêutica.
TEORIA DO CONHECIMENTO DE PLATÃO
 Para Platão conhecer é recordar o mundo das idéias (hiperurânio), pois nascemos como um quadro já escrito;
 No mundo material, dos fenômenos vemos as sombras da verdade: as coisas mudam, mas a idéia permanece.
 As idéias (termo por ele criado) são conceitos universais.
 O mito da caverna resume sua epistemologia
 A filosofia deve conduzir o homem na passagem dos graus.
 O mundo material é sombra, o mundo real é a idéia (em termos de conhecimento).
 Há uma hierarquia nas idéias e a idéia do bem está no topo. O Bem Supremo é Deus.
 O filósofo se liberta das correntes e chega ao verdadeiro conhecimento.
 Na dimensão política, o filósofo deve ser o rei (sofocracia).
TEORIA DO CONHECIMENTO DE ARISTÓTELES
 Para Aristóteles nascemos tabula rasa.
 O processo do conhecimento é: os cinco sentidos captam o mundo, o cérebro registra e a linguagem expõe.
 Busca estabelecer a ciência como conhecimento verdadeiro, causal, superando enganos e opiniões e compreendendo o devir.
 Recusa as explicações de Platão.
 Para se compreender a realidade há que se distinguir entre: 1) substância e acidente; 2) ato e potência e 3) matéria e forma.
 Substância é a unidade interna do ser, a essência (razão é substância de homem).
 Acidente são os atributos que podem ou não ocorrer (a altura é característica acidental no homem).
 Matéria é aquilo de que algo é feito.
 Forma é aquilo que individualiza algo fazendo-o ser daquele modo determinado.
 Potência é a possibilidade de algo vir a tornar-se diferente sem deixar de ser ele mesmo.
 Ato é modo como o ser se apresenta agora.
 O devir não é ilusão e nem aparência, mas o movimento da potência se tornando ato.
 A potência se torna ato por quatro causas, chamadas causas do movimento. São elas:
 Material: aquilo de algo é feito;
 Formal: a forma que um ser tem em si;
 Eficiente: a força que faz a matéria adquirir determinada forma.
 Final: a razão desse ser existir
 Os nossos conceitos novos são devidos à dedução (do universal ao particular) ou à indução (do particular ao universal).
 Estes conceitos aristotélicos prevaleceram por 19 séculos, pois foram “cristianizados” na idade média.
 Tomás de Aquino “dogmatizou” o conhecimento fundado na fé em Deus.
CONHECIMENTO MEDIEVAL
 A fé é o paradigma
 Dogmatismo
 Autoridade divina
 Teocêntrico
 Unidade religiosa
 Objetividade / natureza
 Metafísica / Ontologia
CONHECIMENTO MODERNO
 Funda-se na razão
 Ceticismo / Dúvida
 Laicização
 Antropocêntrico
 Reforma protestante
 Subjetividade
 Epistemologia
A CIÊNCIA NA MODERNIDADE
 A ciência antiga se fazia com razão e observação e a moderna acrescenta a experimentação.
 Só é saber o que se submete às experiências.
 Ciência e técnica se unem: o saber retorna ao mundo para transformá-lo.
 Precursores: Copérnico, Galileu, Kepler e Newton.
GALILEI E A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
 Galilei rompe com a ciência tradicional e cria a moderna concepção de ciência.
 Distinguiu os objetos próprios da religião, da filosofia e da ciência.
 Substituiu o modelo astronômico ptolomaico pelo copernicano.
 Aperfeiçoou o telescópio e descobriu que o mundo era muito diferente do que se acreditava.
 Conseqüências: uma nova visão de mundo e de ser humano. O espaço deixa de ser sagrado e torna-se mensurável.
 Não há mundo superior e inferior e nem diferença entre corpos celestes e terrestres.
 Não se busca mais as explicações divinas, mas as racionais.
 Abandona-se a dimensão religiosa e separa-se fé e razão (ciência).
 Galilei constrói uma ciência ativa (analisa a experiência pelo método indutivo-dedutivo).
 Promove a autonomia da ciência (objeto: verdades naturais) frente à religião (objeto: verdades de fé) e à filosofia (essência das coisas).
 A natureza e o homem são como uma máquina cujas leis precisam ser descobertas.
 A natureza é um livro aberto escrito em linguagem matemática.
EPISTEMOLOGIA MODERNA
 Na modernidade a física e a matemática se tornam pano de fundo da ciência.
 Busca-se um método científico que garanta certeza e verdade.
 Racionalismo, empirismo, iluminismo e positivismo apontarão métodos diferentes.
 O racionalismo limita o conhecimento à razão; O empirismo o limita à experiência sensível.
 Para os racionalistas a experiência está sujeita a enganos, a ciência se faz no intelecto.
 Para os empiristas a experiência é fundamental.
 Os racionalistas defendem que o homem pode atingir verdades universais.
 Os empiristas questionam o caráter absoluto da verdade, pois o conhecimento procede de uma realidade em transformação.
RACIONALISMO – RENÉ DESCARTES (1506-1650)
 Descartes é o pai do racionalismo e da filosofia moderna.
 Seu objetivo é alcançar um método que garanta a verdade, a certeza clara e distinta.
 O ceticismo era muito presente: duvidava-se da certeza e da verdade (Agrippa, Sanchez e Montaigne).
 Quem garante que não estamos sonhando? Ao duvidar percebe que tem certeza que está duvidando, se duvida pensa, se pensa existe.
 A partir dessa primeira certeza Descartes reconstrói todo o universo do saber.
 A essência do homem é o pensamento (res cogitans).
 Aquilo que exterioriza essa essência é o corpo (res extensa).
 A existência de Deus se demonstra pela prova ontológica. Se Deus existe Ele é perfeito, entre os atributos da perfeição está a existência, logo Deus existe.
 A garantia de que Deus existe é a certeza de que o mundo existe, pois Deus não engana. Assim, o mundo pensado coincide com o mundo real.
 Itinerário: 1º pensamento, 2º Deus e 3º mundo.
 Forte tendência em valorizar a razão, o entendimento, o intelecto.
 Nossas idéias são inatas, não sujeitas a erros pois vêm da razão e não dos sentidos.
 Descartes é fascinado por matemática e geometria, essenciais para o conhecimento verdadeiro, pois têm origem na razão a qual tem por objeto o universal e necessário.
 O racionalismo separa corpo e consciência, sendo o corpo a realidade física; e a consciência sede do recordar, do raciocinar, do conhecer e do querer.
 A mente não se submete às leis físicas e só ela é plenamente livre.
EMPIRISMO – FRANCIS BACON (1561-1626)
 Seu lema é “saber é poder”. Não o saber contemplativo, mas o instrumental (possibilita dominar a natureza).
 Principal obra: Novum organum, onde critica a lógica aristotélica, defende a supremacia da indução e denuncia as falsas noções (ídolos) que nos impedem de conhecer a realidade.
Empirismo – Francis Bacon (1561-1626)
 Ídolos da caverna: opiniões que se formam a partir de nossos sentidos. De fácil correção.
 Ídolos do foro: opiniões que se formam em nós pela linguagem e relações com os outros. De difícil correção.
 Ídolos do teatro: impostas pelas autoridades, leis e decretos. Requer reforma política e social.
 Ídolos da tribo: opiniões que decorrem de nossa natureza humana. Reforma de nossa natureza.
 Esses ídolos dificultam a investigação científica, têm de ser identificados e derrubados pela indução e pela experiência.
 Três fases do método de Bacon: análise da experiência, hipótese e verificação.
 O seu método é menos exato que o indutivo-dedutivo de Galilei, pois não recorre tanto à matemática.
EMPIRISMO – JOHN LOCKE (1632-1704)
 Quer saber qual é a essência, a origem e o alcance do conhecimento humano.
 Distingue duas origens do conhecimento:
 Sensação: modificação ocorrida na mente pelos sentidos.
 Reflexão: percepção que a mente tem daquilo que ocorre com ela.
 Nascemos tabula rasa e o conhecimento se dá pela experiência sensível. As idéias não são inatas.
Empirismo – John Locke (1632-1704)
 Só conhecemos a existência e não a essência das coisas; conhecer a substância supera os limites do nosso conhecimento.
 Nossas idéias podem ser:
 Simples: conhece as qualidades primárias (objetivas) e secundárias (subjetivas).
 Complexas: denominar e ordenar as coisas; tem validade prática, mas não cognitiva, não é objetiva.
EMPIRISMO – DAVID HUME (1711-1776)
 Radicaliza o empirismo: só os fenômenos são observáveis (fenomenismo), a essência não é experienciável.
 Não há causalidade, observamos só a sucessão dos fatos e formamos o hábito.
 Não se pode conhecer nada além das impressões; o objeto é a sua representação em impressões e não a coisa externa.
 Os objetos da razão são:
 Relações de Idéias: são as ciências da Geometria, Álgebra e Aritmética e toda a afirmação intuitiva, ex. o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados catetos. Proposições deste tipo podem descobrir-se pela simples operação do pensamento, sem dependência do que existe em alguma parte no universo.
 Questões de fato: não são indagadas da mesma maneira, nem a nossa evidência da sua verdade é de natureza semelhante à precedente. O contrário de toda a questão de fato é possível, porque jamais pode implicar uma contradição, e é concebido pela mente com a mesma facilidade e nitidez, como se fosse idêntico à realidade. Que o Sol não se levante amanhã não é uma proposição menos inteligível e não implica maior contradição do que a afirmação de que ele se levantará. Ou seja, em vão tentaríamos demonstrar a sua falsidade.
 Distingue entre impressões (percepções fortes, ex. calor) e idéias (percepções fracas, ex. idéia de calor).
 A ciência não é possível, pois se baseia na crença gerada pelo hábito, não há como se ter certeza de que o ocorrido sempre ocorrerá.
ILUMINISMO
 O iluminismo é o ápice da crença no poder da razão.
 É a confiança absoluta de que a razão seria a luz a iluminar o mundo.
 Características do iluminismo: 1. veneração á ciência; 2. confiança na razão; 3. harmonizar racionalismo e empirismo; 4. antitradicionalismo; 5. eliminação do sofrimento e da miséria; 6. propiciar a felicidade.
ILUMINISMO – IMMANUEL KANT (1724-1804)
 Kant é o maior expoente do iluminismo por examinar criteriosamente a razão.
 Racionalismo e empirismo impossibilitam a ciência: o racionalismo pelos juízos analíticos a priori e o empirismo pelos juízos sintéticos a posteriori.
 Juízos são teses, proposições, não são vivências.
 Racionalismo: idéias inatas (juízos analíticos a priori). Juízos analíticos não acrescentam nada ao conhecimento, apenas descrevem-no.
 Juízos analíticos a priori: o predicado está contido no sujeito.
 Empirismo: idéias vem da síntese de experiência em experiência (juízos sintéticos a posteriori).
 Juízos sintéticos a posteriori: o predicado não está contido no sujeito.
 Os juízos analíticos são universais e necessários e os sintéticos são particulares e contingentes.
Iluminismo – Immanuel Kant (1724-1804)
 Para que a ciência seja possível deve haver conhecimentos sintéticos que tenham a propriedade apriorística: juízos sintéticos a priori (universais e necessários independentes da experiência).
 Uma experiência bem feita basta para fundamentar uma lei, que valerá para todas as experiências passadas e futuras. Essa tornar-se-á juízo sintético a priori.
 Nem o racionalismo e nem o empirismo perceberam que o juízo sintético a priori é condição de possibilidade da ciência.
 Conhecemos apenas o fenômeno (aquilo que se manifesta a nós) e não o noúmeno (a coisa em si).
 Conhecer é uma concepção mental apriorística, onde o objeto dá a matéria e o sujeito dá a forma.
 Kant possibilita o surgimento do idealismo (acentua o sujeito cognoscente) e o positivismo (enfatiza a experiência).
POSITIVISMO – AUGUSTO COMTE (1798-1857)
 É o pai do positivismo e o fundador da sociologia.
 Afirma que a evolução do conhecimento passa por três estágios: teológico, metafísico e científico.
 A ciência reformará as instituições através da ordem e do progresso (lema positivista).
 Classifica as ciências, das mais simples ás mais complexas: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia.
 Só no estágio científico, ou positivista, se atinge o conhecimento, a ciência.
 Características do positivismo:
- certeza sensível via observação sistemática e certeza metódica;
- relacionar fenômenos observados;
- buscar relações, leis, entre os fenômenos;
- prever e controlar os fenômenos.
POSITIVISMO – O CÍRCULO DE VIENA
 O positivismo teve seguidores no mundo todo e entre eles destaca-se o Círculo de Viena (reavia o entusiasmo cientificista do positivismo).
 Busca analisar e clarificar o discurso científico estabelecendo as condições de sua legitimidade.
 À filosofia cabe analisar a lógica e a linguagem científicas, demarcando os critérios que distinguem os enunciados científicos dos não científicos.
 O critério de demarcação é o princípio de verificabilidade: a ocorrência confere veracidade à proposição.
 Só é verdadeiro aquilo que se possa verificar e descrever, o experienciável.
 Filosofia e metafísica são asserções não-verificáveis e, portanto, sem sentido.
 Só as ciências naturais têm o status, a prerrogativa de conhecimento do real.
POSITIVISMO – CÍRCULO DE VIENA – KARL POPPER (1912-1994).
 Inicialmente concorda com o Círculo de Viena, mas depois se opõe e propõe o critério de refutabilidade empírica.
 A ciência será verdadeira se resistir à refutação ou falsificabilidade.
 Só será ciência a teoria, ou a hipótese, que mesmo sendo falsificável (desmentida, contradita, confrontável), resiste.
A RACIONALIDADE INSTRUMENTAL (TEORIA CRÍTICA)
 Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Habermas): criticam a Razão Instrumental.
 Crítica da razão “iluminista”:
- pretensão de domínio sobre a natureza.
- promessa de emancipação e progresso.
- razão “cega” quanto aos fins.
 Conhecimento (ciência) como instrumento de dominação e exploração (instrumentalização da razão).
A racionalidade instrumental (teoria crítica)
 Assimilação dos indivíduos pelo sistema capitalista:
- deturpação das consciências.
- desumanização.
 Acesso aos objetos técnico-tecnológicos, mas não ao conhecimento.
 Confusão entre progresso técnico-científico e progresso da humanidade com recaídas na barbárie.
 Habermas: retoma a razão iluminista em novas bases (“razão comunicativa”).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O problema ético

A ORIGEM DO TERMO
 A palavra ética vem do grego ethos, o qual poderia ser escrito de duas maneiras: hthos = costume, hábito (ou habitat*); ethos = temperamento, caráter.
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* Diz-se que inicialmente ethos era uma espécie de curral, onde as ovelhas ficavam à noite e por isso ficou vinculada à idéia de proteção, guarida.

A ORIGEM DA ÉTICA
 Quando a ética surgiu ela se assemelhava à política: política era a arte de viver bem em comunidade e ética era a arte de viver bem consigo mesmo (consciência tranqüila).
O SIGNIFICADO
 A ética é uma reflexão crítica acerca dos valores de nossas ações (boas/más, corretas/errôneas).
 Embora seja utilizada como sinônimo de moral, pode-se diferenciá-las com se ética fosse a teorização acerca dos valores e moral (mores = costume) a ação moral.
CONSCIÊNCIA MORAL
 À nossa tendência espontânea de julgar as ações e classificá-las dá-se o nome de consciência moral.
 A consciência moral une juízos de fato e de valor.
 Juízos de fato: aquilo que é; que ocorre.
 Juízos de valor: aquilo que deveria ser; deveria ocorrer.
 A ética do “dever ser” chama-se deontológica.
PRESSUPOSTOS DA AÇÃO ÉTICA
 Uma ação só poderá ser caracterizada como ética ou não se for realizada com:
 Liberdade: ação livre e sem constrangimento ou coação.
 Autonomia: o agente tem plenos poderes de compreender sua ação.
 Responsabilidade: capacidade de responder diante de si e dos outros pela ação efetuada.
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 A ética pode ser entendida como fruto histórico-social e por isso diferente conforme o tempo e o lugar.
 OS SOFISTAS, defendiam que os valores surgiam das convenções e não da natureza humana; o homem é a medida de todas as coisas.
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 SÓCRATES, discorda dos sofistas e defende que há valores universais baseados na essência do ser humano.
 A essência do ser humano é a razão e a essência da razão é a busca do bem.
 O bem é o conhecimento e o mal é a ignorância (racionalismo ético).
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 PLATÃO e ARISTÓTELES, concordam com Sócrates quanto ao racionalismo ético e afirmam que o agir ético do homem se funda na natureza.
 O ser humano tem, por natureza, um “princípio norteador” que permite distinguir o bem do mal.
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 O dualismo platônico o conduz à convicção de que o bem está no mundo das idéias.
 Aristóteles, não é dualista; discorda de Platão e defende que o homem real, concreto tende para a felicidade (sumo bem) e a ética deve ajudar o homem a ser feliz (ética eudaimonista).
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 O eudaimonismo defende que a busca da felicidade deve ser o fundamento da conduta moral.
 É bom tudo aquilo que leva à felicidade de espírito.
 Segundo Aristóteles a ética é uma parte da política. Ética é viver bem individual e política é viver bem com os demais.
CONCEPÇÕES ÉTICAS
 Para Aristóteles a felicidade é uma vida vivida conforme a virtude.
 Virtude é a “justa medida” entre dois excessos: a falta e o excesso.
 É a ética da harmonia, do equilíbrio, da justa medida, do bom senso.
 Virtude > virtus > força > autodomínio.
HELENISMO
 Helena é um dos nomes da Grécia. Helenismo = viver como os gregos.
 Alexandre Magno conquistou muitos lugares e divulgou o modo de vida dos gregos.
 A Grécia perdeu sua autonomia; a polis deixa de ser o plano de fundo que propicia a felicidade ao homem.
Helenismo
 Sem a referência à polis o homem tem de buscar a felicidade dentro de si.
 As escolas dessa época têm uma visão intimista e individualista da moralidade.
 Exaltam o equilíbrio como forma do homem ser senhor de si.
HELENISMO - cinismo
 O cinismo desprezava todas as convenções sociais.
 O maior representante é Diógenes de Sinope (413-323 a.C.);
 A virtude só seria obtida eliminando-se da vontade todo o supérfluo, tudo aquilo que fosse exterior.
 Defendiam um retorno à vida da natureza, errante e instintiva, como a dos cães: sem preocupar-se com conforto, luxo e prazeres.
Helenismo - estoicismo
 Para o estoicismo (stoá = portão) o objetivo da ética era levar o homem a encontrar a felicidade através da apatia (ausência de paixões). Anacoretas, eremitas, monges budistas.Êxtase, nirvana.
 Apatia = aceitar pacientemente tudo o que acontece, pois faz parte do plano divino.
 Desprezar toda forma de prazer e ser insensível aos bens do mundo.
Helenismo - epicurismo
 Já o epicurismo defende a ataraxia (= imperturbabilidade).
 A virtude é o prazer espiritual, a paz de espírito e o autodomínio.
 Há que se diminuir toda influência externa sobre o bem-estar do espírito.
 Foi fundado por Epicuro (341-270 a.C).

Ética medieval
 A idade média é marcada pelo pensamento teológico e a ética está sob a normas religiosas.
 O cristianismo aceitou bem a moral estóica: anular as paixões, libertar-se do egoísmo e ser indiferente às contingências da condição humana.
Ética medieval - cristianismo
 Pregam a ascese espiritual = fortalecer o espírito pela mortificação do corpo, jejum, abstinência e autoflagelação. Opus Dei.
 A ascese visa o autodomínio e o equilíbrio tornando o indivíduo mais sensível e solidário.
 Essa tendência durou até o século XIII, quando a ética eudaimonista foi assumida pelo cristianismo.
 A suprema felicidade é contemplar Deus, na vida eterna.
Ética medieval - cristianismo
 O homem virtuoso (bom) tem o temor de Deus.
 O motivo da ação é uma imposição externa (fazer a vontade divina).
 Estoicismo + aristotelismo + vida eterna + vontade de Deus = moral cristã.
A moral dos modernos
 Baruch Spinoza (1632-1677) discordando de Aristóteles (inserção na polis) e do Cristianismo (temor de Deus) retoma a relação do indivíduo com a natureza.
 Temos, por natureza, paixões, as quais não são boas e nem más (alegrias, tristezas e desejos).

Ética moderna - Spinoza
 Paixão alegre = amor, esperança, (desejo: gratidão).
 Paixão triste = ódio, inveja, (desejo: crueldade).
 Virtude é a causa interna de atos e pensamentos (força).
 Vício submeter-se às paixões e dominar-se por causas externas (fraqueza).
Ética moderna - iluminismo
 A razão orienta o homem rumo ao cumprimento do seu dever.
 O homem tem dentro de si as normas para a própria conduta (autonomia).
 Só ações autônomas podem ser ou não éticas.
 A ação feita sob vontade externa é heterônoma (anel de Giges).
 Kant e Rousseau tentam resolver a questão da compatibilidade de dever e liberdade.
Ética moderna - Rousseau
 Nascemos com consciência moral; somos bons e justos por natureza (o bom selvagem).
 A bondade e o dever foram gravadas pelo dedo de Deus em nossos corações.
 O dever não aniquila a autonomia da razão, pois só na aparência é imposição externa.
 Quando nos curvamos ao dever obedecemos nossos próprios sentimentos.
Ética moderna – Kant
 Opõe-se à moral do coração de Rousseau. Bondade natural é romantismo, predomínio da imaginação.
 Somos naturalmente egoístas e o dever é necessário para que nos tornemos seres morais.
 A razão é universal e visa sempre a finalidade da ação.
 A razão entende que a idéia de dever é expressão da lei moral em nós.
 “Duas coisas enchem a mente de assombro e reverência: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim”.
Ética moderna – Kant
 Uma ação é ética quando vontade e dever estão de acordo. Chama-se vontade boa = querer o bem.
 O fundamento da moralidade para kant é a liberdade = autonomia da vontade.
 No livro Fundamentação da metafísica dos costumes, Kant afirma que nossas ações são feitas por: 1) Intenção egoísta, 2) Inclinação imediata ou 3) por dever.
 Cabe reprovação a ação contra o dever e até a ação conforme o dever.

Ética moderna - kant
 O dever é um conjunto de normas fixas que vale para todos os seres racionais.
 O dever se impõe, é imperativo e ele distingue “mandamento” de “imperativo”.
 O imperativo categórico é um dever, uma lei, porém internalizado.
Kant – imperativo categórico
 1 – Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal de natureza.
 2 – Age de tal maneira que trates a humanidade, na tua pessoa e na pessoa dos outros, sempre como fim e nunca como meio.
 3 – Age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para os racionais.
Moral e existência
 Kant acentua a liberdade de forma universalista, abstrata e formal.
 Hegel vê a ética ligada ao contexto histórico-cultural.
 Marx diz que os valores éticos decorrem das relações sociais no mundo trabalho.
 Nietzsche combateu a domesticação feita pelo cristianismo: aceitação do sofrimento, moral de rebanho, moral dos fracos, etc.
 Kierkegaard valoriza a existência individual com suas paixões.
Moral contemporânea
 A moral moderna (iluminista) preconiza a razão autônoma.
 Para alguns contemporâneos a razão pode também ser instrumento de opressão e máscara de ideologias.
 O individualismo e a ausência de critérios marcam a ética contemporânea.

Moral contemporânea
 A atomização aponta a perda de sentido da totalidade da vida humana (Hans Jonas: “princípio responsabilidade”).
 Tende-se a recolocar a ética sobre bases religiosas: fundamentalismo e esoterismo.
 A variedade de fundamentações remete ao relativismo moral.
Moral contemporânea - Habermas
 A Escola de Frankfurt se ocupa com a crise da razão e busca combater o irracionalismo recuperando a razão emancipadora, defendendo o pluralismo e a tolerância.
 Habermas desenvolve a teoria da ação comunicativa e dentro dela a ética discursiva.
Moral contemporânea - Habermas
 Mesmo sendo kantiano, Habermas vai além da razão reflexiva e desenvolve a razão comunicativa.
 A razão kantiana é monológica e em Habermas, ser sujeito moral pressupõe diálogo, interação mediante a linguagem, o discurso.
Moral contemporânea - Habermas
 Na razão discursiva os sujeitos são capazes de se posicionarem perante a norma e a validade normativa deriva do consenso, da intersubjetividade.
 Dá-se a interação pelo entendimento entre os indivíduos.
 Defende-se a sociabilidade, a cooperação, a solidariedade e o diálogo.
Determinismo e liberdade
 Para Kant é um engano nos considerarmos com liberdade absoluta (princípio do determinismo = tudo está sujeito à lei de causa e efeito).
 O ser humano está preso a determinismos naturais, culturais, econômicos, emocionais, etc. (Hegel).
Determinismo e liberdade
 Piaget admite indiretamente os determinismos quando afirma que não há como uma inteligência normal não passar por estágios (construtivismo).
 A atividade psíquica dá-se do concreto para o abstrato.
 Além dos determinismos psicológicos há os culturais, pois encontramos um mundo moldado que irá nos determinar.
Determinismo e liberdade
 Temos liberdade? O ser humano não é só resultado da situação estabelecida, mas pela consciência pode realizar ações transformadoras, tendo um projeto próprio de ação. Na prática constrói sua liberdade proativamente.
 Como o vento e o mar são utilizados pelo velejador, assim também o homem deve ter uma imaginação criativa e inventiva. A existência do determinismo é a possibilidade da inovação.
Determinismo e liberdade
 Além da consciência lógica, temos uma consciência moral, a capacidade de formular juízos.
 Temos a condição de escolha e essa possibilidade chama-se liberdade.
 A escolha entre o bem e o mal é a responsabilidade.
Quando somos livres?
 Determinismo absoluto: liberdade é uma ilusão, pois sempre somos determinados pela natureza e pela cultura.
 Liberdade absoluta: determinismos não existem, temos liberdade moral de escolha e de ação, temos autodeterminação (Nietzsche, Sartre, Camus, Heidegger e Merleau-Ponty).O homem está condenado a ser livre; a existência precede a essência.
Quando somos livres?
 Relação dialética: o homem é determinado e livre ao mesmo tempo; A liberdade é concreta dentro de um contexto.
 Liberdade é a compreensão da necessidade; podemos transformar entraves em liberdade (Spinoza, Kant, Hegel e Marx).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O PROBLEMA POLÍTICO

 Conceito antigo de política (Platão e Aristóteles): a arte de conviver bem em comunidade;
 Conceito moderno (Maquiavel, Hobbes, Locke, etc.) de política: a arte de chegar ao poder e manter-se nele.
O pensamento político de Platão
 Pode ser encontrado na República, A política e em Leis.
 Depois da desilusão política, Platão defende a sofocracia (governo dos sábios).
 Não defende a democracia, pois essa pode ser a tirania da maioria.
 A pólis justa devia ter harmonia entre as três classes: trabalhadores, soldados e governantes.
 Pela educação se conseguiria um rei sábio.
 Tudo seria em comum: propriedades, filhos, educação, etc.
O pensamento político de Aristóteles
 Analisou 158 constituições.
 Critica o autoritarismo e a utopia de Platão, não concorda com a dissolução da família e defende a propriedade privada.
 A justiça deve ser a virtude por excelência dos cidadãos.
 Há dois tipos de justiça a distributiva (visa a igualdade) e a participativa (visa o acesso ao governo).
 Defende que o governo seja exercido pelos virtuosos (virtude = aretê; virtuoso = aristói): aristocracia.
 A ética visa a felicidade da pessoa; e a política, a cidade feliz.
 Jusnaturalismo: a lei deve ser a expressão política da ordem natural.
 A origem do Estado deve-se à natureza humana (animal gregário).
 Objetivo do Estado: tornar a vida possível, boa e feliz.
 Aristóteles defende também o direito consuetudinário.
 Compartilha da idéia de escravidão (raças inferiores), porém sem crueldade.
A transição de Aristóteles à Maquiavel
 Depois de Platão e Aristóteles a “genialidade grega” perde espaço e os romanos dominam o mundo; mesmo assim a cultura e a língua grega continuaram influentes.
 Politicamente o mundo mudou pouco e o poder político (terrestre) fica sujeito ao poder divino (celeste), até o século XVI.
 Para Agostinho de Hipona o Estado se origina a partir do pecado original.
 Tomás de Aquino concorda com Aristóteles de que o Estado faz parte da natureza social do homem.
 O Estado deve se subordinar à Igreja, como a filosofia à teologia.
A “revolução” de Maquiavel
 A finalidade do Estado não deve ser buscada fora dele (na natureza ou na razão), mas em si mesmo (imanente).
 O Estado não se origina do poder divino, mas de um jogo de paixões e de lutas internas.
 Época das monarquias centralizadoras na, França, Inglaterra, Espanha e Portugal e da ascensão da burguesia.
 A finalidade da política não é a justiça ou o bem comum, mas a tomada e a manutenção do poder.
 O chefe de Estado precisa ter virtudes, não as cristãs, mas aquelas que permitem conservar o poder: astúcia, força, violência, etc. (Os fins justificam os meios).
 Os homens não são anjos, são ruins e interesseiros; seguem suas paixões e esquecem mais rápido a morte da mãe, do que a perda do patrimônio; são desejosos de prazer, falsos, vis, insolentes e maliciosos. Raramente pensam no bem.
 O político não pode fazer um “juramento de bondade”, pois o poder impõe tomada de posição.
 Maquiavel (1468-1527) não separa política e moral, mas põe na base da política uma moral própria.
 Nega fundamentos racionais e religiosos ao Estado e diz que o Estado se utiliza destes.
 Não aceita como legítimo o poder hereditário, somente o conquistado.
 Maquiavel é o primeiro a defender a autonomia da esfera política.
 A política não é a moral nem a sua negação, mas uma força positiva; uma vontade e uma virtude que funda e mantém o Estado.
 Principal obra: O príncipe.
Os Contratualistas
 Com o advento da modernidade racionalista (emancipa-se do papado, nega o direito divino dos reis) e as contribuições de Maquiavel, o absolutismo começa ter problemas.
 A preocupação agora é dar fundamentos racionais e legítimos ao poder do Estado.
 Hobbes (1588-1679), Locke (1632-1704) e Rousseau (1712-1778) defendem que houve um tempo em que os homens viviam em estado de natureza, mas, posteriormente se uniram por contrato (não necessariamente escrito) e criaram a sociedade civil.
 O pacto feito pelos homens torna legítimo o Estado, a sociedade civil.
Hobbes
 De família pobre, manteve contato com Descartes (1596-1650), Francis Bacon (1561-1626) e Galileu Galilei (1564-1642).
 Principal obra: O Leviatã.
 Hobbes vive em um tempo de ódio, guerras, vinganças e medos. Por isso quer oferecer uma teoria que explique esse comportamento humano e também uma concepção de Estado que garante uma associação pacífica entre os homens (no estado de natureza não há segurança e nem paz, “o homem é o lobo do próprio homem”).
 A ordem só será possível mediante um contrato, onde todos abrem mão da liberdade em prol da segurança. O que funda o Estado a dor da guerra e a necessidade de paz.
 Todos devem abrir mão de seus direitos em prol de um soberano que terá poderes absolutos. A liberdade, mesmo que seja pouca, poderá gerar a guerra.
 O soberano não precisa prestar contas a ninguém, pois sua vontade é lei.
 Só o Estado poderá tirar o homem do estado de natureza, da selvageria e conduzi-lo à vida civilizada.
 Uma vez instituído o Estado é absoluto. A divisão do poder real com o parlamento inglês gerou a guerra civil.
Locke
 Era filósofo e médico, pertencente à burguesia. Inspirou a revolução liberal inglesa, européia e americana.
 Discorda de Hobbes quanto à situação de permanente guerra, mas admite o estado de natureza e a sociedade civil.
 O que gerou a sociedade civil foi o instabilidade do direito no estado de natureza, onde cada um podia ser juiz.
 O Estado foi instituído para dar segurança e garantir os direitos naturais: vida, liberdade e propriedade.
 Admite que os governados possam se rebelar caso o governante seja absolutista (ditador, totalitarista).
 Locke considera propriedade tudo aquilo que pertence ao indivíduo: a vida, o corpo, a liberdade, o trabalho, etc.
 Pelo trabalho o homem tem direito ao acúmulo de bens (Locke não percebe que isso permite o desequilíbrio social e o estado de classes).
 Locke parece não perceber que na prática só quem tem bens pode gozar de cidadania plena e por isso defendem a preservação da propriedade.
 O liberalismo traz em sua raiz um certo elitismo onde só os de fortuna se tornam governantes.
 Principal obra: Dois tratados sobre o governo civil.
Rousseau
 Foi o precursor da revolução francesa em virtude de suas idéias liberais; tem influências no romantismo (o bom selvagem) e na pedagogia moderna (Emílio).
 Principal obra política: Do contrato social.
 A sociedade civil se instaura graças ao estado de natureza e o contrato social.
 Distingue soberania e governo: o governo não é soberano, sua soberania vem da vontade geral.
 Em estado de natureza os homens eram bons, mas a apropriação da propriedade trouxe a escravidão e a miséria. Há que se romper com esse contrato e criar outro.
 No novo contrato o associado nada perde, embora abra mão de alguns direitos, pois ainda mantém a soberania.
 Soberano é o corpo coletivo que expressa pela lei a vontade geral. Todo ato legislador é ratificado pelo povo; a democracia é direta via assembléias freqüentes de todos os cidadãos.
 Os depositários do poder não senhores de povo, mas seus oficiais, podendo ser constituídos e destituídos, inclusive porque a rotatividade é uma necessidade.
 O cidadão é legislador e súdito ao mesmo tempo. Sendo o povo a única fonte do direito, os governantes não gozam da autoridade definitiva.
O marxismo
 O pensamento de Karl Marx (1818-1883), como o de Maquiavel, representa uma revolução política. Maquiavel combateu a teologia política e Marx o liberalismo.
 Entendendo o liberalismo: Surge uma nova classe social (burguesia) a qual pretende chegar ao poder derrubando a monarquia.
 O primeiro passo será mostrar que o poder burguês é mais legítimo (advêm do trabalho) que o poder dos reis (hereditário).
 Segundo, mostrar que a propriedade (bens) são uma instituição divina (Calvino defende a riqueza como bênção divina).
 A falta de posses (pobreza) deve-se ao esbanjamento ou à preguiça; os pobres são culpados por sua condição.
 Essas idéias liberais permitem a derrubada do antigo regime (teocrático e absolutista).
 O liberalismo defende que é tarefa do Estado: A) Garantir o direito à propriedade; B) Arbitrar os conflitos e C) Gerir o erário público.
 Configuram-se os três poderes e as formas de governo (monarquia parlamentar, república e democracia representativa).
 O Estado dispõe de um aparato de segurança, exército e policia, e outros servidores públicos.
 O desafio que o liberalismo não venceu foi possibilitar inclusão social e cidadania plena (excluiu pobres, trabalhadores e mulheres).
 O liberalismo separa Estado (estabelece e aplica leis) e Sociedade civil (conjunto de relações diversas).
 Na sociedade civil os cidadãos se diferenciam pelos seus bens (classes sociais) e ao Estado cabe garantir aos cidadãos a posse dos seus bens.
O Socialismo (marxismo, comunismo)
 Evoluiu do socialismo utópico (Morus, Campanella, Saint-Simon) para o anarquista (Proudhon e Bakunin) e posteriormente para o científico (Feuerbach, Marx e Engels).
 Entendem os socialistas que o Estado é o responsável pelas desigualdades sociais.
 Marx é o maior expoente do socialismo científico.
 Observou a sociedade e percebeu a contradição entre a riqueza e a opulências dos patrões e a misérias dos empregados.
 Analisa o capitalismo do ponto de vista político, econômico e filosófico e classifica-o como injusto.
 Defende que a vida do homem está ligada ao modo como lida com a produção (materialismo histórico).
 Valores, instituições, literatura, ciência e religião são configuradas conforme o modo de produção da sociedade.
 Contrapondo-se ao idealismo, Marx diz que ao movimentar-se o homem tem os pés no chão e não cabeça.
 Por materialismo dialético entende-se o fato da consciência do homem não ser passiva, mas interagir no processo de sua formação.
 A sociedade se constitui a partir das condições materiais de produção.
 O que caracteriza a existência humana é o seu modo de produção e o empregado ao vender sua força de trabalho se reduz à condição de mercadoria.
 O Estado se compõe de infra-estrutura (é a base econômica: proprietários e não-proprietários) e superestrutura (jurídico-política: Estado e direito; e ideológica: literatura, arte, ciência, religião, etc.).
 O Estado está a serviço da classe dominante e através da estrutura ideológica submete a classe dominada impedindo que ela se conscientize de sua condição.
 Para Marx o motor da história não é o feito dos grandes homens, mas a luta de classes.
 As relações de produção (como o trabalho se organiza) dependem das condições naturais e culturais, e das forças produtivas: O modo capitalista objetiva a venda de mercadorias.
 A posse daquilo que o “homem mercadoria” produziu em excesso chama-se “mais-valia”.
 O ritmo do trabalho nem sempre é o da natureza humana e, pois não é o funcionário quem projeta seu trabalho, apenas executa-o.
 O produto do trabalho é subtraído do trabalhador, o qual não se reconhece mais naquilo que faz e o produto acaba ganhando valor por si (“fetichismo da mercadoria”, a mercadoria ganha vida própria e o homem se torna “coisificado”).
 a ideologia capitalista não deixa o empregado perceber essa inversão.
 O que distingue o homem não é sua natureza social e política, mas a capacidade de produzir as condições (material, intelectual e cultural) de sua existência.
 O homens fazem sua história: são o que produzem e como produzem (Engels: “O homem é aquilo que come”).
 Ao produzir não escolhem as condições, mas são determinados historicamente.
 Marx analisa diversas sociedade (familiar, tribal, feudal, estatal e industrial) e conclui que no Estado moderno o poder político se funda na vontade e pela vontade dos proprietários.
 Só aparentemente o Estado visa o bem comum, na realidade serve à classe dominante e por isso deve ser extinto.
 Marx conclama os trabalhadores para a práxis (ação humana que transforma a realidade), pois o importante não compreender o mundo, mas transformá-lo.
 O que distingue o homem não é sua natureza social e política, mas a capacidade de produzir as condições (material, intelectual e cultural) de sua existência.
 O homens fazem sua história: são o que produzem e como produzem (Engels: “O homem é aquilo que come”).
 Ao produzir não escolhem as condições, mas são determinados historicamente.
 Marx analisa diversas sociedade (familiar, tribal, feudal, estatal e industrial) e conclui que no Estado moderno o poder político se funda na vontade e pela vontade dos proprietários.
 Só aparentemente o Estado visa o bem comum, na realidade serve à classe dominante e por isso deve ser extinto.
 Marx conclama os trabalhadores para a práxis (ação humana que transforma a realidade), pois o importante não compreender o mundo, mas transformá-lo.
 Um dos maiores seguidores de Marx foi Lênin, o qual implantou na Rússia um marxismo contrário daquele pensado por Marx, onde o poder seria dado aos trabalhadores e não ao Estado.
 Lênin não estabelece o poder nas mãos dos trabalhadores, mas não mãos do partido, fato que Marx não havia imaginado.
 A revolução só deveria ocorrer quando acabassem as possibilidades econômicas e políticas da burguesia e a classe trabalhadora se organizasse.
 A Rússia aderiu a um sistema totalitário de poder e nessa esteira veio Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, China e Cuba.
 O totalitarismo também teve reflexos na América Latina: Brasil, Chile e Paraguai.
 No totalitarismo o Estado assume e controla todas as instituições da sociedade.
 A forma mais conhecida é o nazifascismo (extremista, hostil à democracia).
 Stalin destruiu todas as teses marxistas e a URSS permaneceu totalitária até 1980 (assista o filme “Stalin”).
 Na China a agricultura, a indústria e o comércio foram coletivizados, por um marxismo maoísta.
 O mundo do século XX se dividiu em dois blocos (guerra fria) entre capitalistas e comunistas.
 Surgiu no ocidente a idéia de Estado de Bem-estar Social, defendendo o capitalismo contra o perigo comunista.
 Visando evitar que o Terceiro Mundo se tornasse comunista criou-se o Banco Mundial e o FMI que lhe socorriam nas necessidades sociais, por um lado e por outro lado faziam espionagem e apoiavam os militares contra as revoluções populares (surgem as ditaduras).
A escola de Frankfurt
Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt
 Fundada por Felix Weil em 22.06.1924 e tendo como primeiro diretor Karl Grünberg.
 Maiores expoentes: Adorno, Horkheimer, Benjamin, Marcuse, Erich Fromm e Habermas.
 Desenvolve a Teoria Crítica da Sociedade: compreensão global da sociedade visando um quadro total da realidade (filosofia, sociologia, economia, história, psicologia e antropologia).
 Partiram da teoria marxista revisada e têm influência de Kant, Hegel, Freud, Weber, Kierkegaard, Nietzsche e Heidegger.
 Influenciou os movimentos culturais de nosso tempo com os conceitos de sociedade de massas, tecnologia como instrumento do sistema capitalista com ênfase no consumo e na diversão visando minimizar os problemas sociais (pão e circo).
Adorno (1903-1960) e Horkheimer (1895-1973)
 Fazem uma crítica da razão iluminista, vista como instrumento de dominação pelo desenvolvimento técnico-industrial.
 São pessimistas em relação à mudança da sociedade.
 A consciência sucumbiu e está alienada pela indústria cultural, pela diversão vulgar através do rádio, cinema, tv, jornais, etc. que homogeneizou comportamentos e massificou pessoas.
 A razão tornou-se controladora e instrumental.
Walter Benjamin (1892-1940)
 Vê com otimismo a indústria cultural, pois a reprodução tornou a arte politizadora acessível às massas.
 Tentou conciliar princípios marxistas e judaicos.
Jürgen Habermas (1929 - )
 É o autor de maior influência nas questões atuais.
 Acredita que a modernidade ainda não cumpriu o seu projeto.
 Propõe uma retomada do projeto emancipatório em novas bases (razão dialógica).
 A razão dialógica nasce do diálogo, da argumentação e do consenso.
 É a razão da ação comunicativa que fortalece as liberdades.
 Rompe com as lacunas de seus antecessores como Marx (a idéia da centralidade do trabalho).
 Razão, verdade, sociedade e democracia deixam de ser absolutos e passam a ser definidos consensualmente, comunitariamente.

quinta-feira, 3 de março de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011